Tag Archive for 'Brazil’s Next Top Model'

Fashion Rio :: Inverno 2009

Nesta edição do Fashion Rio, minha participação se resumiu apenas aos desfiles da mineira Printing e do primeiro dia de Rio Moda Hype, graças ao meu trabalho, que não tem muito a ver com o assunto, e à gentileza da Julia Valle, que me convidou para ver suas criações tão elogiadas por aqui na passarela.

*****

Apesar do nome que remete a uma marca mais jovem, a marca de roupas de festa Printing saiu de Belorizonte para sua primeira incursão nas passarelas cariocas. Em pleno calor de meio-dia, a grife de desfilou suas finas roupas de noite.

Os anos em que vivi na terra do pão de queijo me fizeram crer que só por lá, onde as pessoas prezam – e muito! – pelo cuidado com o visual. Ir até a padaria requer uma arrumação especial, que dirá ir para um evento de gala. Por isso, chega a ser curioso uma cidade que prima pela informalidade e pela falta do dress code apresentar um desfile cheio de glamour.

Elegante, a Printing fez um desfile com cara de anos 20, nos chapéus, nas bolsas com cara de antiguinhas e na silhueta, fininha, fininha. O bacana é que eles subverteram a regra não declarada de que ocasiões festivas pedem vestidos longos. As peças não passam do joelho e ganham companhia de cintos, bolsas de mão, colares de murano super volumosos (será que pesa?).

As calças também têm vez: soltinhas, ajustadas, em terninhos, combinadas com vestidos e blusas com brilhos. Pedraria, texturas e brilhos adornando? Tem, sim, senhor.

Se eu fosse participar da minha cerimônia de formatura – que, por sinal, é neste final de semana – a minha escolha seria o modelito da foto abaixo: elegante, marcante e foge do lugar comum do vestido longo de crepe/cetim/insira aqui seu tecido caretão.

A elegância da Printing / foto do Chic.com.br

A elegância da Printing / foto do Chic.com.br

*****

No dia seguinte, foi a vez de conferir na calorentíssima Marina da Glória os desfiles que os novos talentos selecionados pelo prêmio do Rio Moda Hype prepararam.

Quem abriu foi Fernanda Yamamoto, de São Paulo, com a coleção Sport Chic. Com cores claras, Fernanda misturou a inspiração nos esportes radicais com tecidos e cortes mais arrumadinhos. A mistura de referências ficou clara na combinação de materiais.

O conforto chique em tons clarinhos de Fernanda Yamamoto

O conforto chique em tons clarinhos de Fernanda Yamamoto

*****

Em seguida, foi a vez de Martins Paulo, do Piauí, que usou a obra de Cecília Meirelles para pintar a passarela branca de cores mais que alegres. Só que, em vez de peças lúdicas, que remetem ao universo infantil, é como se a autora de “Ou isto, ou aquilo” tivesse ido dar uma voltinha por Seattle em um milagroso dia de sol. A trilha sonora com uma cover incrível a cover incrível  de Lithium, do Nirvana, pelo Polyphonic Spree os xadrezes, as modelagens e os boots sobre meias coloridas não me deixaram outra impressão. Amei!

O estilista piauiense quebrou os tons sisudos de inverno com um desfile supercolorido @ Chic e Ego

O estilista piauiense quebrou os tons sisudos de inverno com um desfile supercolorido @ Chic e Ego

*****

O terceiro desfile ficou por conta da moda masculina de Alisson Rodrigues, do Paraná, que trouxe de volta o tempo chuvoso para a Marina. Os homens de Alisson usam capuzes, cachecóis soltos ou amarrados livremente, jeans escuros, estampas de placas, botas pesadas e leds (sim, luzes!) para viver em meio a metrópole. Não foi à toa que a coleção ganhou o nome de Urbanidades.

A urbanidade de Alisson Martins @ Ego

A urbanidade de Alisson Martins @ Ego

*****

A mineira Julia Valle, que já tinha apresentado a coleção da Printing – da qual é estilista – no dia anterior, voltou à passarela com sua coleção Generator. Em parceria com um programa desenvolvido especialmente para a coleção, Julia criou via computador formas que ganharam deformações e então foram retrabalhadas por ela para tornarem-se peças utilizáveis. O resultado é uma coleção superfeminina e novamente elegante, em que as tais deformações acrescentam movimento e leveza, em peças que acabam ganhando um charme a mais.

As descontruções da coleção Generator, de Julia Valle @ Ego

As descontruções da coleção Generator, de Julia Valle @ Ego

*****

Renata Veras, única anfitriã carioca da bateria de desfiles, usou a inspiração no movimento londrino Guerrila Gardening - que prevê a invasão de espaços para a implantação de pequenos jardins urbanos – para trazer à passarela peças que misturavam tons sóbrios com cores fortes e que valorizam o corpo feminino – mas que já enjoaram – como legging, maiôs e calças super justas. Outra sensação incômoda de deja vu foi o uso de scarpins de salto com polainas…

Renata Veras foi a única carioca a desfilar no primeiro dia de RMH @ Ego

Renata Veras foi a única carioca a desfilar no primeiro dia de RMH @ Ego

Entre as modelos que sustentaram as criações de Renata, estava Marianna Henud, uma das participantes da última edição do reality show “Brazil’s Next Top Model”, que fez mimimi e reclamou que o programa só serviu para queimar o filme dela.

*****

Quem fechou a tarde foi a Frame, de São Paulo, com um jeitão de “viagem pela América Latina em grayscale”. Como assim? Pois é, apesar da inspiração em artistas como Marcel Duchamp, em que pretendiam transformar elementos do cotidiano em moda, o desfile ficou com uma baita cara de coleção para mochilão pelos países próximos, mas sem as cores fortes que sempre marcam a latinidad.

Os vestidões soltos, cheios de babados, as mega-maxi-ultra-mochilas e bolsas e as sandálias rasteiras me deram uma impressão totalmente diferente da que foi conceituada pelas estilistas Patrícia Brite e Lívia de Paula.

frame_rmh

A coleção com cara de mochilão da Frame @ Ego

*****

Considerações finais:

:: Gustavo MM, DJ responsável pela trilha do RMH, deve ser um baita fã de videogame, já que a vinheta que abriu cinco dos seis desfiles é a música de abertura do We Love Katamari, possivelmente o jogo mais legal já inventado por um japonês surtado.

:: Infelizmente, as ankle boots apareceram bastante nos desfiles desta edição. Infelizmente, sim, porque aquilo ali só fica bem em mulheres altas e muito magras, o que não é o caso da cidadã comum que chafurda nos docinhos.

:: Algumas das frequentadoras do Fashion Rio não seguiram as valiosas lições de Blair Waldorf e ignoraram que TIGHTS ARE NOT PANTS. Meiacalça vem por baixo da roupa e não é uma parte dela, pelamordedeus.

:: Eu não vi o desfile ao vivo, mas cês notaram que a carioca R. Groove usou e abusou dos acessórios feitos em Lego, como foi tendência lá fora umas estações lá atrás?

Pixel Art: os corações de Lego da R. Groove @ Ego

Pixel Art: os corações de Lego da R. Groove @ Ego

:: Também não tive tempo para conferir os outros desfiles e fazer comentários. Mas isso vocês acham na ótima e rápida cobertura do Bem Resolvida.

:: As fotos que ilustram o post são de Carlos Zambrotti, da AgNews, gentilmente malocadas do Ego (e algumas do Chic). Valeu aí, chefinha.

Blog Widget by LinkWithin Bookmark e Compartilhe



SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline