
Imagine aquela casa no Projac toda suja de sangue e tripas
Pode parar de torcer o narizinho elitista: a nona edição do Big Brother Brasil acabou de acabar e, como acontece há quase uma década, é praticamente impossível escapar imune de informações sobre a tal casa mais vigiada do Brasil. Aquelas pessoas com quem o país inteiro convive por três meses e de quem todo mundo acaba esquecendo antes da próxima edição são assunto no ônibus, na portaria, no bar, no Twitter e nos blogs por aí.
Se o peitinho que Fulana paga ou o barraco do Beltrano repecutem tanto, imagine o bafafá que não daria se a casa fosse invadida por zumbis. É, zumbis. Aqueles seres mortos-vivos que se alimentam de vísceras humanas e não fazem nada da vida (ou da morte) além de parasitar os que ainda não caíram em desgraça – ok, a rotina não é muito diferente da de um Big Brother.
Para quem tem crises de abstinência do vício de xeretar a vida alheia em reality shows e curte um programa trash, uma boa saída é a minissérie inglesa “Dead Set”. Mas nem se apegue muito: ela dura apenas 5 episódios de vinte minutos cada.
Agora continuaremos com a 2ª Parte de Dead Set, que contém linguagem forte e cenas horríveis de violência, perturbadoras para alguns. Este filme será mais bem assistido em widescreen e em alto e bom som e deve ser visto num quarto escuro.
Na história, exibida na TV britânica no final de 2008, enquanto os confinados estão na reta final do Big Brother, a população humana da Inglaterra – e do mundo! – está sendo devorada por zumbis. Dentro da casa, obviamente, ninguém sabe de nada.
Uma das cenas mais incríveis do seriado – e aquela que vai te fazer assistir a tudo até o fim – é a que mostra os participantes dançando “Grace Kelly”, do Mika. Todos estão melancólicos em uma festa depois da eliminações de um dos seus best friends forever da última semana. Enquanto o hit toca dentro da casa, do lado de fora o que se vê é uma verdadeira carnificina promovida por zumbis (sim, eles estão mortos, mas têm fôlego de atletas).

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Os confinados só se dão conta do que está acontecendo com o mundo real quando um zumbi espertinho invade a casa e é assassinado por uma mocinha que trabalha nos bastidores do programa, Kelly, a única que sabia de tudo. No começo, eles achavam que era alguma pegadinha da produção – alô, Boninho! – para fazê-los apertar o tal botão vermelho e sair da casa, mas vendo o estado em que uma coleguinha ficou depois de ser mordida pela criatura estranha, o plano de cada um ali muda drasticamente. Da sanha em ser celebridade instantânea do momento, todo mundo passa a ser preocupar em salvar sua pele.

O Pedro Bial do BBB deles acabou sendo atacado
A fotografia é sombria, os diálogos são pontuados por referências da cultura pop e imaginar como seria o Pedro Bial caso fosse atacado por zumbis pode render boas imagens mentais. Fora reconhecer na ficção aqueles estereótipos da realidade tendo que enfrentar situações típicas de filmes de terror B. Ou seja, você já sabe o que vai acontecer nos próximos segundos e tudo colabora para que você fique tenso. É como se “Madrugada dos Mortos” encontrasse “Ensaio sobre a Cegueira”, já que os únicos vivos que sobram acabam perdendo o senso de humanidade.
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Quer conhecer os personagens? Tem a produtora-mocinha, o travesti, o fortão, o rapper, o indiano – sempre vai ter um personagem indiano em qualquer produção inglesa -, o produtor carrasco, a loira burra, a gostosona, o velho babão… o site oficial tem a ficha completa de todos eles, incluindo os perfis no Facebook, troca de e-mails e até clipping das matérias fictícias “publicadas” sobre os participantes.
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Apesar de restrições orçamentárias, a minissérie foi super-hiper bem produzida. A cena da eliminação de Pippa logo no primeiro episódio foi realmente gravada nos estúdios do Big Brother inglês, usando como figurantes o público que foi participar do paredão que eliminou a candidata Belinda Harris-Reid.
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Sei que é meio óbvio, mas é bom avisar que a série é desaconselhada para quem tem aversão e nojinho a seres comendo tripas humanas. Se mesmo assim você quiser ver, é só procurar em qualquer Torrent da vida, mas tenha certeza de que a versão que você baixou sincroniza com as legendas, que não são tantas assim.
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Para ler também:
:: Nick Hornby for kids
:: Seen on TV
:: Quando as cópias são bem-vindas
:: Astigmatismo