(ATENÇÃO: as palavras abaixo foram escritas em 29 de abril de 2009)
Não adianta: mesmo com uma fila imensa de livros pra ler, os do Nick Hornby sempre serão passados pra frente. Até parece que eu só leio isso, mas com a escassez de tempo livre da vida moderna, temos que estabelecer prioridades.
“Frenesi Polissilábico: o diário de um autor que perde as estribeiras, mas nunca perde a esperança”
Sei que muita gente torce o nariz pro trabalho do cara pós-“Alta Fidelidade”, mas tendo sempre a achar que é má vontade. Até porque não gostei tanto assim do hit dele. Quer dizer, gostei muito, mas na mesma época li “Nirvana Nunca Mais”, do americano Mark Lindquist, e gostei bem mais. O porquê da comparação? Bom, digamos que o “Nirvana Nunca Mais” é tipo o “Alta Fidelidade”, só que o cenário é Seattle e a época é a do nascimento do grunge. Tudo bem que esse ranking está – e muito – influenciado pelo momento em que li os dois. E lá se vão sete anos.
A vantagem de poder mandar na lata essas impressões comparativas o próprio Nick me mostrou em “Frenesi Polissilábico”: assim como todos os mortais, ele dificilmente relembra de um livro que leu há muito tempo. Sabe aquela situação em que a gente recomenda fortemente um livro que amou pra um amigo e quando ele pergunta por que da indicação a gente SIMPLESMENTE não consegue enumerar motivos tirados da trama? Pois é, acontece com todo mundo, até com o Nick Hornby.
(Flashforward para os dias de hoje)
“Frenesi Polissilábico” é a compilação das colunas que Hornby publica mensalmente na revista inglesa “Believer” e as colunas são justamente sobre literatura. Não só sobre o conteúdo dos livros comprados e lidos – que Hornby lista todo santo mês no topo de cada texto – mas sobre o ato de ler. Na maioria das páginas, o autor discorre sobre sua relação com os livros, o que o faz gostar de um, não gostar de outro, querer acabar um terceiro logo, seja para se livrar ou porque a história está incrível.
Uma das coisas que mais me chamaram atenção nos escritos de Hornby é o destaque que ele dá ao momento em que você está lendo um livro e como isso influencia diretamente na leitura. Comecei a ler o “Frenesi Polissilábico” na viagem para o Recife que fiz em maio. O que deveria ser um fim de semana prolongado de diversão com meus queridos amigos pernambucanos virou um doloroso pesadelo ao descobrir, lá, que eu estava com uma infecção renal que me tirou do ar por 20 dias e me deixou em um hospital para tratamento.
Cheguei a levar comigo o “Frenesi” pro quarto, mas não toquei nele uma vez sequer durante os sete dias em que fiquei internada. Quer dizer, cheguei a pegar o livro para ler, mas não conseguia, peguei nojinho, largava para lá. Meses depois, já recuperada da doença e – principalmente – do susto que é ficar doente fora de casa, retomei a leitura e comecei a rir. Lembrei que Nick batia repetidamente na tecla de que o momento pelo qual o leitor está passando interfere diretamente nas impressões que ele tira de um livro. Ironicamente - ou não -, eu tinha confirmado essa teoria justamente lendo o “Frenesi”. Por isso mesmo este post só saiu agora, que eu finalmente consegui encontrar um momento melhor para dedicar ao meu autor favorito.
Isto posto, só posso dizer que nas duas fases em que li o “Frenesi” achei o livro divertidíssimo. Tanto que várias passagens engraçadas foram devidamente sublinhadas, marcadas, apontadas. Tudo a caneta, sem dó e, muito menos, piedade. Porque eu não desfaço dos meus livros, ao menos não dos bons, e por isso mesmo não vejo o menor mal em rabiscar as páginas e fazer anotações neles. São meus, eu cuido deles, eu faço com eles o que eu quiser, hmpf (sim, o Nick Hornby também comenta esse tópico). Ah, sim, e com as indicações e contra-indicações, minha listinha de leitura aumentou consideravelmente. E o foda de as indicações virem do seu escritor favorito, é que não dá nem para ignorar ou fingir que não valem a pena, método que ele mesmo ensinou: “já estou por aqui de livros para ler, de forma que minha primeira reação quando alguém sugere que eu leia algo é descobrir um jeito de duvidar de suas credenciais”. É, não deu.
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E por favor, pelo amor de Deus, parem de fazer pouco caso daqueles que estão lendo e curtindo um livro – O código Da Vinci, por exemplo. Para início de conversa, ninguém sabe que tipo de esforço isso representa para o leitor. Pode ser o primeiro romance adulto que a pessoa esteja lendo na íntegra; pode ser o livro que finalmente revele o propósito e a alegria de ler para alguém que até então estava confuso pela atração que os livros exercem sobre os outros. E, de qualquer forma, ler por diversão é o que todos nós deveríamos fazer. Não quero dizer que todos deveríamos estar lendo romances água-com-açúcar ou suspenses baratos (embora, caso seja essa a sua praia, por mim tudo bem, pois vou lhe contar um segredo: nada de mau lhe acontecerá se você não ler os clássicos ou os romances que ganharam o Booker Prize deste ano; e, mais importante, nada de bom lhe acontecerá caso você os leia); estou simplesmente dizendo que virar páginas não deve ser como caminhar num pântano com lama até a cintura. Os livros são para ser lidos, e se você achar que não dá pé, provavelmente a culpa não é da sua incapacidade: às vezes, os “bons” livros podem ser bem ruinzinhos”
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Isso era para ser novidade quando comecei a escrever este post, mas ainda tá valendo: aí embaixo a capa de “Juliet Naked”, novo livro do careca inglês. O livro foi lançado lá fora no último dia 4 e eu já tô aqui contando os dias pra botar minhas mãozinhas sobre ele. Mais um livro do Nick Hornby para furar fila na lista de leituras. Típico…
UPDATE: O Lucio Ribeiro traduziu e publicou o trecho inicial do livro, clica pra ler.
