Perdido no bucólico bairro do Grajaú, o Bar do Adão é um verdadeiro achado. Os requintes do pé-sujo fazem a esquina da Avenida Engenheiro Richard com a Rua Mearim ficarem cheias de segunda a segunda. O que atrai mais de mil pessoas por final de semana é o cardápio com 50 sabores de pastéis. As opções vão desde a tríade clássica carne-queijo-frango até às visitas à haute cousine como os de queijo brie com damasco (R$2,70) ou o de camarão com cogumelos shiitake (R$2,70). O chope, como em todo bar que se preze, se mantém infalível nas condições ideais de temperatura e pressão e a casa conta com uma vasta carta de cachaças.

Donos do bar desde 1990, os irmãos Marcelo, André e Rômulo Ferreira Costa não esperavam que o velho botequim de 1928 pudesse bloquear o trânsito do bairro. Antes de se tornarem proprietários, os três vendiam quentinhas e pastéis na rua e aproveitaram oportunidade de se fixar no local, fundado por comerciantes portugueses. “Era um botequim quebrado, com duas geladeiras velhas e um funcionário, mas resolvi arriscar”, explica. Um grave incêndio destruiu o pé-sujo em 1993 e foi o causador da mudança do bar. O trio deixou de vender cerveja em garrafa e apostou no chope para atrair um outra clientela. Funcionou. Com o ambiente mais família, puderam testar o cardápio – que inclui Risoto de Camarão (R$39,50 para duas pessoas) Escondidinhos de Camarão e Bacalhau (R$14,50) e Picanha à Campanha (R$36,80 para duas pessoas) – e conquistaram os moradores das redondezas, que vão ao bar acompanhados de amigos, parentes e colegas de trabalho.

E não só eles. O crescente movimento e a visita de pessoas vindas de várias partes da cidade motivaram a abertura da primeira filial, em Botafogo. A inauguração do restaurante no número 81 da não menos bucólica Rua Dona Mariana está prevista para o mês de no¬vembro, mas tem gente que ainda acha pouco. Tatiana Contreiras, 25 anos, vai de Niterói ao Grajaú pelo menos uma vez por mês só para degustar os acepipes do Bar do Adão. “Quando eu era criança, estudava no colégio que fica em frente ao bar e minha mãe dizia para eu passar direto, por causa dos bêbados. Hoje é outra coisa, o clima mudou completamente. Mesmo morando do outro lado da ponte, sempre volto com a turma”, conta. Funcionário da casa há 13 anos, o gerente Paulinho perdeu a conta de quantos casais se conheceram no bar, namoraram e até casaram: “depois eles voltam para trazer os filhos, dá gosto de ver”.

Paulinho revela que os pastéis de maior saída são tradicionais, como o de Camarão (R$2,40), Carne Seca (R$2,20) e o Francês (camarão, alho poró e catupiry, R$2,40). “Novos sabores só entram no cardápio depois da aprovação dos clientes. A cada dois meses checamos quais não despertaram interesse, tiramos e colocamos outros no lugar”, avisa. Essa rotatividade é conseqüência do apreço dos donos pela boa comida. Marcelo, o irmão mais velho, fez vários cursos de culinária. “Da básica à japonesa passando por churrascos e comida vegetariana”, explica. “O André assina revistas de alta gastronomia e o Rômulo fez até curso de barman. Todos nós contribuímos para a criação de novos pratos”, completa. E os freqüentadores? “Os clientes pedem mais receitas do que sugerem. Como abrimos às 10h, é comum chegar algum conhecido na hora do almoço perguntando sobre truques para tentar reproduzir em casa, mas nunca fica igual, né?”. Quando perguntado se o Bar do Adão vai seguir a linha dos botecos em rede, Marcelo foi categórico: não quer ver o padrão cair. “Vamos abrir a segunda loja porque podemos controlar tudo de perto. O nosso diferencial está nos produtos que utilizamos nas receitas. E é tudo da mais alta qualidade”, garante. Talvez esteja aí o segredo do sucesso.

Para mais informações, consulte o roteiro.

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