Archive for the 'música' Category

Playlist infinita

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No filme, até a lata velha caindo aos pedaços tem carisma

Os elementos são claros: é só pegar uma comédia romântica adolescente + um protagonista nerd + uma mocinha cool + uma cheerleader biatch que caga na cabeça do mocinho e – tcha-rã! – você vai se lembrar de zilhões de filmes que assistiu durante a vida.

Agora pega isso tudo e joga em Nova York, com direito a passeios pela cena alternativa e os inferninhos da Big Apple com trilha sonora caprichada. O nerd não é um nerd qualquer: ele é o Michael Cera (sim, o mocinho de “Juno”), toca numa banda de “queercore” (ah, os rótulos esdrúxulos) e tem mania de gravar mixtapes de coração partido (recheadas de músicas legais, obviamente!) para a tal patricinha idiota que, por sua vez, esnoba tudo isso. Sim, ela deu um pé na bunda do garoto bem no dia do aniversário do coitado!

Nesse meio tempo, a colega hiper-cool da patricinha descobre os cdzinhos caprichados, com capinha e tudo, jogados no lixo e se apaixona platonicamente pelo sujeitinho nerd. Até que eles acabam se conhecendo por acaso em uma noite que parece nunca terminar.

Adicione um show secreto da banda queridinha do momento que to-do-mun-do quer assistir,  uma dupla de  gays fofíssimos que quer salvar o nerd das trevas sociais, uma amiga bêbada que dá trabalho, um ex-namorado interesseiro, uma direção caprichada e personagens com carisma aos quilos. Pronto, taí um filme fofo, divertido, legal.

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Um nerd, dois gays e uma bateria eletrônica: The Jerk Offs

Quer saber que diabos de filme é esse? “Nick & Norah’s Infinite Playlist”, que os cinemas deixaram passar batido por aqui e foi lançado direto em DVD no começo do mês. O filme foi baseado no romance de David Levithan e Rachel Cohn e você pode ler um trechinho do livro aqui. Segundo Tati Contreiras, minha consultora oficial para literatura adolescente, o livro é excelente.

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O cartaz do filme é muito ternurinha!

Mas então…

O tal nerd é Nick O’Leary. O típico esquisitinho apaixonado pela garota mais popular do colégio. Só que ele saca de música, tem uma banda bacana e é muito, mas muito fofo. Tão fofo que suportou seis meses de chifres por estar cegamente apaixonado. Depois de muito sofrer fazendo mixtapes pedindo a ex de volta, ele acaba atraindo uma menina muito mais legal. Ah, e como eu disse lá em cima: é o Michael Cera. E Michael Cera está para os ótimos filmes adolescentes assim como Seth Rogen está para as ótimas comédias adultas.

Norah Silverberg é gente boa, é linda, acabou de passar para uma boa faculdade e, como se isso não bastasse para criar simpatia pela personagem logo de cara, ela é filha de um famoso produtor musical que comanda o lendário estúdio Electric Lady. Sim, aquele que foi construído por Jimi Hendrix e já abrigou gravações do David Bowie, Led Zeppelin, John Lennon, The Clash, Stones… pois é, ela cresceu em meio a amplificadores, guitarras e gente importante do métier, com moral suficiente para conseguir entrada liberada e regalias em qualquer lugar que ela chegue. Mesmo assim, não abusa do QI. É daquelas mocinhas que merecem torcida.

Tris é a patricinha que acha que a bunda os peitos (é, ela é americana) servem de passaporte para conseguir tudo o que ela quer e, burra, esnoba o mocinho para pegar um banana qualquer. O problema é que ela resolve ter Nick de volta depois de vê-lo com sua inimiga de colégio Norah. A partir daí, como diria o tio da Sessão da Tarde, rolam altas confusões.

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Com “infinite playlist” no título, bandas de rock e adolescentes envoltos em mixtapes, era de se esperar que a trilha sonora do filme fosse bacana, né? Pois toca The National, Modest Mouse, The Raveonettes, Chris Bell (ex-guitarrista e vocalista do Big Star, uma das preferidas da casa), os hypados Vampire Weekend e We Are Scientists e mais um monte de gente bacana.  Ahm toque do celular do Nick é “Boy’s Don’t Cry”, do Cure! No MySpace do filme, dá para ouvir só um trechinho de cada música, mas já dá para sacar o que rola.

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Trapiche Gamboa

Minha mãe pariu dois filhos: um nasceu no mesmo dia em que o Noel Rosa. Outra – no caso, eu – comemora aniversário junto com o Cartola. Ou seja, ninguém naquela casa nasceu indie. Criada em uma família que sempre ouviu Beatles e Jovem Guarda, mas que curte um Emílio Santiago, um Raça Negra e muito samba “de raiz” nos tradicionais churrascos dominicais, me acostumei a ouvir de tudo.

Ainda mais depois da adolescência vivida em uma cidadela no interior de Minas Gerais, onde opção de lazer era coisa rara e a gente era obrigado a ir a shows de cantores sertanejos e bizarrices como KLB, Kelly Key e Copacabana Beat caso quisesse se divertir. Ou seja, eu transito por qualquer lugar.

Por isso caí na pilha antiiiiga de um amigo e fui parar no samba de quarta-feira do Trapiche Gamboa. “A Liv num samba???”, posso ouvir alguns de vocês questionando. Pois voltem duas casas e releiam os parágrafos iniciais deste post. Leu? Isso explica? Pois vamos ao que interessa.

Perdão pela péssima qualidade da foto

Perdão pela péssima qualidade da foto

O Trapiche obviamente fica na Gamboa, zona portuária do Rio, considerada o berço do samba carioca, e está instalado num casarão enorme de 1867 com paredes de blocos  de pedra de mais de 70 cm de largura, vigas de pau-brasil pé direito altíssimo, piso de ladrilho hidráulico e lindos lustres. Ou seja, o lugar é encantador.

Lá, a bagunça começa cedo e termina cedo. Às 19h30 o samba tem início para acabar antes da meia noite. Perfeito para os dias de semana. O grupo encarregado pela música na última quarta era o Samba de Fato, que tocou clássicos das rodas como “Só chora quem ama”, do Nei Lopes e Wilson Moreira, “Pode Guardar as panelas”, do Paulinho da Viola e “Deixa”, do Cartola.

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Música que dá nome ao grupo que toca no Trapiche todas as quartas. O upload é cortesia de Arnaldo Branco

A cerveja – de garrafa, como não poderia deixar de ser – é Original (R$ 6, não é lá muito pechincha, é verdade), a casa serve caipirinhas feitas com as frutas default, além de frutas mais diferentinhas como pitanga ou tamarindo e outros drinques. Para beliscar, a boa são os croquetinhos de carne ao funghi com chutney de frutas da estação que são uma coisa de louco de tão gostosos (R$ 12,50 a porção com cinco) e os rolinhos de frango ao curry com molho thay de pitanga. Deliciosos, mega-apimentados e acho que o preço é o mesmo.

O clima do lugar é ótimo, mas faltou mais pés-de-valsa pra deixar o salão ainda mais bonito. Faltou molejo aos engravatados e colegas que saem do centro da cidade para curtir o happy hour ali pertinho. De resto, foi uma noite em um local atípico, mas onde eu me senti em casa.

O Trapiche Gamboa fica na Rua Sacadura Cabral, 155, na esquina com a Rua Camerino, ali na Praça Mauá. O telefone é 2516-0868 e a casa fica aberta de terça à sexta, a partir das 18h30 e no sábado a partir das 20h30.

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Nirvana, 15 anos sem Kurt Cobain e Dave Grohl

kurtcobain_nirvanaOk, o suicídio do Kurt Cobain acabou de completar 15 anos e o finado líder do Nirvana voltou a ser o assunto do momento em tudo quanto é publicação especializada e em mesas de bar. Matérias, dossiês, entrevistas antigas, todo e qualquer material relacionado ao fenômeno do Nirvana e a trágica morte do seu vocalista foi desenterrado para relembrar o que foi a banda de rock mais importante dos anos 90, a última a promover uma revolução comportamental na música.

Pena que nessa exploração toda do assunto, não se encontre uma boa entrevista com o Dave Grohl sobre o fim da banda da qual ele foi baterista. Em termos afetivos, Dave perdeu um amigo, um colega de trabalho. Mas em termos profissionais, o fim do Nirvana não significou exatamente um problema para o cara. De apagado responsável pelas baquetas – que chamava atenção pelo excelente músico que era, mas nada além disso -, Dave passou a ocupar o espaço mais nobre do palco quando montou o Foo Fighters. E taí uma coisa difícil de se ver: alguém que saiu de um projeto importantíssimo emplacar outro com sucesso logo na seqüência. Normalmente, o caminho de Dave teria sido o mesmo de Krist Novoselic. Você sabe dizer onde ele está hoje? Não? Nem eu, preciso até fazer uma consulta ao Google. Por isso mesmo, seria interessante ouvir a versão de alguém que não foi exatamente prejudicado com o fim da banda que, em teoria, o consagrou.

Com a imagem de “Mr. Nice Guy” que Dave construiu, por que não ir atrás do que ele tem a dizer sobre o fenômeno do qual ele fez parte e entender como ele enxerga toda a reviravolta que deu na vida. Quando falei isso no Twitter, muita gente argumentou que ele não gosta de falar do passado, mas soube que ele já deu depoimentos sobre o assunto e ele não parece o tipo de cara que nutre esse tipo de frescura. O Eduardo Morais, por exemplo, citou a série de documentários chamada “The Seven Ages of Rock”, produzida pela BBC. No episódio dedicado ao Nirvana, Dave fala sobre sua antiga banda. Já tá aqui na fila dos downloads, mas se alguém souber de outra matéria em que o cara tenha se pronunciado sobre o assunto, é só avisar.

Sei que é uma missão difícil para um jornalista brasileiro, mas… alguém se arriscaria?

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Mulherzice

Diz mamãe que, se eu demorasse mais cinco minutos pra nascer, ela teria tido outro menino. Pois é, por trás dessa aparência frágil e da vida de bailarina, eu sou desbocada, hiperbólica, escandalosa, tenho voz grossa, já cansei de ganhar do meu irmão nos concursos de arroto da adolescência e só fui pegar gosto por saias, maquiagens, roupas e acessórios de menina lá pelo fim dela. Hoje eu adoro uma mulherzice. A-do-ro. Tenho até uma categoria com esse nome pra arquivar os posts deste blog nessa linha. E foi essa palavra inexistente, a tal da Mulherzice, que me inspirou na hora de criar uma coletânea* de músicas para um amigo-oculto que eu nem conhecia. E por Mulherzice, pensei num tema que juntasse duas coisas que eu amo: covers e vozes femininas. O resultado ficou tão bacana, que eu resolvi deixar aqui algumas das músicas escolhidas. A coletânea inteira você baixa aqui, já tá prontinha e devidamente taggeada – com capinha e tudo – para você subir pro seu iPod. Divirta-se!

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Adele lasciva em “Last Night”, dos Strokes

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Katy Perry arrasa em “Use Your Love” (aqueeeela), do Outfields (quem?)

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Kate Nash e sua versão com sotaque brit de “Baby Love”, das Supremes

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De novo a Kate Nash. Com essa cover de “Fluorescent Adolescent” ela me fez gostar de alguma coisa do Arctic Monkeys

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Lily Allen e sua versão cool/lo-pro de “Womanizer”, da diva do meu <3 Britney Spears

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Emmy The Great homenageia os Pixies em uma versão incrível de “Where’s My Mind?”

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A produção da versão de “Betty Davis Eyes” da Leighton “Blair” Meester é meio over, mas a malvadinha de “Gossip Girl” canta bem

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Eu não gosto muito da Duffy e nem de Hot Chip, mas não é ela cantando o hit deles ficou ótimo?

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Eu já acho esse tecladinho do Au Revoir Simone o máximo, nessa versão de Bowie, então…

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Os fofinhos do Magic Numbers encontram a gostosona da Beyoncé e sai isso aqui. Ah, tem homem no meio? E quem se importa?

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Outra roubadinha pro lado masculino, mas o coro me redime: Polyphonic Spree meets Nirvana em “Lithium”

* Agradecimentos ao Felipe Venetiglio pela ajuda com as músicas.

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Para ler também:

:: Seen on TV

:: Fashion Rio / Inverno 2009

:: Emmy The Great: sim, ela é ótima

:: Clap your hands if you want some more

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I’ve got a pocket full of pretty green

“Eu não vou vender nada que eu não usaria” – Liam Gallagher

É com essa mensagem simpática que Liam Gallagher, o já não tão jovem líder do Oasis, recebe os visitantes do site de sua grife. É, grife. Agora além de cantar com as mãos para trás, ele também “faz” e vende roupas.

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O nome? Pretty Green, título de música do The Jam, cujo líder, Paul Weller*, é ídolo, inspiração e amigo dos mal-afamados caras de Manchester. O motivo? Ora, Liam quer compartilhar com homens do mundo inteiro o seu estilo.

Tá achando que é brincadeira? Então se liga na declaração: “roupas e música são minhas paixões. Eu não estou aqui para imitar ninguém e nem pelo dinheiro. Estou fazendo isso porque é difícil achar esse tipo de roupa por aí e são roupas que eu usaria”. Nada mau para um cantor que se veste bem, definido pela própria equipe como o “frontman mais icônico da nossa geração”.

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Pois é, as roupas da Pretty Green terão edição limitada, mas a linha é extensa. Segundo eles, vai ter de sapato a trench coats, passando por jeans, camisetas, chapéus e os marcantes lenços que o vaidoso frontman do Oasis não tira do pescoço. Tudo com aquele jeito mod-moderninho que Liam adora desfilar por aí.

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No site tem fotos do Liam e da futura coleção: http://migre.me/jDH

Quer ver o próprio falando sobre o novo empreendimento? Dá uma olhada no vídeo abaixo! Só não garanto a total compreensão do inglês mais enrolado de toda a grã-bretanha.

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No site da marca, Liam ainda mantém um canal aberto com os fãs. Quem se cadastra na Pretty Green pode mandar perguntas que ele responde através de vídeos! Quer mais? Pois depois que o Noel criou um blog, seu irmãozinho aderiu ao Twitter para falar sobre a marca, a turnê da banda e até sobre coisas pessoais como disfunções intestinais. Ah, claro, ele assina todos os twits com suas iniciais, uma coisa bem @vitorfasano, sabe?

Além do site e do Twitter, a Pretty Green tem página no Facebook e no MySpace. Cool.

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Tudo bem que a música que deu nome à marca se refere a d.i.n.h.e.i.r.o, mas como rico o Liam já está há pelo menos 15 anos, parte do que for arrecadado com as vendas vai ser destinado a instituições de caridade. Fofo.

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prettygreen_3* Por falar no líder do Jam… no mês passado, o Oasis lançou encartado no jornal britânico The Times o disco ao vivo “The Dreams We Have As Children”, com versões acústicas gravadas ao vivo pelo Noel acompanhado do colega guitarrista Gem Archer e com participação de Paul Weller. Entre as faixas, “Fade Away” (de onde saiu o verso que batiza a coletânea), “Half the World Away”, “Sad Song”, “Wonderwall” (na versão do Ryan Adams!) e covers de “All You Need is Love”, de vocês sabem quem, “There’s a Light That Never Goes Out”, dos Smiths e “The Butterfly Collector”, do próprio Jam.

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E o show? Vocês vão? :)

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Para ler também:

:: Noel is Blogging

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O importante é que emoções eu vivi

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Registros do querido Vitor Leite, que estava perto do local onde fiquei

Os comentários começaram baixinho, com a notícia se espalhando feito um telefone sem fio, com muito amor e carinho. Amigos que estiveram no ensaio na semana anterior proclamaram que a boa deste carnaval seria a estréia* do Exalta Rei, bloco que prometia desfilar pelas ruas da Urca uma homenagem a Roberto Carlos e sua obra em ritmo de ziriguidum.

De repente, como as ondas do mar, só se falava que o bloco de segunda era papo firme. O problema eram os horários conflitantes das informações que vinham de todos os lados: a imprensa anunciava o cair da tarde, o povo repassava pelo boca a boca que o Exalta Rei se concentraria às 15h. Por via das dúvidas, vesti a roupa de marinheira, meu bem, peguei minha rosa de pelúcia e esperei mais notícias sobre a saída. De última hora, confirmou-se o rumor popular e quem rumou para a Urca fui eu, seguida por amigos, namoradinhas de amigos meus, conhecidos que mais e mais iam abarrotando a estreita rua da mureta.

O relógio marcou as 15h, mas nada do bloco aparecer. O novo motivo de boataria era o local da saída. Uns diziam que ia, outros diziam que vinha. Só sei que segui o som e às três e tanta peguei a bateria – mínima – começando a ensaiar umas canções que Ele fez para nós e, confesso, deu medo. O pessoal parecia meio perdido com a meia dúzia de músicas que tocavam – Jesus Cristo, Caminhoneiro, Amigo, Nossa Senhora, Eu Sou Terrível - e o mestre (ou seja lá o que fosse aquele cara) resolveu tirar todo mundo do esconderijo já não tão secreto porque todos já estavam chegando atrás da folia, seguindo o som que vazava.

Temendo o fiasco, já fula da vida com a desorganização e o atraso, parei num bar pra esperar a banda passar (ops, esse é outro!) e, uma boa meia hora depois das 16h, o Exalta Rei desceu a ladeira tal qual uma força estranha, arrastando quem estava no caminho – e tinha muuuuita gente – rumo à casa do Rei. Gente jovem reunida que se acostumou a ouvir Roberto Carlos desde o comecinho da vida, lembranças dos pais que cultuavam o Rei desde a época em que ele tinha um calhambeque. O número de músicas diminuiu, o som ganhou força com o coro desafinado e embromador da multidão que não sabia as letras – me incluam nessa. Alguém aí sabe cantar Todos Estão Surdos? – e a bateria fez o recuo em frente a casa de Roberto Carlos para mostrarmos como é grande nosso amor por ele.

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Crente que o Rei vivia em um palácio, só acreditei que ali era sua morada depois que os funcionários da mansão real apareceram na varanda e ele acenou para a plebe que àquela altura já não cantava mais nada, só urrava de alegria. O problema é que, mulher pequena que sou, não consegui ver a primeira aparição.

Até que Roberto Carlos, o próprio, em pessoa, vestindo seu tradicional traje azul e branco, surpreendeu a todos, mostrou que sabe brincar e desceu para o play para encarar seus súditos mais de perto, agradecer o carinho desafinado, segurar o estandarte e arriscar uma sambadinha.

Em volta, muita gente emocionada, mas tão emocionada, que o bloco deu aquela dispersada. Alguns seguiram em frente, além do horizonte, mas achei melhor parar. Para que seguir em frente se tantos momentos bonitos já tinham acontecido? Voltamos para ligar para nossos pais – e mamãe sabendo de minhas lágrimas nos olhos ficou toda emocionada – comentar as recordações com os amigos e nos recuperar do choque.

Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Sim, porque no próximo ano a Urca vai ser pequena para tanta gente que vai aparecer atrás do belo momento que vivemos naquela jovem tarde de segunda.

* Com acento porque este blog é apegado à velha ortografia e só vai abandoná-la quando sua editoria for ameaçada de prisão por desrespeitar as regras.

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Rafael Silveira, seu pop surreal e outras crocâncias

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Boa notícia: lembram de quando falei da exposição do ilustrador Rafael Silveira no Rio? Pois é, eu fui, conferi, me encantei com o trabalho do mocinho de Curitiba e levei para casa o livro “Mulheres, Chapéus Voadores e Outras Coisas Legais”, esse da imagem que vem em uma caixinha com uma pin-up inflável. A boa nova é que, nesta segunda-feira, Rafael volta à cidade chuvosa maravilhosa para lançar seu mais novo livro: “Pop Surreal”, com a sua visão sobre o céu e o inferno.

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estandarteO livro traz as incríveis ilustrações feitas por Rafael para o disco “Estandarte”, do Skank, obras inéditas e outras feitas para exposições em Miami e por aqui. Em tiragem limitada de 500 exemplares, “Pop Surreal” vem dentro de uma caixa que emula uma embalagem de disco vinil com comentários do artista sobre a sua obra.

Rafael vai autografar o livro e expor gravuras e prints na La Cucaracha, em Ipanema, segunda-feira, a partir das 20h. O evento também vai ter coquetel e discotecagem. Vai perder?

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Aproveitando o clima de agenda, neste sábado – também conhecido por amanhã – rola bazar de natal no Atelier Zellig, em Botafogo. Expondo e vendendo a preços camaradas estão marcas D!versa e suas roupas que se transformam em outras roupas, a moda feminina de Flávia Mello, os calçados e acessórios da Taoolee, as ótimas camisetas da Tozco e, claro, os acessórios de vestuário, moda e cozinha das anfitriãs da Zellig.

Além do bazar, vai rolar um som e a primeira caipirinha é presente de Papai Noel e você ainda pode escolher o sabor. O Atelier Zellig fica na Rua Álvaro Ramos, 535/202 e o evento rola das 14h às 21h. Mais informações você consegue pelo telefone 2244-1250.

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Só pra lembrar: amanhã tem a Beijomeliga dos DJs Carlão e Miza de novo em Botafogo (Rua Paulino Fernandes, 13), a partir das 23h. Dá pra esticar depois do bazar e a entrada sai por R$ 15 com a Bettie Page aí de baixo impressa ou com o nome na lista. Tá a fim de rock e eletrônico? Então cola lá.

Beijomeliga!

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