Que fique claro: este não é um filme para corações partidos. É um filme que já se passou na vida de todo mundo, aquele papo de encontrar a pessoa perfeita, viver momentos perfeitos com ela e mesmo assim ela dispensar toda aquela perfeição. Podia ser eu, podia ser você, um irmão, a melhor amiga, a prima da vizinha da sua tia. Acontece. Mas se você tiver tomado um pé na bunda recentemente e ainda estiver inconformado com isso, aviso logo que a verdade vai doer em você.
Pois então, o filme. Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) é um menino apaixonado, desses que passa a vida sonhando com o grande amor. Summer Finn (Zooey Deschanel, a irmã do menininho do “Quase famosos”) é uma menina linda – linda, linda, linda – e desencanada que não está muito preocupada com essas coisas. Eles se conhecem, eles ficam juntos e, como diz o cartaz do filme, “ele se apaixona, ela não”. Só que essa história banal é temperada por um corte esperto que vai e volta no tempo mostrando os altos e baixos da relação – que, duh, dura 500 dias – e cenas de viagem na maionese total, daquelas em que o mocinho sonha – mesmo! – acordado.
O filme é temperado também, claro, por uma trilha sonora deliciosa, cheia de pérolas pop. Não por acaso o diretor, o estreante em longas-metragens Marc Webb, começou na carreira de fazedor de vídeos se jogando justamente nos videoclipes. Tudo bem que ele se rendeu ao emo e ao pop duvidoso (pagando bem, que mal tem?), mas na filmografia do cara consta “Perfect situation”, do Weezer e o maravilhoso vídeo de “Fidelity” da Regina Spektor. A russa, por sinal, foi parar na trilha sonora do filme com duas canções: “Us” e “Hero”.
Quero ver alguém não abrir um sorriso com a citação a Belle & Sebastian cujas vendas a arrasa-quarteirão Summer alavancou depois de citar um trecho de “The boy with arab strap” no livro do colégio. Tem também aquele Smiths conciliador, aquela delicadeza de Feist e Carla Bruni, músicas que dialogam com as situações e ajudam a fazer de “(500) days of Summer” o filme pop do ano.
Isso sem contar as cenas de karaokê que deixam qualquer “Encontros e desencontros” no chinelo (oke, eu assumo, não gosto do filme da Sofia Coppola. Aliás, não gosto dos filmes dela), de tão divertidas que são. Só a versão de “Here comes your man” cantada etilicamente pelo mocinho Tom que fica a dever – e muito, eu não deveria nem comparar – à gravação que faz parte do CD da trilha. A versão da música do Pixies cantada por Meaghan Smith (favor anotar este nome, grata) é mais apaixonante que qualquer protagonista branquela de cabelos escuros e olhos azuis.
As referências bacanudas do filme não param por aí: de Ringo Starr a “American Idol”, de “Super Vicky” à capa de “Unknow pleasures”, do Joy Division, estampada numa camiseta, de Bruce Springsteen a Sid & Nancy. É tanto detalhe pra reparar que dá pra brincar de “onde está o Wally?” o filme inteiro. E pode confessar que você gosta disso que eu deixo. Aliás, só eu notei a citação a “10 coisas que eu odeio em você”? Sim, você conhece o Tom de algum lugar, ele era o Cameron do filme que te fez chorar na adolescência. Quero só ver se ele vai te fazer chorar agora.
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Fui assistir a sessão de estreia do filme no Festival do Rio, com a presença do diretor. Além do esforço da galera presente em mostrar que tava curtindo, reparei que as legendas apresentadas na première estragaram metade das piadas. Assim como o título em português. O filme tem sessões até a próxima segunda no Rio e estreia em circuito nacional em novembro.







































