Quando voltei da sessão de reestreia do premiado “Beatles num céu de diamantes” no último domingo, brinquei no meu Twitter que já tinha dois títulos possíveis para uma resenha do que eu tinha acabado de ver: “Eles não entenderam nada” ou “Minha mãe vai adorar”. E, apesar de achar que as duas frases resumem bem o que achei do musical da dupla Möeller e Botelho, achei por bem me estender mais no assunto. Vai que você, beatlemaníaco, se atrai pela ideia de um musical composto exclusivamente por músicas dos fab four, resolve gastar R$ 75 como eu e meus acompanhantes (R$ 60 do ingresso e mais R$ 15 de abusivas taxas) e sai de lá, digamos, decepcionado? Não, o musical não é de todo ruim, mas também não é a maravilha que eu esperava depois de ter visto o incrível “O despertar da primavera”, montagem mais recente da dupla – vale a observação: “Beatles…” estreou em janeiro de 2008, “O despertar” é de 2009.
Antes de mais nada, que fique claro que “Beatles…” não se propõe a diálogos. São mais de 40 músicas de todas as fases dos Beatles rearranjadas de acordo com o enredo – pouco claro – criado pela dupla dinâmica dos palcos cariocas. O elenco todo – formado por dez músicos – canta muitíssimo bem: Sem desafinar, sem errar as letras ou mesmo escorregar nas pronúncias… o que pode ser um baita ponto positivo, mas que, na minha humilde opinião, não dá a ninguém o direito de jogar no lixo toda e qualquer sutileza que uma música como “Something” possa ter e transformá-la… numa música da Celine Dion. Ou seria da Mariah Carey? Sentiu o drama? Pois mentaliza “Here comes the sun” em versão bossinha de churrascaria. E “If I fell” com a vibe “um banquinho, um violão” , típica música de barzinho? Então, fizeram isso com os Beatles. E minha mãe iria adorar. Sacou?
Porém, contudo, todavia, no entanto, se momentos como estes que descrevi eram por demais constrangedores para mim – a ponto de eu querer me esconder debaixo da cadeira – outros bons números tentavam salvar o jogo, praticamente perdido: A caricata “Ob-la-di Ob-la-da” da montagem brinca com o escárnio da alta sociedade britânica em uma releitura super esperta, “Yellow submarine” ficou tão teatral quanto merecia e “Honey pie”, bem, foi respeitada e, assim como as outras amiguinhas, e teve o senso de humor bem utilizado a seu favor.
Mas aí vinha mais uma versão exagerada e eu olhava para a pobreza daqueles figurinos ripongas que mais pareciam ter sido comprados na liquidação da Balisun, ali no Saara, e percebia que eles não tinham entendido muita coisa. Ou quase nada. Afinal, se a fase hippie dos Beatles tinha durado tão pouco tempo, por que economizar tanto nas vestes dos atores/cantores? Por que não abranger todas as mudanças de estilo do quarteto de Liverpool? Porque eles acharam melhor assim, certo? Yeah (como os atores gritaram várias vezes em um atitude bem, errrr, rock’n'roll – insira aqui gesto do chifrinho com as mãos).
Se a livre adaptação da obra de uma das mais respeitadas banda de rock da história era um direito deles, o meu foi o de ter achado a parte visual do espetáculo um tanto amadora, ainda mais se comparada com o preço salgadinho do ingresso. Afinal, tão pobres quanto os figurinos eram os cenários e os recursos cênicos – tão incríveis em “O despertar…”, suspiros. Para se ter uma ideia, o ponto alto do espetáculo é uma chuva mixuruca de bolinhas de sabão. E é só. Quando eu percebi que nem os raros bons momentos iriam me salvar daquela vergonha alheia que acometeu meu eu, olhei para os lados e vi meus amigos, que me acompanharam nesta desventura, contando quantas músicas faltavam para aquela sessão de tortura ao nosso bom gosto acabar. Uma a uma, o alívio ia chegando: ainda bem que o espetáculo só durava 1h30.
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Veja bem: o espetáculo já teve mais de 150 mil espectadores e rodou o Brasil e o mundo em elogiada turnê. Ou seja, estou aqui criticando um sucesso de público – e de crítica, heh. No vídeo abaixo você vê uma compilação de vários números de “Beatles num céu de diamantes” e tira suas próprias conclusões.



Um dos médicos é Dr. Foster (Rogério Fróes), diretor da clínica. Um senhor. Anos de trabalho nas costas. O outro, Dr. Greg (Pedro Brício), o típico residente idealista. Eles divergem sobre o diagnóstico de um paciente, Christian (Rocco Pitanga) e, conforme as discussões vão se acirrando, vemos que há muito mais por trás disso do que apenas a causa médica: política, dinheiro, preconceito racial, preconceito de classes, preconceito com a situação mental do paciente, realização pessoal. Cada um defende o seu, enquanto Christian fica de um lado pro outro, sem saber qual caminho seguir.














