Tag Archive for 'Lily Allen'

Para os pés

Passei uma vida inteira sofrendo pra comprar sapatos. A despeito de ter sido bailarina e de ter encarado uma sapatilha de ponta por anos a fio, todo o resto me machucava horrores. Sapato fechado, sandália, tênis, sapatilha… todos tinham o dom de me arrancar pedaços dos pés, sem dó e muito menos piedade.

Pois a vida adulta me trouxe descobertas incríveis no campo do conforto e finalmente pude exercer o vício intrinsecamente feminino por sapatos. A coisa está num nível tão periclitante que precisei prometer pra mim mesma que não ia comprar mais nenhum par nos próximos meses por falta de espaço físico para acomodá-los em meu humilde quarto e sala.

Uma das minhas lojas preferidas quando o assunto são pisantes é a Imporium. A lojinha – sim, lojinha, super pequenininha – me persegue: já morei perto de uma das filiais, trabalhei do lado da outra e moro perto da terceira. Tudo conspira contra minhas promessas e, principalmente, contra a saúde da minha conta bancária.

Pois agora a Imporium tem um site e, além de me tentar quando passo na frente das vitrines, eles vão me tentar cada vez que eu esbarrar acidentalmente – ou não – no link. Pra entender a histeria com a loja, sente o meu drama:

Primeiro, tive um chilique por causa do Oxford… não dá para ver pela foto, mas a abertura no peito do pé tem forma de coração. Por último, a crise foi por conta das sapatilhas com bonequinhas ilustradas pelo Mark Ryden. Conclusão? O primeiro eu comprei e as segundas eu acabei ganhando.

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Tudo bem que eu já disse que detesto site com trilha, um mal que assola a humanidade vive dando sustos no pobre coitado do internauta que está navegando desprevenido. Mas ando simpatizando com trilhas sonoras caprichadas que me apresentam artistas bacanas, como é o caso do site da Imporium. Pena que não tem o crédito das músicas pra eu procurar por aqui, mas reconheci uma Lily Allen aqui, um Peter, Bjorn and John ali e uma cover ótima de “All My Loving”, dos Beatles. Se vocês me contarem de quem é nos comentários, vão me fazer muito feliz :P

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O site ainda está em fase de construção e ajustes, mas adianto aqui em primeira mão algumas das fotos do editorial que o pessoal do Modices fez para a nova coleção. As fotos têm climinha retrô que tem tudo a ver com a marca.

Créditos: Modices

Foto: Victor Fernandes
Assistente de fotografia: Fabricio Pimentel
Styling: Carla Lemos
Assistente de produção: Nicole Rocha
Maquiagem: Dani Kobert

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Lily Allen de cara nova

lily_remixed

Nah, aparentemente a desbocadinha do pop não retocou o rosto com botox e plástica, mas seu recém-lançado (e ótimo!) disco “It’s not me, it’s you” ganhou uma versão inteiramente repaginada. “Lily Allen Remixed” traz releituras feitas por Fritz Von Runte – ou simplesmente Doc Fritz -, que trocou o calor senegalês do Rio por Manchester. “The Fear” ganhou versão orquestrada e grandiosa, “Not Fair” tá mais lo-pro e agora você pode mandar um belo “Fuck You” pra quem quiser em ritmo de Bossa Nova (ou “Fossa Nova”, como ele chama. Até que faz sentido). Ainda tem levada dub, em EBM, House, Electro… para tudo quanto é gosto.

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O trabalho todo levou um mês para ficar pronto e, nesse meio tempo, Fritz deixou de fazer a barba e só saiu de casa quatro vezes. Para comprar comida. No site oficial do projeto, Doc Fritz disponibiliza o disco inteiro para download, junto com os vídeos também remixados, o link para a página para o Facebook e rola até uma promo pra galera oldschool ganhar o trabalho prensadinho em CD através do Twitter. Ah, o disco tem versões que ainda não foram lançadas na rede!

Parece que a Lily já baixou a sua cópia, mas até agora não deu pinta sobre o que achou do trabalho no próprio Twitter. Mas, do jeito que a sujeita é linguaruda, já já ela fala alguma coisa.

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O “Lily Allen Remixed” foi mais um entre os vários projetos musicais de Doc Fritz, também conhecido por Pete Zarustica. Como Pete, ele assinou o bombadíssimo “The Beatles Hate” (sim, aquele que você e outras 16 milhões de pessoas baixaram), o “The Beatles Hell”, o “Renegade Boys – Beastie Sound Wave” e ainda a gigantesca coleção de mashups Lycantropii, que começou como uma espécie de protesto contra a invasão dos Estados Unidos ao Iraque (é, pois é) e acabou virando uma série de coletâneas natalinas lançadas em 2003, 2004 e 2005. Pode apostar que você já ouviu uma das 60 faixas nas festinhas por aí.

Todos esse projetos foram lançados sob o selo Marshall Records.

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Mulherzice

Diz mamãe que, se eu demorasse mais cinco minutos pra nascer, ela teria tido outro menino. Pois é, por trás dessa aparência frágil e da vida de bailarina, eu sou desbocada, hiperbólica, escandalosa, tenho voz grossa, já cansei de ganhar do meu irmão nos concursos de arroto da adolescência e só fui pegar gosto por saias, maquiagens, roupas e acessórios de menina lá pelo fim dela. Hoje eu adoro uma mulherzice. A-do-ro. Tenho até uma categoria com esse nome pra arquivar os posts deste blog nessa linha. E foi essa palavra inexistente, a tal da Mulherzice, que me inspirou na hora de criar uma coletânea* de músicas para um amigo-oculto que eu nem conhecia. E por Mulherzice, pensei num tema que juntasse duas coisas que eu amo: covers e vozes femininas. O resultado ficou tão bacana, que eu resolvi deixar aqui algumas das músicas escolhidas. A coletânea inteira você baixa aqui, já tá prontinha e devidamente taggeada – com capinha e tudo – para você subir pro seu iPod. Divirta-se!

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Adele lasciva em “Last Night”, dos Strokes

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Katy Perry arrasa em “Use Your Love” (aqueeeela), do Outfields (quem?)

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Kate Nash e sua versão com sotaque brit de “Baby Love”, das Supremes

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De novo a Kate Nash. Com essa cover de “Fluorescent Adolescent” ela me fez gostar de alguma coisa do Arctic Monkeys

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Lily Allen e sua versão cool/lo-pro de “Womanizer”, da diva do meu <3 Britney Spears

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Emmy The Great homenageia os Pixies em uma versão incrível de “Where’s My Mind?”

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A produção da versão de “Betty Davis Eyes” da Leighton “Blair” Meester é meio over, mas a malvadinha de “Gossip Girl” canta bem

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Eu não gosto muito da Duffy e nem de Hot Chip, mas não é ela cantando o hit deles ficou ótimo?

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Eu já acho esse tecladinho do Au Revoir Simone o máximo, nessa versão de Bowie, então…

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Os fofinhos do Magic Numbers encontram a gostosona da Beyoncé e sai isso aqui. Ah, tem homem no meio? E quem se importa?

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Outra roubadinha pro lado masculino, mas o coro me redime: Polyphonic Spree meets Nirvana em “Lithium”

* Agradecimentos ao Felipe Venetiglio pela ajuda com as músicas.

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Para ler também:

:: Seen on TV

:: Fashion Rio / Inverno 2009

:: Emmy The Great: sim, ela é ótima

:: Clap your hands if you want some more

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Planeta Terra

Dois dias, 900km, mais de 10 horas dentro de um carro, quatro malucos, três bees, menos de quatro horas dormidas em um hotel e eu tô cansada pra caralho. Todo esse esforço pra conferir o Planeta Terra, festival do portal homônimo, que rolou no sábado em São Paulo. E olha que o Teenage Fanclub nem foi escalado, heh.

Mas vamos lá, festival de música, line-up interessante, pouca grana investida, oportunidade de viajar e encontrar com amigos queridos… por que não?

Lucy and the Popsonics, Pato Fu, e Supercordas eu passei. Tokyo Police Club? Nah, deixei pro único ser humano na face da terra que deve ter uma camiseta deles. E tava escrito Tóquio. Juro, eu vi. Enfim, digressiono. Era consenso no carro que não dava pra chegar tão cedo à Villa dos Galpões depois de tanta estrada. Era preciso descansar pra pegar o restante da maratona.

Depois de passar pelo Credicard Hall – que, à época do show do Oasis me pareceu ser o lugar mais distante do mundo – e de nos perder, chegamos à Villa dos Galpões no começo do show do Datarock e Instituto. O line-up extenso pulverizou o público e facilitou a entrada. Fila pequena, em cinco minutos já estávamos lá dentro. Um breve reconhecimento de área, marcação de ponto de encontro e fomos eu e Felipe pra tenda conferir o que tava rolando e o Datarock me chamou atenção…

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A partir daí, meus relatos são parecidíssimos com os do DJ Janco Tianno, já que assistimos a praticamente tudo juntos, com medo de nos perder no meio da multidão. Baixinho tem mais dificuldade pra ser achado, certo? Digressiono de novo. Eu desconhecia o duo norueguês, mas foi só ver aqueles caras de hoodie vermelho, pulando feito loucos e se divertindo a valer que virei fã. Foi fácil ganhar o público. E me ganharam facinho também. Se eu achava que o hit FaFaFa já tinha marcado todos os gols do show, os noruegueses – apesar de eu achar que o vocalista, Fredrik Saroea, tem um pézinho na LATINIDAD – mandaram ainda melhor. O que parecia ser o fim do show, com luzes se acendendo e o BG rolando virou um grande karaokê de (I’ve Had) The Time Of My Life, aquela do Grease que todo mundo já dançou em matinê. Dublagem, caras, bocas, fotos da galera e a festinha ficou completa.

De lá, parti pra esperar pela Lily Allen. Fazendo jus à pontualidade inerente à sua procedência, miss Allen subiu ao palco às 22h, pulando ao som da sensacional LDN. A baixinha era só sorrisos dentro do vestido roxo com um laçarote enorme na frente, empunhando o microfone espalhafatosamente fluorescente. Ali tive a sensação de que ela ganharia a noite, mas o som, baixo, não colaborou. Algum problema maior causou um delay chatinho entre as músicas, que a mocinha compensou falando besteira e divertindo quem tava a fim de prestar atenção. Lily bebeu, acendeu o cigarro e falou, falou, falou. De “fuck my bush” pro presidente dos EUA à confissão de que tinha bebido um pouco demais, culpando o álcool pelo esquecimento de várias letras, Lily esbanjou simpatia. E foi o carisma absurdo que ela exala que salvou o show dos problemas técnicos do som e da memória fraca da cantora. Covers? Sim, ela já provou que é boa nisso. Lily mandou Gangsters, do Specials; Everybody’s Changing do Keane e Heart of Glass, que ela já tinha cantado com a Debbie Harry por aí. Lily provou que é a popstar que ela mesmo disse ser por ter feito um show super despretensioso – por ser o último de uma turnê de dois anos – e cheio de falhas ser uma delícia. Continuo fã.

Quando Lily se despediu, ainda rolava o finalzinho do show do Cansei de Ser Sexy. Ou CSS, pros entendidos. Como não era meu caso, foi hora de ir ao banheiro e encontrar amigos. Logo depois, subia ao palco principal o lendário Devo.

Assisti ao começo chutador de bundas, o que afastou toda e qualquer possibilidade de eu achar aquela reunião de tiozinhos um espetáculo de vergonha alheia. Sabe aula de rock? Mas eu cheguei a baixar na tenda do Rapture, fiquei por uma música, tive um ataque claustrofóbico e lá fui eu conferir o fim do Devo. Novamente, aula de rock. Saí de lá com a sensação de que todas essas bandecas deveriam ter visto o que aquelas seis mil pessoas viram pra saber como empunhar uma guitarra de maneira honrada. Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah!

Dali, já quebrada, dolorida, moída e com sono, o jeito foi esperar pelo show do Kasabian, aquela banda da qual só tinha ouvido o primeiro cd. E não tinha gostado, o que me desmotivou a ir atrás do segundo, lançado esse ano. Mas tudo bem, eu estava em bando e precisava esperar. E não é que mordi a língua, meu bem? Com absurda meia hora de atraso (vejam bem, único show atrasado do festival!), os moços de Leicester me surpreenderam já na abertura com citação a Enio Morricone, emendada com uma versão pesadíssima do hit Shoot The Runner. Ali eles já conquistaram minha atenção. As referências às bandas de madchester que eles colecionam ficam mais claras ao vivo. E confesso que ouvir uma banda do chamado novo rock que não chupa Gang of Four e/ou Talking Heads e sim Primal Scream e Happy Mondays, com um pézinho no Oasis e até ecos de Verve, como Tianno bem frisou, me fez sentir um alívio enorme. É bom encontrar alguém com outras referências nesse mundo, não é mesmo, minha gente? Ainda mais quando citam PS e Kinks na mesma música. Foi demais pro meu coraçãozinho. Os caras tomaram o palco, mantiveram a pose de roquestrelas que aprenderam com seus antecessores e me fizeram correr pra ouvir o disco no iPod assim que entrei no carro. É, ao vivo é realmente mil vezes melhor. Que bom que eu paguei pra ver.

O saldo do festival foi extremamente positivo. Sem atrasos, sem filas, bebidas baratas, atendentes simpáticos, banheiros suficientes e com papel higiênico (mas faltou pia!) e estrutura bem montada. O esquema em dois palcos com pequenas diferenças de horário funcionou super bem, evitando que um lugar ficasse cheio demais e outro vazio. Com isso, nada de aperto ou claustrofobia. Sujeira? Nenhuma, toda hora via um servente catando os copos que o pessoal deixava pelo chão. Simpatia? Todo o staff parecia esbanjar. Não dá pra reclamar, né? Pelo contrário, resta torcer pra ter mais em 2008.

De lá, caímos na pilha errada de ir até o Clube Belfiore, pilha errada de um amigo que jurou de pés juntos que o pessoal do Rapture estava indo pra lá. E eu com isso, né? Mas acabei seguindo o fluxo e fui. Depois de 1h lá dentro, tendo escutado Tainted Love, Personal Jesus, Walk Like An Egyptian, Here Comes Your Man e It’s The End of The World As We Know It (And I Feel Fine) e uma cantada que incluía a palavra BAGUETE, decidimos ir embora e dormir quatro horinhas pra curtir um pouco mais de São Paulo antes de voltar pra casa. E, na real, eu nem queria voltar, como acontece sempre que piso na terra de concreto e poluída que tão bem me faz. Mas o dever me chamou e até que foi divertido jogar EU NUNCA presa num engarrafamento na serra das Araras.

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