Estava guardando (e aguardando ansiosamente) para daqui uma semana o momento de forte emoção em que tiraria o prefixo “proto” da frente do substantivo “jornalista” ali da descrição do blog e postaria sobre a satisfação (e o alívio!) de encerrar meu ciclo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, depois de quatro anos e meio cursando Comunicação Social. Alguns poucos que me acompanham nessa vida de blog há mais de sete anos viram todo o processo: desde o término do segundo grau até eu entrar na faculdade que eu queria, os estágios e até a minha contratação ainda com um semestre letivo inteiro pela frente.
Eis que uma semana antes do término das minhas aulas, o Supremo Tribunal Federal derruba a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista. Não vou dar o lead, porque o bafafá vocês devem ter acompanhado, mas resolvi abrir um espaço neste blog normalmente tão leve para falar de um assunto sério e dar minha opinião sobre essa polêmica toda.
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Perdi a conta de quantas vezes esse filme foi exibido na faculdade
Nunca vi essa gritaria toda por conta da regulamentação das profissões de designer e publicitário e o mercado é bem semelhante ao nosso, dos jornalistas. O que consigo concluir de todo esse bafafá é que muitas pessoas têm tratado o diploma como muleta, como se o canudo de papel fosse garantia de alguma coisa, sendo que, né, nunca foi.
Depois de quatro anos e meio de experiência acadêmica, posso afirmar que a faculdade de jornalismo ensina bastante coisa, sim, mas não tudo, e longe do essencial. Na metade do curso me dei conta de que num mundo ideal eu teria feito um curso técnico de dois anos e meio e me especializado em outra área, até mesmo poderia ter feito uma outra faculdade. Seria muito mais proveitoso e, acima de tudo, honesto. Mas o jogo não era assim e não será daqui pra frente, então joguemos como mandam as regras.
Podem me chamar de ingênua, mas não vejo, sinceramente, mal nenhum na decisão do Supremo. Acho até uma pena isso ter acontecido só agora, depois que eu meus pais gastei gastaram uma grana preta pagando meus estudos porque, de outro jeito, teria feito somente as matérias que prestavam, com os professores que me acrescentaram alguma coisa. Sim, eles existiram, foram verdadeiros mestres, que foram muito importantes para a minha evolução, mais do que as ementas podem prever. Mesmo assim, deixaria de lado as matérias obrigatórias de religião, a antropologia-para-fingir-que-tem, a sociologia-de-boteco e cadeiras semelhantes em que reina o pacto de mediocridade: os professores fingem ter sua importância e os alunos fingem que aprendem alguma coisa. Se o diploma de jornalismo nunca tivesse sido obrigatório – vale lembrar que há até relativamente pouco tempo não existia faculdade de comunicação – eu teria puxado mais matérias de outros cursos. Deixei de fazer muita coisa de Desenho Industrial, Publicidade e Cinema porque aumentava muito a mensalidade e sobrecarregava a carga horária. Trabalho desde o segundo período, buscando melhorar meu preparo profissional (e pra pagar a cervejinha do fim de semana porque eu não sou de ferro) e não me sobrou muito tempo para me dedicar a cadeiras não-curriculares.
Pelo que eu entendi do mercado nesse pouco tempo que faço parte dele (e, principalmente, observando a trajetória dos meus amigos e colegas com quem trabalhei), os empregadores querem ver o trabalho que você tem para apresentar e não onde você se formou. Já notei que gente boa e que corre atrás (não adianta muito ser um sem o outro) não fica desempregada por muito tempo e não vai ser a não-obrigatoriedade do diploma que vai mudar isso. Só acredito que gente competente que não teve como se formar por circunstâncias da vida vai poder exercer o mesmo trabalho que eu sem nenhum ônus para mim ou para minha “dignidade profissional”. Um dos melhores exemplos para justificar isso é o Ricardo Schott, do saudoso Discoteca Básica, que, sendo psicólogo, é um dos jornalistas musicais que mais admiro. Certo de que psicologia não era o caminho, ele preferiu trabalhar a voltar para a faculdade. Acho o trabalho do Schott como jornalista tão incrível que me recuso a ficar ofendidinha só porque ele não tem o mesmo diploma que eu. Quer dizer, não tinha: por causa da obrigatoriedade, quando ele já trabalhava na área, o Schott teve que entrar para uma faculdade de jornalismo e só agora, aos 30 e alguns anos, ele está se formando.
Por isso tudo, acho uma tremenda besteira o argumento de quem acha que estudou quatro anos pra nada, parece mais discurso de quem comprou um título em vez de querer se especializar e, como disse lá em cima, esse título nem vale de nada, a não ser para quem almeja a vida acadêmica (duh) ou os concursos públicos. Aproveito até para fazer uma pesquisa: quantos jornalistas formados e bem colocados no mercado tiveram que apresentar o tal pedaço de papel na hora da entrevista? Sinceramente, o que vale mais? A sua formação ou a sua produção? O meio ou o fim?
Daqui pra frente, que a faculdade valha como um complemento pra formação. Quem quiser faz, quem achar que não precisa, ok. Se é bom ou não, o mercado vai dizer.
*****
E como o Go to Heaven não se faz de hard-news, o outro post de hoje é sobre a vinda do diretor Michel Gondry ao Rio.









Parabens pela clareza do post sobre o jornalismo. Demonstra que imparcialidade é possível, quando desconsideramos nossas razões práticas ao emitirmos uma opinião -por mais que ensinem o contrário nos bancos acadêmicos da Comunicação.
Lembrando que a lei que obrigava as pessoas a terem diploma era formalmente inconstitucional pro próprio AI-5, visto que na vigência desse diploma nefasto, o presidente podia legislar como se fosse um imperador sobre assuntos de segurança nacional.
Essa lei que restringe o exercicio do jornalismo 1. não versa sobre segurança nacional e 2. não foi feita pelo presidente, mas por uma junta dos 3 coronéis das forças armadas; exércio, marinha e aeronáutica. Portanto, uma violação dupla dentro da própria ditadura.
Lembrando também que é expresso no Pacto Interamericano de Direitos Humanos (que pra gente tem força de Constituição), que a exigência de diploma para exercício do jornalismo viola direito humano fundamental, a liberdade de expressão e difusão plena de idéias. E isso também se encontra expresso na nossa Constuição. (art. 220 §1º)
Enfim, o que me entristece é a celeuma que se cria, ardilosamente, quando se diz que determinado ministro que não tem a simpatia da imprensa comparou jornalistas a cozinheiros. O discurso nem de perto fez isso.
Voce disse o que eu queria ler. Pois era o que eu pensava também.
Adorei o teu texto. Um texto bastante lúcido em meio a todo choro dos jornalistas que conheço.
abraço
O vídeo não ta abrindo aqui, será que é aqui o problema? Bom, vou ler e já posto meu comentário (que sinto que será longo)
Arrasou. Falou e disse. Falei do diploma no meu blog tbm, depois dá uma olhada, se quiser…
bjs!!
Sabe, na minha humilde opinião, eu acho q nessa discussão aí a visão q prevalece é q jornal é produto, jornalismo é negócio e jornalista é técnico. acho triste. E o argumento de q “queremos defender a liberdade de expressão garantida pela constituição” levantado pelos ministros do STF é até bobo. Se eu sou contra ou a favor do diploma? Eu acho mesmo q nem sei. Mas enfim, nesse contexto, a notícia me pareceu triste.
Olha só, aco que meu comentário nem vai ser longo, seu texto já falou muita coisa por mim. Bom, como você mesmo disse, e eu desabafei no twitter mais cedo, o que se vê são muitos estudantes mais preocupados com uma garantia de emprego do que interessados em discutir a profissão seriamente. Certa vez um professor meu, sujeito muito escrachado(pra não utilizar outros adjetivos), disse em uma aula “jornalista, o famoso especialista em merda nenhuma”, mas nessa frase cabe muita reflexão sobre o que você disse que poderia ter feito outra faculdade ou uma especialização.
Outra discussão que pode ser feita é a obrigatoriedade do diploma comparando com outras profissões. É claro que o jornalista, por estar em contato com o público, pode causar danos se não tiver preparo, mas danos semelhantes estão sujeitos em todas as profissões. Mesmo a psicologia, meu curso, que é ligada à área de saúde, e, na teoria, maus profissionais na área de saúde são mais perigosos do que em algumas outras áreas, só tem como exclusividade sua a aplicação de testes psicológicos, recurso utilizado por uma pequena parcela dos profissionais e cada vez mais polêmico. Um curso de formação psicanalítica, que talvez seja meu caminho(estou longe de decidir) não é de exclusividade de psiquiatras nem psicólogos, qualquer um com uma graduação está apto a ingressar. Tenho alguns amigos fazendo uma faculdade de Relações Internacionais e as vagas de emprego que interessam a eles são ocupadas pessoas formadas em direito, história, ciências sociais, entre outros cursos.
Isso mostra que o diploma não é, e nem deve, ser garantia de nada. Tal mentalidade, creio, advém de uma tecnocracia torta brasileira e demonstra como nosso sistema de ensino já alcançou a falência. O que se precisa entender é que a obrigatoriedade de um diploma para ser reconhecido como um bom profissional não é uma valorização do ensino, pelo contrário, caracteriza uma desvalorização. Um sujeito pode ser muito bem qualificado sem precisar de um curso superior e uma universidade é um lugar para se estudar e não para se tirar um diploma.
No fundo, não é só uma discussão sobre jornalismo, é sobre educação, elitismo e preconceito.
PS: Acabou sendo longo!
Oi, gostei bastante da forma que voce falou e concordo com o que voce disse.
Meu problema é que começei a facul. de Com. agora (estou terminando o primeiro periodo) e fiquei um pouco perdida com a ideia de estar perdendo tempo e dinheiro.
Agora é esperar para ver a prática disso, será que vai diminuir o numero de pessoas interessadas em cursar jornalismo? Agora é esperar para ver…
Tassia, o argumento de liberdade de expressão não é bobo, porque se eu, que não tenho diploma de jornalista, quiser difundir minha opinião no meio de comunicação social mais antigo, tradicional, e acessível ao povão -o jornal impresso-, não poderei por carência de diploma. Isso faz que minha liberdade de expressão seja limitada ao MSN, twitter, interfone do meu prédio; e não seja plena, como prevê a Constituição.
ok, Thiago, mas você acha q é livre pra falar o q quiser exercendo a profissão de jornalista? essa é a questão, entende? leia esse texto aqui e você entenderá o q quis dizer: “Nunca existiu autonomia profissional para os jornalistas, afirma pesquisador” – http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/18/materia.2009-06-18.6212489840/view
o argumento é lindo, mas como é utilizado nessa discussão é muito bobo, pq é mentira. sacou?
CLAP!
Tassia, o seu texto dá resposta a uma espécie de exemplo. Mas você não deve alimentar seu pensamento com uma só espécie de exemplos. Podemos pensar em outro:
O Congresso nacional exigia diplomação de jornalista para que fossem publicadas entrevistas, sobretudo em veiculos impressos, mas também na TV e outras mídias. (algo risível na época dos blogs)
É por isso que humoristas críticos, como os do Casseta e Planeta (ok, vamos imagina-los no passado remoto), nunca puderam entrar no Congresso com as credenciais da imprensa. E por isso que o CQC afrontou tanto os parlamentares.
A inconveniencia do CQC para os parlamentares é que TODOS os humoristas do programa tem diploma de jornalistas, logo, conseguiram as credenciais da imprensa para tomarem satisfações pelo povo. É que, como é sabido, o Congresso Nacional exige o diploma de jornalista para conferir as credenciais de “imprensa”, numa forma _descarada_ de restringir o acesso dos cidadãos às devidas cobranças populares.
Se um engenheiro ou médico quisesse interpelar um representante do povo e fazer uma entrevista, ainda que se desconsiderasse as restrições do Congresso, não poderia publicar sua entrevista devido a falta de diploma. Mas se mesmo assim o fizesse, poderia ser preso em flagrante por exercício ilegal de profissão. Seria levado à Delegacia de Polícia, assinaria o Termo de Compromisso de Comparecimento (TCC) e seria liberado. Porém, da mesma forma, seria instaurado o inquérito policial, tal qual se tratasse de um traficante ou ladrãozinho.
A não independência jornalística devido ao monopólio dos meios de produção necessários a atividade _não tem_ vínculo lógico e necessário com a formação acadêmica de cada um dos empregados. Por isso, não é sequer uma razão a se considerar nessa discussão.
O autor que você mostrou ou não viu a entrevista, ou é no mínimo contraditório. Porque:
1. Parece mais defender as premissas dos Ministros do STF do que atacá-las, quando diz: “Lima defende que o estudo da ética como disciplina, comum aos cursos de jornalismo, não representa uma garantia de que o exercício profissional da atividade seja realizado de forma ética”
2. Demonstra não ter entendido o cerne do julgamento, quando diz: “ficou a impressão de que toda essa discussão [ocorrida no STF] estava no vazio, uma vez que, nos últimos 40 anos – durante a vigência da Lei de Imprensa – nunca os jornalistas tiveram tal independência.”
Ora! O que foi discutido e decidido não foram as condições de trabalho dos jornalistas, mas a liberdade de profissão de outras pessoas que perfeitamente exercem o jornalismo sob risco de responder a Inquérito Policial, sendo que no Brasil:
a) a regra é a liberdade de profissão, e a exceção a licença prévia quando se tratar de I. saúde pública II. segurança pública III. interesse público
b) a liberdade de profissão de jornalista está numa zona de intercessão perfeita com a liberdade de expressão das pessoas, seja na modalidade “buscar informação”, seja na modalidade “difundir informação”.
3. Demonstra que tem a capacidade de análise reduzida e introduz palavras não-ditas na boca alheia, porque: “Até mesmo o advogado da Fenaj cometeu esse equívoco durante a defesa, quando questionou a dispensa do diploma sob o argumento de que a profissão seria o quarto poder. Isso é falso porque esse poder nunca pertenceu aos profissionais, mas às empresas.”
O advogado em momento nenhum disse que pertencia aos jornalistas, mas à Imprensa. E claro que quando disse que pertencia à imprensa, poderia estar se referindo a TODA Corporação Empresarial, ou não; mas provavelmente estava. Em nenhum momento ele disse que o poder pertencia aos jornalistas, pessoas físicas.
4. Não entendeu sequer do que se tratava o julgamento, vez que: “Quem assistiu ao julgamento notou que as condições reais da autonomia passaram longe das discussões.” …sequer entendeu que a função do julgamento e do Poder Judiciário não é discutir políticas públicas que permitam ou fomentem a independência dos jornalistas, mas tão-somente analisar, de modo comparativo, o decreto-lei havido na Ditadura com a Constituição democrática de 1988, especialmente em seu artigo 220 §1º e o Pacto Interamericano de Direitos Humanos. Esse pacto internacional tem a mesma força da Constituição no Brasil, porque a Constituição prevê que Pactos Internacionais que versem sobre Direitos Humanos integram à ela, têm a mesma força dela. Esse Pacto diz *expressamente* que “exigir diploma pro exercício de jornalismo VIOLA os direitos humanos”.
Portanto, será que ele prestou atenção no julgamento para dizer que sua impressão é que “toda essa discussão estava no vazio.” ???
Ops, corrigindo: interseção.
Lindo, Liv.
:~~~~
Essa é minha garota!
CLAP. CLAP. CLAP.
Você devia ler mais sobre a nova lei e, sinceramente, o que mais me enoja na minha profissão é isso: vejo que tenho colegas que pensam como empresários, como é o seu caso. Mas até entendo…Você estuda na PUC, ne? O que vc, ops, seus pais pagam por mês é equivalente ao que um JORNALISTA ganha também por mês. Pessoas com o seu pensamento merecem ter o diploma? E se sociologia e antropologia não serviram pra você, eu lamento! Na dua opinião jornalista tem que ter matérias técnicas? Realmente…vc devia ter seguido outra profissão.
Martha, my dear, antes de partir pra ofensa pessoal, leia todos os comentários deste post e perceba que não estou sozinha. Ah, e como jornalista, você deveria aceitar que as pessoas possam ter opinião contrária a sua e respeitá-la.
Abs!
concordo demais com o que você falou, é a minha posição também.
engraçado é que eu concluí minha faculdade (tbm na puc, mas de bh) bem nessa semana. e o que mais me impressiona nessa história toda é que as pessoas agem como se o diploma não existisse, como se o curso não valesse nada. calma lá, né? esse tipo de reação demonstra tanta insegurança que até assusta.
e como você disse, só mesmo o tempo e o mercado dirão se a decisão foi boa ou ruim!
abs.
‘cê vê, a Lois, digo, Martha, sapeca um preconceito com a condição da PUC para alicerçar o argumento, fora outras linhas de elementos pessoais e descontextualizados. É o comentário de blog por excelência – sem ofensa aos demais –, de quem não cansa de se revelar, por exemplo, naquelas notícias cada vez menos lidas.
Assino embaixo. O exemplo do Schott é certeiro. O cara já era um puta jornalista, mas se viu quase obrigado a cursar a faculdade… pra quê?
Não em arrependo de ter passado quatro anos em sala de aula e devo muito aos mestres que tive. Acho que a faculdade é MUITO importante para formação, para quem busca capacitação… mas ela não é vital para quem quer ser jornalista. Aliás, estamos falando do fim da obrigatoriedade e não do fim do diploma ou da profissão…
Gostei do que vc escreveu, e concordo. Mas ainda estou com a sensação de que eu poderia ter feito outra faculdade e ainda sim seguir no jornalismo. Acho que é necessário uma formação básica pra ser jornalista e, como vc disse um curso de tamanho reduzido ou em formato de pós graduação seria uma solução bem viavel pra quem possui outra graduação. Acho que não deve mudar muito as coisas, mas vamos ver.
Eu cresci com a visão de que o Jornalismo era para poucos. Para dominar a comunicação, as palavras, a informação… enfim, exercer uma das profissões mais gratificante e poderosa da Terra.
Desculpem-me pela palavra de baixo calão, mas eu quero que a decisão do STF se Foda… No Jornalismo, mais do que em qualquer outra profissão… o diferencial somos nós mesmos.
Temos N argumentos para ver que essa decisão é uma verdadeira palhaçada. Um exemplo para Gilmar Mendes. Eu mesmo poderia ser um Advogado. Basta que eu seja um bom contador de histórias, mentiroso e que saiba decorar e manipular a fraca legislação brasileira. Advogados defendem estupradores, assassinos de crianças… tudo pelo dinheiro.
Amo a profissão que escolhi, mas temo no que isso pode se tornar.
Sendo bem radical, mas nem um pouco exagerado, consigo enxergar a Maya e o Raj apresentando o Jornal Nacional, afinal a Globo e os grandes veículos estão sorrindo com a novidade.
Se não exigem diploma para presidente, por que exigir para jornalista?
Caro comanheiros!!
vezzan bemm…
sem mais
Me formei em jornalismo na PUC e devo confessar: 1- a universidade não me ensiou lhufas. 2- depois de formado, nunca passei por lá pra buscar meu diploma. 3- nunca me pediram pra apresentar o mesmo.
Isso não me impediu de: conseguir estágio em boas redações, trabalhar em empresas interessantes e outras até bem grandes, fazer uns “frilas” bem legais.
“Quem faz a faculdade é o aluno!” Sempre li muito, escrevi bastante, fiz cursos em áreas que gostava…
Ou seja, o diploma de jornalismo na real nunca valeu nada.
Parem de drama!
É uma pena o uso de argumentos ad hominem aqui, entre jornalistas. A Martha simplesmente perdeu a linha. O mais falacioso argumento é o seguinte: “antropologia serviu de muita coisa”. Rs. É de se rir. Se o curso desse uma formação de generalista, seria em período integral, com as mais diversas matérias. Outra opinião risível é a seguinte:
“Eu mesmo poderia ser um Advogado. Basta que eu seja um bom contador de histórias, mentiroso e que saiba decorar e manipular a fraca legislação brasileira. Advogados defendem estupradores, assassinos de crianças… tudo pelo dinheiro.”
Advocacia até poderia ser exercida por qualquer um, como era no passado, até a Constituição de 1891. Era até melhor. Todos poderiam advogar, _exceto_ na área criminal, onde a Defesa Técnica é obrigatória. [acho que voce precisa adquirir mais cultura geral]
Mas o caso é que o critério para se exigir licença prévia ou não das pessoas é a saúde pública, segurança pública ou interesse público; em atividades que causem danos diretos a terceiros. Parece que você se recusa a ler as informações ali em cima.
E mais: defender bandidos não é falta de nobreza. Prender sem julgamento imparcial, é. Se você tivesse o mínimo de cultura, conheceria as razões iluministas que fomentaram isso… “posso ser contra tudo o que dizes mas defenderei até a morte o direito de dizê-lo.” (Voltaire)
Enfim, ser contra o Gilmar Mendes é ser absolutamente manipulado pela mídia. Mas isso é outra discussão.
Seus amigos tem ótimo nível cultural, Liv, pena que aparecem uns perdidos por aqui. rs.
Até
martha, primeiro: quem é vc? segundo, se informe antes de proferir besteiras.
terceiro: é ruim? acho que sim. considero mto ruim a queda da obrigatoriedade. mas se vc ler o texto (coisa que vc n fez, ou talvez n tenha a sensibilidade para entendê-lo) é que ele trata sobre a hipocrisia que existe nesse meio. eu, sendo jornalista formado há 10 anos, há vi mta gente nesse meio que n é jornalista e mto jornalista (como acredito que vc deva ser, pela sua desinformação) escrevendo e falando besteira. antes de tudo, tentemos ser profissionais melhores, para ai sim, reivindicar melhores condições.
certo?
Se a coisa fosse tão simples assim. Acabei de me formar esse mês e o que eu tenho visto cada vez mais é a exploração da classe com salários nada dignos. A queda do diploma, a cima de tudo, significa a queda dos salários e desvalorização dos profissionais que formam o chamado 4º poder. Se o diplomado não quiser trabalhar pelo salário X, não tem problema, um outro qualquer pode fazer isso. E nem adianta dizer que as empresas continuarão preferindo os diplomados porque a gente sabe que em jogos de poder que envolvem grana as coisas são bem diferentes. Já eram antes da lei, imagina só agora.
E ainda tem outra. Em países como EUA e a França o diploma não é obrigatório porque lá existe uma “cultura de jornal”. Explico: Desde o colégio os jovens escrevem em jornais – que são grandes nas escolas mais tradicionais – e quando entraram para a faculdade também são colaboradores. E no Brasil? Meu colégio nunca teve jornal – e aqui no Rio não conheço nenhum que tenha – e na faculdade só tinham acesso ao jornal, rádio e TV os estudantes de comunicação. Mas aqui é sempre o “jeitinho brasileiro”, né?
E se falarem que antes da ditadura os jornalistas eram ótimos e não diplomados logo digo: Os tempos são outros, as redações de jornais são outras e não há nem como traçar uma comparação plausível.
Acompanho o seu blog há algum tempo e gosto muito dos seus posts, mas sou completamento contrária as ideias expostas por você nesse.
Joana, entendo seu ponto, mas é bom lembrar que gente pra se vender por menos em troca de uma vaga de salário irrisório sempre existiu aos montes por aí. Mesmo com a obrigatoriedade do diploma.
Eu sinceramente acho que não vai mudar muita coisa e, pelo bem do futuro da nossa profissão, torço muito para que eu esteja certa :)
Concordo totalmente.
Todo mundo sabe que não precisa ser jornalista pra saber escrever e nem saber escrever para ser jornalista. E com essa novidade o mercado vai dar uma chacoalhada e acredito que a qualidade dos profissionais vai melhorar (porque ao contrário do que acontece com artistas – que também não precisam de diploma pra trabalhar – não dá pra vc ser contratado só porque é boa pinta, tem que ser competente mesmo).
Acho que jornalismo devia ser uma pós-graduação. A pessoa se formaria em algo que ela gosta, que se interessaria em escrever sobre, e depois de formada faz a pós para “aprender” a ser jornalista. De repente assim a gente teria o melhor dos dois mundos.
Se bem que, mais do que nunca, acho que universidade deveria ser pra quem quer ser acadêmico. A gente devia era ter uma porrada de cursos técnicos disponíveis no mercado pra poder se qualificar se preparando pro mercado de trabalho porque, como vc mesma falou, o que tem de disciplina “pra fingir que tem” nos cursos de graduação!…
Bjo.
Os jornalista “perderam”, mas a sociedade ganhou muito com isso.
Não dá pra se fazer uma nação digna atendendo a interesses de grupos. Todo mundo sabe que deve sempre ser feito o que é melhor para a maioria. O melhor para a maioria, nesse caso, é não deixar que a informação fique restrita a determinado grupo.
O melhor texto que li sobre toda a questão. Conseguiu expressar e racionalizar tudo o que sentia e mais. Obrigado!
simplemente fabuloso! discuti com uma ex namorada essa semana sobre isso…
Diploma não é muleta! parabens!