Monthly Archive for September, 2009

(500) days of Summer

500daysQue fique claro: este não é um filme para corações partidos. É um filme que já se passou na vida de todo mundo, aquele papo de encontrar a pessoa perfeita, viver momentos perfeitos com ela e mesmo assim ela dispensar toda aquela perfeição. Podia ser eu, podia ser você, um irmão, a melhor amiga, a prima da vizinha da sua tia. Acontece. Mas se você tiver tomado um pé na bunda recentemente e ainda estiver inconformado com isso, aviso logo que a verdade vai doer em você.

Pois então, o filme. Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) é um menino apaixonado, desses que passa a vida sonhando com o grande amor. Summer Finn (Zooey Deschanel, a irmã do menininho do “Quase famosos”) é uma menina linda – linda, linda, linda – e desencanada que não está muito preocupada com essas coisas. Eles se conhecem, eles ficam juntos e, como diz o cartaz do filme, “ele se apaixona, ela não”. Só que essa história banal é temperada por um corte esperto que vai e volta no tempo mostrando os altos e baixos da relação – que, duh, dura 500 dias – e cenas de viagem na maionese total, daquelas em que o mocinho sonha – mesmo! – acordado.

O filme é temperado também, claro, por uma trilha sonora deliciosa, cheia de pérolas pop. Não por acaso o diretor, o estreante em longas-metragens Marc Webb, começou na carreira de fazedor de vídeos se jogando justamente nos videoclipes. Tudo bem que ele se rendeu ao emo e ao pop duvidoso (pagando bem, que mal tem?), mas na filmografia do cara consta “Perfect situation”, do Weezer e o maravilhoso vídeo de “Fidelity” da Regina Spektor. A russa, por sinal, foi parar na trilha sonora do filme com duas canções: “Us” e “Hero”.

Quero ver alguém não abrir um sorriso com a citação a Belle & Sebastian cujas vendas a arrasa-quarteirão Summer alavancou depois de citar um trecho de “The boy with arab strap” no livro do colégio. Tem também aquele Smiths conciliador,  aquela delicadeza de Feist e Carla Bruni, músicas que dialogam com as situações e ajudam a fazer de “(500) days of Summer” o filme pop do ano.

Isso sem contar as cenas de karaokê que deixam qualquer “Encontros e desencontros” no chinelo (oke, eu assumo, não gosto do filme da Sofia Coppola. Aliás, não gosto dos filmes dela), de tão divertidas que são. Só a versão de “Here comes your man” cantada etilicamente pelo mocinho Tom que fica a dever – e muito, eu não deveria nem comparar – à gravação que faz parte do CD da trilha. A versão da música do Pixies cantada por Meaghan Smith (favor anotar este nome, grata) é mais apaixonante que qualquer protagonista branquela de cabelos escuros e olhos azuis.

As referências bacanudas do filme não param por aí: de Ringo Starr a “American Idol”, de “Super Vicky” à capa de “Unknow pleasures”, do Joy Division, estampada numa camiseta, de Bruce Springsteen a Sid & Nancy. É tanto detalhe pra reparar que dá pra brincar de “onde está o Wally?” o filme inteiro. E pode confessar que você gosta disso que eu deixo. Aliás, só eu notei a citação a “10 coisas que eu odeio em você”? Sim, você conhece o Tom de algum lugar, ele era o Cameron do filme que te fez chorar na adolescência. Quero só ver se ele vai te fazer chorar agora.

YouTube Preview Image

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Fui assistir a sessão de estreia do filme no Festival do Rio, com a presença do diretor. Além do esforço da galera presente em mostrar que tava curtindo, reparei que as legendas apresentadas na première estragaram metade das piadas. Assim como o título em português. O filme tem sessões até a próxima segunda no Rio e estreia em circuito nacional em novembro.

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Adoro caderninhos!

Em fevereiro fiz um post falando sobre várias marcas de caderninhos similares ao Moleskine e voltei a essa fase de “louca do caderninho” – da qual nunca larguei, não vivo sem os meus na bolsa – graças a três (gratas) surpresas.

A primeira foi o lookbook da coleção de verão da Farm, projetinho super bacana da marca carioca que estava rolando há vários meses. Fui convidada para colaborar com aquele pequeno guia para cariocas perdidos em São Paulo e aceitei com muita honra, afinal, estava do lado de meninas bacaníssimas como a Fê Resende, do Oficina de Estilo. Teeeempos depois, finalmente o lookbook ficou pronto e o meu chegou aqui em casa essa semana.

farmlook

Baita orgulho ter participado. O caderninho tem o cheiro característico das roupas da Farm, a capa vem forrada de tecido com uma das cobiçadas estampas da loja e com a florzinha símbolo da marca em metal dourado. O marcador de página é uma fitinha como as do Senhor do Bonfim e o conteúdo, ah, o conteúdo. Várias dicas de moda, de beleza, de viagem  (\o/), dicas para viver a vida mais leve. Uma delícia. No final, páginas em branco para cada uma das meninas que recebeu o mimo contar a sua própria história. Se você recebeu o seu, dá lá uma olhada na página de agradecimentos e acha meu nome! :)

A segunda surpresa foi uma caixa que o pessoal da Cícero Papelaria mandou entregar aqui. Dentro dela, que pesava horrores, 23 modelos diferentes da linha de cadernos e blocos. Tinha com pauta, sem pauta, quadriculado, bloco, cadernão, caderninho, brochura, espiral, capa mole, capa dura. Tinha de tudo, de tudo quanto é cor. Papo de ficar boquiaberta com tamanha gentileza. Como eu disse meses atrás, conheci a Cícero logo que eles chegaram ao mercado e acompanhei a evolução da linha, principalmente na qualidade do acabamento dos caderninhos.

cicerocadernos

A terceira surpresa relacionada aos cadernos fica pra depois. Só digo logo pra vocês prepararem suas câmeras e colocarem a criatividade em prática, porque o tal caderninho veio anunciar uma promoção muito bacana para os leitores do Go to Heaven. Segura que já já tem novidade.

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Ronaldo Lemos na Casa do Saber

laptop_casadosaber

O meu Twitter e o Ronaldo Lemos, foto do @bigdigo

Eu e minhas promessas… mas eu juro que esse blog não vai virar um Vale a Pena ver De Novo da minha vida (saca a aliteração), mas essa tem que ser compartilhada.

Fui convidada pelo Beto Largman pra fazer a cobertura via Twitter de uma das palestras do ciclo “Tecnologia: um manual para os novos tempos” que ele organizou na Casa do Saber. E ele me incumbiu de twittar justamente a palestra do Ronaldo Lemos (que avisou que nunca teve Twitter!), diretor do Creative Commons no Brasil e um dos criadores do Overmundo. Coincidentemente, também o cara que escreveu parte da bibliografia usada na amada monografia que me garantiu o diploma de Jornalismo.

Na época em que eu estava às voltas com o Cultura Livre, de Lawrence Lessig, e todo aquele papo sobre direito autoral na era digital por causa do meu objeto de estudo (o lançamento do álbum “In rainbows”, do Radiohead, pela internet – falo mais sobre isso no fim do post), cheguei a conversar com o Ronaldo pra marcar uma entrevista, mas a agenda dele é tão complicada – e a minha também ficou uma loucura com os mil trabalhos e minha passagem pelo hospital – que o papo nunca rolou. Por isso, a oportunidade de estar cara a cara com o Ronaldo falando sobre um assunto que estudei com tanto carinho foi incrível.

Foram tantos replies, retwitts, perguntas e incentivos que resolvi compilar tudo o que enviei para o microblog durante a palestra para que o material – riquíssimo – não se perdesse na minha timeline. Aproveitei para desenvolver mais alguns tópicos, o que não deu pra fazer em 140 caracteres, para dar uma dimensão maior de tudo o que o Ronaldo falou. Foram mais de 90 twitts em duas horas – e mais de 200 replies e retwitts -, devo ter enchido o saco de muita gente, mas outras tantas se mostraram muito interessadas pelo assunto. Então vamos ao que interessa.

O ENCONTRO

OS DESAFIOS DA PRODUÇÃO CULTURAL NA ERA DIGITAL
Este encontro irá apresentar as transformações na produção da cultura, da informação e do conhecimento nos últimos anos e como as tecnologias têm sido apropriadas pelas periferias com resultados cada vez mais surpreendentes. A conversa abrangerá ainda temas como a crise/reinvenção das mídias tradicionais, a dicotomia entre a internet colaborativa e a necessidade de geração de receitas, os problemas inerentes a direitos autorais, licenciamento através de Creative Commons, os novos modelos de negócio, o impacto cultural das “lan-houses” na produção cultural e a sociabilidade das populações jovens.

(O post ficou GIGANTESCO, clica aí embaixo pra ler tudo!)

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Bienal do Livro

Minha vida tem sido uma correria extrema. Eu sei, eu sei, eu sempre dou essa desculpa, mas o motivo é nobre: passei os últimos quatro dias correndo – literalmente, ou quase, acho que “andando rápido” é mais adequado – pelo Riocentro para fazer a cobertura da Bienal do Livro lá para o Prosa & Verso. E foi uma delícia. Já tinha trabalhado nos bastidores do evento em 2007 e visitado a feira em 2005 e 2003, então a afinidade ajudou.

Como o evento segue com programação intensa até o próximo domingo, achei por bem indicar em um momento self-jabá algumas das matérias que a equipe do O Globo fez, a maioria com dicas bem bacanas pra aproveitar o melhor – e fugir do pior – do Riocentro, além da cobertura das mesas que conferimos. Como eu sou muito gente boa e tô em falta com o pequeno – mas muito valioso e fiel – público deste blog, ainda dividi tudo organizadinho pra você se virar bem pelos links e fazer seu roteiro.

Programação cultural

# Trio de jovens escritores fecha o primeiro dia de Bienal

# Dash Shaw, Gabriel Bá, Fábio Moon e muitos fãs de HQs

# Multidão de adolescentes obriga Meg Cabot a fazer hora extra

# Mulher e Ponto: espaço aberto para discutir (muitas) relações

# Conversa de comadres inaugura espaço Mulher e Ponto

# Floresta que encanta crianças e adultos

# Meg Cabot autografa seus livros na Bienal

# Em meio a popstars, Cornwell atrai leitores fiéis

# Bienal: quem passou pelo primeiro dia

Autores

# Allan Sieber lança suas ‘quase-verdades’ na Bienal do Livro

# Os estandes de uma pessoa só

Leituras

# Bruno Gagliasso e Lilia Cabral agitam o Pavilhão Azul

# Tony Ramos e Paulo José leem Mário de Andrade

# Mateus Nachtergaele lê Graciliano Ramos e se emociona

Serviço

# Para comer na Bienal do Livro

# De Ziraldo a livros de arte, Bienal oferece bons preços

# Site Estante Virtual promove trocas reais no Riocentro

# Um balanço dos primeiros dias de Bienal do Livro

# Bienal do Livro: serviço completo

# Bienal do Livro: programação completa

# Bienal 2009 investe mais na programação cultural

# Bienal homenageia o editor José Olympio

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Durante minhas andanças, fiz vários registros de imagens bacanas com o celular. Várias delas eu postei no Twitpic, outras tantas são inéditas, dá uma olhada no álbum:

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Bancando a descolé

Nem avisei aqui porque eu tô lerda, sem tempo e sem fôlego, mas semanas atrás eu dei uma entrevistinha para a Flávia Durante para a seção “Fica a dica”, do portal Vírgula. Falei um pouco sobre as coisas que mais curto fazer nessa cidade caótica, mais ou menos o que faço neste abandonado blog quando ele não está, errr, abandonado. Se liga.

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Frenesi polissilábico

(ATENÇÃO: as palavras abaixo foram escritas em 29 de abril de 2009)

Não adianta: mesmo com uma fila imensa de livros pra ler, os do Nick Hornby sempre serão passados pra frente. Até parece que eu só leio isso, mas com a escassez de tempo livre da vida moderna, temos que estabelecer prioridades.

“Frenesi Polissilábico: o diário de um autor que perde as estribeiras, mas nunca perde a esperança”

Sei que muita gente torce o nariz pro trabalho do cara pós-“Alta Fidelidade”, mas tendo sempre a achar que é má vontade. Até porque não gostei tanto assim do hit dele. Quer dizer, gostei muito, mas na mesma época li “Nirvana Nunca Mais”, do americano Mark Lindquist, e gostei bem mais. O porquê da comparação? Bom, digamos que o “Nirvana Nunca Mais” é tipo o “Alta Fidelidade”, só que o cenário é Seattle e a época é a do nascimento do grunge. Tudo bem que esse ranking está – e muito – influenciado pelo momento em que li os dois. E lá se vão sete anos.

A vantagem de poder mandar na lata essas impressões comparativas o próprio Nick me mostrou em “Frenesi Polissilábico”: assim como todos os mortais, ele dificilmente relembra de um livro que leu há muito tempo. Sabe aquela situação em que a gente recomenda fortemente um livro que amou pra um amigo e quando ele pergunta por que da indicação a gente SIMPLESMENTE não consegue enumerar motivos tirados da trama? Pois é, acontece com todo mundo, até com o Nick Hornby.

(Flashforward para os dias de hoje)

“Frenesi Polissilábico” é a compilação das colunas que Hornby publica mensalmente na revista inglesa “Believer” e as colunas são justamente sobre literatura. Não só sobre o conteúdo dos livros comprados e lidos – que Hornby lista todo santo mês no topo de cada texto – mas sobre o ato de ler. Na maioria das páginas, o autor discorre sobre sua relação com os livros, o que o faz gostar de um, não gostar de outro, querer acabar um terceiro logo, seja para se livrar ou porque a história está incrível.

Uma das coisas que mais me chamaram atenção nos escritos de Hornby é o destaque que ele dá ao momento em que você está lendo um livro e como isso influencia diretamente na leitura. Comecei a ler o “Frenesi Polissilábico” na viagem para o Recife que fiz em maio. O que deveria ser um fim de semana prolongado de diversão com meus queridos amigos pernambucanos virou um doloroso pesadelo ao descobrir, lá, que eu estava com uma infecção renal que me tirou do ar por 20 dias e me deixou em um hospital para tratamento.

Cheguei a levar comigo o “Frenesi” pro quarto, mas não toquei nele uma vez sequer durante os sete dias em que fiquei internada. Quer dizer, cheguei a pegar o livro para ler, mas não conseguia, peguei nojinho, largava para lá. Meses depois, já recuperada da doença e – principalmente – do susto que é ficar doente fora de casa, retomei a leitura e comecei a rir. Lembrei que Nick batia repetidamente na tecla de que o momento pelo qual o leitor está passando interfere diretamente nas impressões que ele tira de um livro. Ironicamente - ou não -, eu tinha confirmado essa teoria justamente lendo o “Frenesi”. Por isso mesmo este post só saiu agora, que eu finalmente consegui encontrar um momento melhor para dedicar ao meu autor favorito.

Isto posto, só posso dizer que nas duas fases em que li o “Frenesi” achei o livro divertidíssimo. Tanto que várias passagens engraçadas foram devidamente sublinhadas, marcadas, apontadas. Tudo a caneta, sem dó e, muito menos, piedade. Porque eu não desfaço dos meus livros, ao menos não dos bons, e por isso mesmo não vejo o menor mal em rabiscar as páginas e fazer anotações neles. São meus, eu cuido deles, eu faço com eles o que eu quiser, hmpf  (sim, o Nick Hornby também comenta esse tópico). Ah, sim, e com as indicações e contra-indicações, minha listinha de leitura aumentou consideravelmente. E o foda de as indicações virem do seu escritor favorito, é que não dá nem para ignorar ou fingir que não valem a pena, método que ele mesmo ensinou: “já estou por aqui de livros para ler, de forma que minha primeira reação quando alguém sugere que eu leia algo é descobrir um jeito de duvidar de suas credenciais”. É, não deu.

*****

E por favor, pelo amor de Deus, parem de fazer pouco caso daqueles que estão lendo e curtindo um livro – O código Da Vinci, por exemplo. Para início de conversa, ninguém sabe que tipo de esforço isso representa para o leitor. Pode ser o primeiro romance adulto que a pessoa esteja lendo na íntegra; pode ser o livro que finalmente revele o propósito e a alegria de ler para alguém que até então estava confuso pela atração que os livros exercem sobre os outros. E, de qualquer forma, ler por diversão é o que todos nós deveríamos fazer. Não quero dizer que todos deveríamos estar lendo romances água-com-açúcar ou suspenses baratos (embora, caso seja essa a sua praia, por mim tudo bem, pois vou lhe contar um segredo: nada de mau lhe acontecerá se você não ler os clássicos ou os romances que ganharam o Booker Prize deste ano; e, mais importante, nada de bom lhe acontecerá caso você os leia); estou simplesmente dizendo que virar páginas não deve ser como caminhar num pântano com lama até a cintura. Os livros são para ser lidos, e se você achar que não dá pé, provavelmente a culpa não é da sua incapacidade: às vezes, os “bons” livros podem ser bem ruinzinhos”

*****

Isso era para ser novidade quando comecei a escrever este post, mas ainda tá valendo: aí embaixo a capa de “Juliet Naked”, novo livro do careca inglês. O livro foi lançado lá fora no último dia 4 e eu já tô aqui contando os dias pra botar minhas mãozinhas sobre ele. Mais um livro do Nick Hornby para furar fila na lista de leituras. Típico…

UPDATE: O Lucio Ribeiro traduziu e publicou o trecho inicial do livro, clica pra ler.

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Primavera chegou

Eu poderia começar este post explicando – mais uma vez – que dancei a vida inteira, que minha formação de jazz tinha como base o estilo americano, aquele da Broadway, que em um momento da minha adolescência eu cheguei a pensar em chutar o balde, pegar minha trouxa e me mandar daqui atrás de audições para musicais. Poderia, claro, mas assisti à montagem do musical “O despertar da primavera” na última quinta-feira e tudo é tão bom, tão bem feito, tão bem cuidado, que a introdução “souloucapormusicais” chega a ser desnecessária. Quem não é “loucopormusicais” certamente vai se encantar com o que encontra sobre o palco do Teatro Villa-Lobos.

Contém spoilers

A adaptação que a dupla Möeller & Botelho (como eu disse no Twitter, praticamente um Sullivan & Massadas dos palcos: só tem hit!) fez do musical de Duncan Sheik e Steven Sater (que, por sua vez, adaptaram a peça de 1891 escrita pelo alemão Frank Wedekind) é deliciosa. “O despertar da primavera” conta a história de um grupo de adolescentes do final do século XIX e retrata as mudanças de fase, o crescimento, o despertar da sexualidade, os amores, as dúvidas, as crises.

Poderia muito bem ser um “High School Musical” com pessoas do século passado retrasado, mas não é. Ou melhor, pode ser um “High School Musical” do mundo bizarro, sem sainhas curtas, mas com figurinos de época. Sem beijinho na bochecha, risadinha tímida de canto de boca e protagonistas certinhos. Pelo contrário: para situar o mundo daqueles adolescentes e tudo aquilo que é retratado, o musical fala e canta a opressão, incesto, onanismo, suicídio, religião, sexo, sexo e muito sexo. Tem ainda beijo gay, espancamentos, fuga de casa, drogas e até fura-olhismo. Temas polêmicos que ganham peso quando saídos da boca de um talentoso elenco tão jovem quantos seus personagens.

O mocinho, Melchior, um contestador ateu que peita família, escola e igreja, está longe de ser um Troy, o perfeitinho interpretado por Zac Efron na produção teen americana. A mocinha, Wendla, deixa a recatada Gabriella no chinelo: já faz a mãe corar ao perguntar de onde vêm os bebês e se vê enrolada por uma explicação nada verossímil que vai complicar a sua vidinha mais pra frente. Nem as fotos de Vanessa Hudgens pagando peitinho se comparam a tudo o que os personagens passam.

Embalando a linguagem do final do século retrasado e contrastando com os (ótimos) figurinos de época, as músicas são executadas ao vivo por uma banda de rock. Arranjos cheios de guitarras (e violino e violoncelo,  vá lá) e letras espertinhas com direito a ode à punheta ou a sonoros “vai se fuder” . As coreografias são bem sacadas: simples, mas que exploram todo o palco e o cenário mega-versátil, cheio de possibilidades para aquele grupo de adolescentes comandado pelos veteranos Débora Olivieri e Carlos Gregório, nos papéis de todos os adultos do musical.

Eu poderia ficar horas descrevendo tudo o que me encantou no musical. Poderia, mas não vou. São duas horas e meia de peça e muita coisa acontecendo, muito detalhe para se prestar atenção, muita revelação a se descobrir. O melhor é recomendar a ida ao Villa-Lobos: o serviço (e muito mais informações sobre o musical), você encontra no (completíssimo!) site da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho.

* Esta que vos fala assistiu ao espetáculo a convite da Agência Frog.

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