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Bolinho de arroz

Hit do reaproveitamento das sobras caseiras, o bolinho de arroz está ganhando espaço nos cardápios dos bares e restaurantes do Rio. A iguaria, simples, esperta e gostosa, antes ficava restrita aos lares onde é comum a matriarca atarefada errar na conta do arroz e ficar com pena de jogar aquele montão que sobrou fora. Lavoisier explica: é mais ou menos a mesma lógica dos restaurantes a quilo que funcionam como pizarria rodízio à noite. A comida até se cria, mas o que sobra dela obviamente se transforma.

Ignorando a procedência ou mesmo a intenção por trás da receita, o popular bolinho de arroz pode fazer a festa de muitos glutões que, como eu, adoram uma comida com gostinho de casa. Por isso mesmo, andei provando vários exemplares por aí – aqui no Rio, no caso – para dar o meu aval. Dizem as boas línguas que o do Ritz, em São Paulo, é imbatível. Como ainda não pude degustar de tão não-nobre iguaria, espero que os cariocas trilhem o mesmo caminho.

Joaquina Bar: o bolinho de arroz temperado servido ao molho de tomate apimentado em porção com seis disputa a tapa (trocadilho gastronômico incluso) com a lula à dorê ao molho aiöli pela minha preferência entre os petiscos da casa.

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Joaquina

Boteco da Garrafa: é o super star da rede de bares do povo do Belmonte. Vendido à unidade de tamanho generoso, vem crocante por fora e cheio de queijo por dentro. I said cheeeese. Já vale, né?

Samoa Rio: até o mezzo-japa, mezzo-carioca se rendeu ao hype. Feita com arroz de sushi e peixe do dia, a porção com seis bolinhos vale muito a pena para abrir os trabalhos (justiça seja feita. Provei pela segunda vez depois de ter escrito esse post e achei que ele merecia mais algumas palavras: parece um bolinho de bacalhau, mas no lugar da batata você coloca o arroz. O tempero? Ótimo! Baita gostinho de páprica).

Meza Bar: mais arrumadinho, o papo aqui é bolinho de risoto de açafrão servido ao pesto de manjericão. Invecionice demais em cima do básico? Pode apostar que vale a pena. Quer ver? Dá uma olhada na receita que eles disponibilizaram no site do bar.

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Ingredientes

1kg de arroz arbório
200ml de vinho branco
1 cebola
40g de açafrão em pó
20g de queijo minas padrão
100g de queijo parmesão
1l de caldo de carne
100g de manteiga
50ml de óleo
Sal e pimenta a gosto
30ml de pesto de manjericão (N. da E.: é fácil de fazer, só bater as folhas de um maço bonito de manjericão com bastante azeite de qualidade e queijo parmesão. As medidas? Vai no olhômetro!)

Modo de fazer

Picar cebola, refogar na panela com óleo. Adicionar o arroz arbório e refogar na panela por 30 segundos sempre mexendo. Misturar o açafrão. Declacear com o vinho branco e deixar evaporar, adicionar caldo de carne até o arroz estar pronto. Adicionar manteiga e parmesão e mexer até que eles estejam incorporados ao risotto. Temperar com sal e pimenta. Adicionar gelo à panela para cortar o cozimento. Espalhar o risotto em uma assadeira e levar à geladeira para esfriar por, pelo menos, uma hora. Cortar o queijo em cubinhos de 1 cm. Enrolar as bolinhas de risotto com o queijo no meio e passar na farinha de panko, no ovo batido e então na farinha panko novamente. Fritar em óleo quente.

Gattopardo: o tradicional bar carioca serve porção com nove bolinhos de arroz (que estão mais para croquetes!) super simples, para se comer com Tabasco. A boa é acompanhar a entrada com um dos chopes artesanais feitos pela própria casa.

Boteco Vip: o bar, recomendadíssimo por esta que vos fala, também tem sua versão. O bolinho de arroz vem recheado com sardinha refogada e molho de páprica. Foi o único da lista que não provei, mas vindo de onde vem, não duvido que seja excelente.

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Boteco Vip

*** UPDATE! ***

Bazzar Café: o bistrô que vem acoplado em tudo quanto é Livraria da Travessa também incluiu o petisco no cardápio na forma de bolinho de risoto com gorgonzola e molho de damasco. Em formato de cigarrete, servido em uma torre de quatro bolinhos empilhados, dizem que é pra comer com garfo e faca, mas aí eu já achei exagero. Para quem curte muito gorgonzola, deve ser um prato (ou uma entrada) cheio. Para quem não é fã do queijo feito eu, quebra aquele galho na hora de tapear o estômago, mesmo com tanta frescura. Afinal, é arroz.

*****

No fim das contas e de toda essa comilança, a conclusão a que eu consigo chegar é que não importa de quem sejam os restos, um bolinho de arroz bem feito dispensa até o conhecimento prévio de sua trajetória na cozinha. Quem quiser indicar bolinhos de arroz imperdíveis, os comentários são serventia da casa.

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Boteco Vip

Não se deixe enganar pelo nome. O que ele tem de ruim, a casa tem de ótima. Escondido na Conde de Irajá, no Humaitá, o tal Boteco Vip fica em um casarão antigo e enorme. Se a decoração é neutra o suficiente para passar batida, todo o resto chama atenção: o serviço atencioso, os pratos e petiscos caprichados e o chope artesanal, acompanhado de uma vasta carta de cachaças e cervejas.

Bolinho de tapioca recheado de queijo com molho de rapadura com mostarda. Coisa de louco

Bolinho de tapioca recheado de queijo com molho de rapadura com mostarda. Coisa de louco

Quem me apontou o tal boteco do nome ruim foi o meu amigo Pedro Fraga. Nada mais justo que parar lá numa noite de sábado com ele e com nossos respectivos. O Pedro quis conhecer o lugar por causa das cervejas especiais. Eu, gorda de alma, fiquei doida quando vi o cardápio de petiscos arrumadinhos no site.

Para beber, fomos de chope Mistura Clássica Amber, chope Mistura Clássica Weiss e chope Röter Pilsen. Na garrafa, Colorado Indica e Colorado Appia. O que significa isso o Pedro explica, já que o entendido de cervejas é ele:

O Chopp Röter é um chopp pílsen não filtrado, puro malte (ou seja, nada de cereais como milho e arroz que muitas grandes cervejarias utilizam) e com 3 lúpulos importados, mas que tem baixo amargor e boa drinkability. Já o Mistura clássica Weiss é feito com malte de cevada e trigo, no estilo tipicamente alemão. O resultado é uma cerveja bem turva, com aroma de cravo e sabor condimentado e frutado. O Mistura Clássica Amber, o melhor dos três, é vermelho rubi, levemente amargo e com notas de caramelo e torrado no sabor.

A Colorado tem como proposta principal a utilização de alguns ingredientes bem brasileiros na elaboração das suas cervejas. A Indica, no estilo India Pale Ale, leva rapadura na composição e resulta numa cerveja vermelha encorpada com 7% de alcool e boa presença de lupulo tanto no aroma como no amargor. A Colorado Appia é uma cerveja de trigo que foge do sabor de banana e cravo comum no gênero, apresentando uma boa presença de mel, que é ingrediente adicionado na mesma”.

Apesar de os bebes serem um atrativo de peso (ainda mais porque não dão ressaca), o que realmente me fez correr para o Boteco Vip foram os comes, criações do chef Cesar Mattos. Para provar o máximo possível, pedimos o bolinho de tapioca recheado com queijo acompanhado de molho de mostarda com rapadura, cestinha de massa de pastel recheada com patê de bacon e coberta com castanha do Pará, além de eu ter me arriscado a comer uma iguaria da qual eu não sou fã, a carne seca com abóbora. Depois disso, tive que dar o braço a torcer. Apesar de ter me acostumado a dizer que não gosto, o bolinho de abóbora recheado com carne seca, acompanhado de molho barbecue de goiaba estava incrível.

Cestinhas de massa de pastel com patê de bacon e castanha

Cestinhas de massa de pastel com patê de bacon e castanha

Para arrematar, fomos chips de Cará fritos que, segundo o site do bar, é um “tubérculo do mesmo grupo da mandioca e do inhame. Tem casca marrom escura, coberta com fibras finas como cabelo, e polpa fibrosa branca ou amarelada. É muito consumido no Nordeste do Brasil”. Tudo muito gostoso, bem apresentado e bem servido (uma característica rara no Rio), a preços honestos para a qualidade de tudo. Ou seja, barato não foi, mas que valeu a pena, ah, valeu.

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Além do chope ser bom, ainda rola rodízio dos artesanais às segundas, terças e quintas, das 18h30 às 21h30 e aos domingos das 17h às 20h30. O preço? R$ 26 por pessoa. Divida por R$ 4 que te cobram por porcarias aguadas que te vendem por aí e faça as contas: vale muito a pena.

A partir do dia 6 de maio, a casa vai oferecer rodízio de espumante todas as quartas-feiras das 18h30 às 21h30. Por R$ 42,60, você pode escolher por espumante brut premium, moscatel premium, blush Premium rosé e prosecco premium. Todos da CasaValduga.

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Já que o assunto é comida (para variar), uma boa notícia para os cariocas: depois de babar na Restaurant Week de São Paulo, nós vamos ter nossa própria edição do festival gastronômico! De 4 a 17 de maio, vários restaurantes do Rio vão servir menus especialmente criados para o evento a preços fixos R$ 25 + R$ 1 no almoço e R$ 39 + R$ 1 no jantar. O R$ 1 cobrado a mais vai ser destinado a instituições de caridade. Ainda não saiu a lista dos restaurantes que vão participar, mas vamos torcer para rolar muita coisa boa.

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