Eu confesso: sou uma novata na arte da degustação de comida japonesa. Se você, querido leitor, lê este humilde blog há mais de um ano, sabe que minha primeira experiência bem sucedida com a culinária oriental foi há pouco tempo. De lá pra cá, muitos reais foram gastos para alimentar o novo vício em peixe cru, cuja ausência chega a me causar tremedeiras.

Imagem meramente ilustrativa. Eu nem sempre ando com a minha câmera, droga!
Poréééém, desde que me iniciei neste fantástico mundo tenho uma questão: sempre me falaram que o Hot Philadelphia – o rolinho de alga, arroz, cream cheese e salmão empanado e frito – era a porta de entrada perfeita para este submundo de cores e sabores. Só que taí uma coisa que nunca me cativou. Devo ter desbravado mais de dez restaurantes diferentes que serviam comida japonesa e sempre dedicava um espacinho no estômago para testar o tal Hot Philadelphia, sempre meio cabreira. Já tinha virado uma questão de honra encontrar o rolinho frito perfeito.
E eu acho que, finalmente, cheguei a dois candidatos fortíssimos ao posto. Os dois vindo de restaurantes pequenininhos e mega charmosos, quase vizinhos em Ipanema.
O primeiro é o hot – para os íntimos – do Minimok, que, como diz o nome, é mini e fica escondidinho ali na Vinícius de Moraes, entre a Visconde de Pirajá e a Barão da Torre. O rolinho foge do tradicional ao ser empanado com arroz de bifum cortadinho, que deixa tudo muito, mega, ultra, hiper crocante.
Não dá vontade de parar de comer, ainda mais porque eles são enrolados bem fininhos, impedindo que você queime sua boca com o cream cheese quente. Vocês hão de convir que manusear os hashis já não é fácil, pegar uma peça gigantesca e ter que colocar ela inteira e pelando na boca só complica a situação.
O outro candidato é o Hot Philadelphia do Boo Dah Sushi Bar, que fica na Teixeira de Mello, em frente à La Cucaracha. O restaurante acabou de abrir e segue os moldes do vizinho Minimok. Pequeno, aconchegante e bem decorado, fazendo valer a máxima de que comida japonesa também é pra ser comida com os olhos. O hot de lá é empanado com uma massa diferente da habitual, sequinha e crocante e que eu, muito esperta, esqueci de perguntar como era feita (mil perdões!). Mas o importante são os fatores “sequinha” e “crocante”, porque ninguém merece ter o paladar insultado por um troço borrachudo e encharcado de óleo, certo?
Pois então, a iguaria nipônica do Boo Dah é sequinha, crocante e com o must de levar uma dose a mais de cream cheese em cada peça depois de cortada. Ou seja, os hots chegam à mesa com um pinguinho extra de queijo pastoso que faz toda a diferença.
Apesar de ainda preferir me entupir de sashimis e sushis, vou continuar na busca por novos e incríveis Hot Philadelphias, mas com a certeza de que superar esses dois vai ser difícil.
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Uma das coisas que notei no Minimok foi a música ambiente: tava rolando um Minimal como o que andou na moda nas festas de música eletrônica por aí. Só concluí que o som funciona muito mais como trilha de jantar do que em pista de dança. Sabe como é, nada contra… mas quando eu tô dançando, sinto falta de refrão pra cantar junto.
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Como eu contei aqui, o local escolhido para a minha primeira incursão à culinária japonesa foi o tijucano Mitsuba. Lá, fui recebida pelo simpaticíssimo dono da casa que, entre mil histórias deliciosas, me contou que o Hot Philadelphia era uma licença poética brasileira. Um adendo carioca ao menu japonês, para falar a verdade. Ele contou que, durante os anos 90, o Rio sofreu com uma crise de intoxicação por peixes. Não tenho memórias do episódio, já que não morava aqui e não sei precisar bem o que aconteceu. Só consigo imaginar que os restaurantes japoneses, esses que servem peixe cru, devem ter perdido muitos clientes na época: quem é que vai se arriscar em meio a uma situação dessas? Por isso, os sushimen passaram a investir na criação de pratos quentes, empanaram o Philadelphia – que já era uma releitura por si só – e tascaram na frigideira. O resultado, se vocês não são frescos como eu fui, vocês já devem conhecer. :)
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Para ler também:
:: Mexican Wine








