Monthly Archive for February, 2009

Quando as cópias são bem vindas

Se você vive nesta galáxia, universo e planeta Terra, você já deve ter notado que camisetas com dizeres que combinam pessoas, personagens, personalidades, integrantes de bandas e qualquer outro grupinho cultuável – ser vivo ou não – em uma fonte simples ligados por e comerciais são febre por aí. Notei que a coisa estava fora de controle quando meu irmão apareceu trajando uma, a Aüslander fez sua versão, a Camiseteria bombou a dos Beatles en español, a The Names Brand lançou sua linha de camisetas no estilo e mais um mooooooonte de gente fez sua versão. Nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, no Brasil.

Este é o meu irmão e esta é a tal camiseta

Este é o meu irmão e esta é a tal camiseta

Mas o que poucos sabem, é que a moda começou com a já tradicional “John & Paul & Ringo & George.”, criada pelo escritório holandês de design Experimental JetSet no longínquo ano de 2001 para a marca japonesa 2K/Gingham. De lá pra cá, o modelo ganhou filhos como os já citados e muitos outros que o pessoal do Experimental JetSet fez questão de compilar em uma divertidíssima galeria.

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Minhas "versões" preferidas. Clique para ver a galeria

De todos os membros que passaram pelo Guns ‘n Roses e Van Halen figurando extensas estampas, passando pela homenagem à família, estilistas, apóstolos, outras muitas bandas e o que mais puder ser elencado, a galeria do Experimental JetSet vale bons minutos de diversão e de esforço de memória para reconhecer o que ou quem estão estampando aquelas camisetas.

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O importante é que emoções eu vivi

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Registros do querido Vitor Leite, que estava perto do local onde fiquei

Os comentários começaram baixinho, com a notícia se espalhando feito um telefone sem fio, com muito amor e carinho. Amigos que estiveram no ensaio na semana anterior proclamaram que a boa deste carnaval seria a estréia* do Exalta Rei, bloco que prometia desfilar pelas ruas da Urca uma homenagem a Roberto Carlos e sua obra em ritmo de ziriguidum.

De repente, como as ondas do mar, só se falava que o bloco de segunda era papo firme. O problema eram os horários conflitantes das informações que vinham de todos os lados: a imprensa anunciava o cair da tarde, o povo repassava pelo boca a boca que o Exalta Rei se concentraria às 15h. Por via das dúvidas, vesti a roupa de marinheira, meu bem, peguei minha rosa de pelúcia e esperei mais notícias sobre a saída. De última hora, confirmou-se o rumor popular e quem rumou para a Urca fui eu, seguida por amigos, namoradinhas de amigos meus, conhecidos que mais e mais iam abarrotando a estreita rua da mureta.

O relógio marcou as 15h, mas nada do bloco aparecer. O novo motivo de boataria era o local da saída. Uns diziam que ia, outros diziam que vinha. Só sei que segui o som e às três e tanta peguei a bateria – mínima – começando a ensaiar umas canções que Ele fez para nós e, confesso, deu medo. O pessoal parecia meio perdido com a meia dúzia de músicas que tocavam – Jesus Cristo, Caminhoneiro, Amigo, Nossa Senhora, Eu Sou Terrível - e o mestre (ou seja lá o que fosse aquele cara) resolveu tirar todo mundo do esconderijo já não tão secreto porque todos já estavam chegando atrás da folia, seguindo o som que vazava.

Temendo o fiasco, já fula da vida com a desorganização e o atraso, parei num bar pra esperar a banda passar (ops, esse é outro!) e, uma boa meia hora depois das 16h, o Exalta Rei desceu a ladeira tal qual uma força estranha, arrastando quem estava no caminho – e tinha muuuuita gente – rumo à casa do Rei. Gente jovem reunida que se acostumou a ouvir Roberto Carlos desde o comecinho da vida, lembranças dos pais que cultuavam o Rei desde a época em que ele tinha um calhambeque. O número de músicas diminuiu, o som ganhou força com o coro desafinado e embromador da multidão que não sabia as letras – me incluam nessa. Alguém aí sabe cantar Todos Estão Surdos? – e a bateria fez o recuo em frente a casa de Roberto Carlos para mostrarmos como é grande nosso amor por ele.

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Crente que o Rei vivia em um palácio, só acreditei que ali era sua morada depois que os funcionários da mansão real apareceram na varanda e ele acenou para a plebe que àquela altura já não cantava mais nada, só urrava de alegria. O problema é que, mulher pequena que sou, não consegui ver a primeira aparição.

Até que Roberto Carlos, o próprio, em pessoa, vestindo seu tradicional traje azul e branco, surpreendeu a todos, mostrou que sabe brincar e desceu para o play para encarar seus súditos mais de perto, agradecer o carinho desafinado, segurar o estandarte e arriscar uma sambadinha.

Em volta, muita gente emocionada, mas tão emocionada, que o bloco deu aquela dispersada. Alguns seguiram em frente, além do horizonte, mas achei melhor parar. Para que seguir em frente se tantos momentos bonitos já tinham acontecido? Voltamos para ligar para nossos pais – e mamãe sabendo de minhas lágrimas nos olhos ficou toda emocionada – comentar as recordações com os amigos e nos recuperar do choque.

Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Sim, porque no próximo ano a Urca vai ser pequena para tanta gente que vai aparecer atrás do belo momento que vivemos naquela jovem tarde de segunda.

* Com acento porque este blog é apegado à velha ortografia e só vai abandoná-la quando sua editoria for ameaçada de prisão por desrespeitar as regras.

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Dicas para cariocas* perdidos em São Paulo – parte III de III

*(ou sergipanos, ou catarinenses, ou amazonenses ou mesmo paulistas…)

Control-freak do jeito que eu sou, tento sempre planejar cada passo das minhas viagens. Mas assim como aconteceu com o bar O Torcedor, fui parar por acaso no Salve Jorge. Depois de contratempos que nos levaram a desmarcar nosso almoço, Ian ligou sugerindo o lugar próximo ao metrô São Bento e não pensamos duas vezes. Quer dizer, meu fantástico mundo de Bobby particular fez logo a ligação entre o nome do bar e o quase-Santo padroeiro de tudo que é favela carioca. Como esquecer os foguetórios e os tiroteios de madrugada em homenagem ao cara do Dragão que tomam conta do Rio todo dia 23 de abril?

Enfim, as más vibrações foram apagadas pelo momento em que cheguei na frente do bar. Era aniversário de São Paulo e o coreto da pracinha abrigava um show de chorinho! Me senti em casa, mas sem a parte desagradável dos tiros e coisa e tal. Lá dentro, a reação foi melhor ainda. A decoração do bar é ótima, arrumadinha, com cara de boteco antigo – daquelas que os meus conterrâneos chamariam de “bar de paulista”, heh – e só melhora quando você vai percebendo os detalhes que homenageiam tantos Jorges por aí. Ben, Clooney, Aragão, Seu, Constanza, Michael, Luis Borges… é Jorge para ninguém botar defeito!

O chorinho da praça em frente ao Salve Jorge. Não tem foto no bar porque a cerveja causou tremedeiras e borrões.=

O chorinho da praça em frente ao Salve Jorge. Não tem foto no bar porque a cerveja causou tremedeiras e borrões.=

A cerveja – de garrafa, graças! – é gelada, mas o atendimento foi mais complicado do que precisávamos. O bar estava lotado por conta das comemorações da cidade e até o prefeito Kassab (com quem tirei uma foto-bêbada que não será divulgada) e a Lilian Pacce apareceram. A dificuldade em conseguir ser atendida por um garçom – nessas horas eu sempre me pergunto porque não aprendi a laçar boi naquela oficina da escola mineira – foi superada pelo fan-tás-ti-co bolinho de batata com calabresa apimentada. A massa, crocante por fora e macia por dentro, tinha aquele quê de caldo de carne, aquele gostinho de salgadinho de festa de criança, sabe? O recheio era exatamente de calabresa moída beeeeeem apimentada. Di-li-ça.

Confesso que diante destes quitutes, não me sobrou muito espírito para desbravar o resto do cardápio, mas as opções me pareceram incríveis. Me contentei em degustar tão deliciosa iguaria, tomar uma cervejinha gelada e desfrutar da companhia de uma pá de gente legal que apareceu lá pra encontrar com a gente. O Salve Jorge do centro fica na Praça Antônio Prado, 33 e o telefone é (11) 3107-0118.

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Caderninhos, caderninhos, caderninhos…

Tradicionais e cheios de história, os caderninhos da marca Moleskine (que de tão emblemáticos são chamados pela marca mesmo, tipo gilete e maisena) viraram febre de uns anos pra cá por causa do status cult que carregam. Usados no passado por artistas como Van Gogh e Picasso, hoje em dia o Moleskine é item indispensável nas bolsas e mochilas de ilustradores, rabiscadores e escritores, principalmente na versão pocket, por sua praticidade.

Só que, como nem tudo é perfeito e como a gente vive no Brasil, os mimos que custam coisa de 10 euros lá fora – pelo menos os que uso, pequenos, de folhas fininhas e tarja verde limão – aqui saem pela exorbitância de 70, 80 reais! Para não desembolsar tanto dinheiro, há, claro, váááárias opções nacionais, similares, não tão carregadas de significado, mas que fazem o mesmo efeito.

Os caderninhos da marca Cícero devem ser os “genéricos” mais antigos por aqui. Antes, se chamavam Marcus Cícero, não tinham elástico e o acabamento era meio precário. Com a mudança de nome, parece que a qualidade ganhou um upgrade. Os caderninhos da linha Couro agora vêm com elástico, são muito mais bem acabados e têm várias opções de cores da capa. Fora que os modelos de bolso são um pouco menores que os Moleskines, o que facilita carregar por aí.

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Grande e pequeno: a linha Couro da Cícero

Outra opção é a marca Moleco, feita com papel reciclado, para agradar a turma preocupada com o papo de sustentabilidade. O atrativo dessa linha são os cadernos com folhas coloridas, as várias opções de cores de elástico e as capas trabalhadas em ilustrações. Ecológicos e customizáveis, ótimo!

Moleco: do pretinho básico à capa ilustrada

Moleco: do pretinho básico à capa ilustrada

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Os modelos de capa mole de papelão do Moleskine recortados e ilustrados por Heidi Burton são de se contorcer de tão lindos. Ela pega os cadernos fininhos super caretinhas e sem graça e transforma as capas em verdeiros objetos de desejo. Bom, pelo menos eu desejo muito um desses! Para ver mais, visite o Flickr da moça.

heidiburton

Holey Moley!

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E essas miniaturas que a Rae Bean faz? Não são as coisas mais fofas? Pois é, ela faz pequenos caderninhos de 12 páginas com capas imantadas para colocar na geladeira ou em quadros de aviso. Eles têm elástico e tudo!

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Mini-caderninhos para geladeira!

(dica da @raizabruscky)

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Pra encerrar, se você não achar o caderno na bolsa e precisar de uma anotação urgente, que tal este anel-bloquinho, da Ana Cardim?

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(via Objetos de Desejo)

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Dicas para cariocas* perdidos em São Paulo – parte II de III

*(ou pernambucanos, ou paranaenses, ou capixabas ou mesmo paulistas…)

E aí que você não conhece muita coisa de São Paulo, vai parar no Museu do Futebol no Estádio do Pacaembu e percebe que ele fica enfiado, basicamente, no meio do nada. Só que, na saída, você precisa comer às pressas para estar do ooooooutro lado da cidade em menos de uma hora.

Quando você, sonolenta, já estava perdendo as esperanças de comer alguma coisa que não fosse um sanduíche – e triste lembra do almoço improvisado no McDonalds no dia anterior – você ultrapassa a lojinha anexa ao museu e chega até O Torcedor.

Sabe quando um oásis salva a pátria o deserto? Pois foi mais ou menos essa a minha sensação quando percebi que não precisaria me contentar com um sanduíche qualquer ou com uma coxinha. Decorado – óbvio! – com temas futebolísticos, a especialidade da casa são os crepes e hamburgueres, apesar de naquele sábado eles estarem servindo feijoada (?!) também.

Para não arriscar fui de Pedalada (já falei que o bar é temático, né?) e ele foi de Lençol. O meu crepe, feito com costelinha de porco desfiada com molho barbecue e gratinada com molho branco e mussarela de búfala estava espetacular. O dele, de iscas de picanha acompanhadas de mix de cogumelos gratinado com catupiry prometeu mais do que cumpriu. Era bom, claro, mas o meu era muito melhor, há! Ah, e os dois vinham com saladinha de rúcula com mussarela de búfala e tomate cereja, perfeita pra uma nada-natureba feito a Livzinha aqui. Esse é o máximo de verde que me permito comer.

Museu do Futebol @ São Paulo

Olha, mãe, tô comendo salada!

A comida é gostosinha, o ambiente é divertido e o atendimento é ótimo. Como nunca tinha ouvido ninguém falar do tal bar e das 32 (?!) tevês passando jogos o tempo todo, vale o registro. Até porque ele fica no meio de um estádio de futebol, que não é lá aquele ambiente que se frequenta sempre, mas vale o esforcinho.

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