Ela já deve ter nascido falando…

livFalastrona, fala tanto e arruma tanta coisa para falar que muitas vezes acelera demais e tropeça nas próprias palavras, sai tudo enrolado e ninguém entende. Achou engraçado quando sua fonoaudióloga disse que a língua dela não cabia na boca – literalmente – e acha que isso pode explicar tudo, ou quase. Fala rápido – da mesóclise ao palavrão – porque pensa rápido, tudoaomesmotempoagora, mas acha difícil que seu cérebro seja capaz de acompanhar a velocidade de sua boca. Ou seja, merece ir para o Guiness Book por isso.

Detalhista, repara em cada ponto. Quando ela diz que não se lembra de você porque não é boa fisionomista, é mentira. Ela simplesmente não parou para reparar na sua pessoa. Se tivesse te olhado, ela saberia. E lembraria da ocasião, da roupa que você estava usando, da roupa que ela própria usava, quem estava presente no recinto e, se tivesse trilha sonora, até da música que estava tocando. Esse aspecto se deve também a uma memória googleana que não a deixa esquecer de datas especiais. Se seu aniversário for hoje e ela ainda não te deu os parabéns, é porque não viu que dia é. Porque ela lembra. Não subestime a memória dessa menina, a qualquer hora no meio de uma conversa ela pode usar um fato do passado como trunfo e nem sempre isso é bom. A cabeça dela só falha na hora de precisar se sua primeira lembrança é de sua festa de três anos ou a do Coringa despencando de um lugar muito alto em um filme do Batman.

Esquisitinha, sabe que fala engraçado, tem um andar estranho, feições pouco comuns e aprendeu a não se importar com isso depois de tantos anos de terapia de choque em ônibus escolar (é, crianças são cruéis…). Não se acha bonita, mas sabe que é gente boa e que se tem tantas pessoas especiais em volta dela, é porque algum valor deve ter. Para ela, não ser bonita não é um problema, porque aprendeu a desenvolver outros aspectos de sua personalidade para cativar os outros (hah!). Leu “O Pequeno Príncipe” e acha que aprendeu a não ter papas na língua depois do primeiro “é a mãe!” replicado a um “sua feiosa!”. Foi esse o exato momento em que ela aprendeu a comprar briga e hoje em dia se controla para não se meter em confusão por causa da língua grande e também ferina.

Sincera, geralmente trata os outros como é tratada. Quer sempre saber da verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade. Odeia quem diz que odeia falsidade, mas também não gosta disso, não. Para deixá-la puta da vida basta fazê-la de idiota, aí o bicho pega. O problema não é fazer e sim ela ser a última saber, se isso acontecer, pode apostar que o sangue italiano que corre em suas veias ferverá. E muito.

Bem humorada, em 90% do seu tempo está sorrindo. Ela sorri até quando chora, experimenta fazer alguma piadinha para ver como alguém consegue rir e chorar ao mesmo tempo. Ela deve ter sido uma hiena – aquele animal que come merda, faz sexo uma vez por ano e vive gargalhando – em outra encarnação. Tem a consciência que a vida não é feita só de altos ou só de baixos e que para tudo existe uma compensação. É agarrada nessa teoria que ela segue a vida. E segue bem.

Neurótica, não deixa nada mal resolvido. Quer tudo em seu lugar e aquilo que não está tem que ser explicado nos mínimos detalhes. A primeira coisa que ela deve ter falado – logo ao nascer – deve ter sido “por quê?“. Pergunta sobre tudo e não sossega enquanto não entende o que ocorre à sua volta. Se ela não entender, vai te torcer até espremer de você a explicação mais plausível. Ah, é, ela sabe ser chata a ponto de vencer os outros pelo cansaço, é bem difícil derrubá-la no argumento. Geralmente, não entra em campo pra perder, se ela calçou as chuteiras é porque sabe que vai tirar um bom proveito da partida.

Botafoguense, gosta de preto e branco e quer vir zebra na próxima encarnação. Se não der, ser homem já tá valendo. Só a possibilidade de não ter que enfrentar banheiro sujo para satisfazer suas necessidades fisiológicas e não menstruar é libertadora.

Libriana, apesar disso também consegue romper com o habitual equilíbrio e ser muito 8 ou 80. Deve ser reflexo da tal sinceridade. Se ela gosta, gosta. Se não gosta, não gosta. Nada de meias palavras ou enrolação, com ela eufemismo não tem vez. Você pode até se machucar na hora, mas quando perceber que ela podia ter te cozinhado em banho maria com um palito de fósforo e não o fez, você vai entender que os motivos dela até que são nobres.

Apaixonada, quando gosta de uma coisa se dedica a ela até o fim. Se o mergulho não foi de cabeça, talvez ela não estivesse tão interessada assim. Acha que o tesão move o mundo e não só o sexual (ele também) mas o tesão pela vida, pelos amigos, pela faculdade, pela música, pela dança, por qualquer outra coisa que ela goste. Como todo perfeccionista, se tem que fazer, faz bem feito e não sossega enquanto não achar que está bom o suficiente. Qual é a medida do suficiente ela ainda não descobriu.

Carinhosa, sabe ser chiclete, mas só faz isso quando as pessoas correspondem. E quando ela tá com vontade, claro. Fala como criança, cria apelidinhos, cozinha coisas legais, escreve bilhetinhos bobos e tenta de tudo para agradar quem ela gosta. Na hora de dar presentes, sofre se não consegue bolar nada criativo. Faz questão de dizer que ama a quem é de direito, teme que alguém duvide disso ou ela pode ficar doente com uma desconfiança dessas. Claro que ela pode ser agressiva também, sua paciência tibetana nem sempre é inesgotável e quando alguém lhe torra o saco, é direta e reta.

Pretensiosa, escreveu em 3ª pessoa essa história ainda sem fim, pois sempre invejou essa capacidade narrativa dos jogadores de futebol.

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