
Quando eu li Nick Hornby pela primeira vez… bem, I was a kid. Tinha 16 anos quando botei as minhas mãozinhas proto-indies no Alta Fidelidade e vocês podem imaginar o estrago que aquilo fez na minha cabeça. Virei fã. E então fui conhecer o Nick Hornby futebolista, o Nick Hornby mulher, o Nick Hornby pai, o Nick Hornby suicida etc etc etc. Agora chegou a vez de conhecer o Nick Hornby adolescente.
Lançado no Brasil em maio, Slam conta a história do menino Sam, 15 pra 16 anos, skatista e fã de Tony Hawk a ponto de conversar com o poster do ídolo pendurado na parede do seu quarto. Sam é quase uma versão masculina de Juno, e acaba engravidando a namorada – a primeira – por um descuido. A história se desenrola com os percalços da gravidez de Alícia, da reação dos pais do casal e de todos os conflitos que um adolescente numa situação dessas enfrenta.
Como todo Nick Hornby, o texto é leve, é fluido e é irônico. Mas é… infanto-juvenil, claro. Só que o desfile de referências-pop comum na literatura do inglês continua por lá: tudo bem que o Teenage Fanclub e o Stevie Wonder deram lugar a Robbie Williams e Britney Spears. Só que também tem o Big Mac, o iPod, o XBox, o YouTube… a essência da coisa se faz presente como só ele sabe fazer, a grande diferença é que dessa vez o livro se destina a quem só ouviu falar em Bob Dylan porque a Mallu Magalhães deu entrevista pro programa da Marimoon na MTV dizendo que curte o cara. Deu pra entender?
A melhor sacada do livro são os momentos em que Sam desabafa com seu Tony Hawk de papel. Para que ele pudesse responder aos questionamentos de seu fã em apuros, Nick Hornby usou trechos da autobiografia Hawk – Profissão: Skatista. É como se cada aflição do personagem principal encontrasse resposta em algo que Tony Hawk escreveu. O resultado nem sempre é satisfatório para o menino, mas rende ótimos momentos pro leitor. Pra quem quiser conferir, o primeiro capítulo (em inglês) tá aqui, ó.
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“Ele não era eu. Mas era quem eu queria ser, o que faz dele a melhor versão de mim mesmo”. Sam, sobre Tony Hawk.
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Da série “No Brasil não fazem essas coisas“. A Penguin Books, editora do Nick Hornby no Reino Unido, se juntou com o programa The Christian O’Connell Breakfast Show da rádio Virgin para promover Slam. Os fãs do cara só precisaram criar uma trilha sonora para o livro, escolhendo cinco músicas que tivessem a ver com a história. O vencedor foi escolhido e anunciado pelo próprio Hornby em abril e engordou a conta bancária em £5 mil. As músicas que ele escolheu? Pois é, também fiquei curiosa pra saber. Revirei a internet em busca da resposta e não encontrei. Se você tiver mais sorte que eu, posta a lista aí nos comentários, faz favor. Se não, pode fazer sua própria trilha pro livro e colocar aqui, que tal?

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A essa altura do campeonato todo mundo deve saber que o Nick Hornby tem um blog. Se não sabe, o link é esse aqui.
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Na lista de próximas leituras finalmente coloquei o Porno, do Irvine Welsh (Trainspotting te diz alguma coisa?). Foi só pegar aquele tijolo rosa pra lembrar que, na época do lançamento do livro, estava eu numa livraria quando um pai engravatado entrou lá com a filhinha pequena e passou por mim e por um display cheio de exemplares de Porno empilhados. A garota se soltou das mãos do pai, saiu correndo, sacou um livro e foi mostrar pra ele aos gritos de “olha a boneca! Eu quero a boneca!“. Só que a boneca que ilustra a capa é… uma boneca inflável. Roxo de vergonha, o pai levou um tempinho pra conseguir explicar pro seu anjinho loiro que aquela era erm, ahn… uma boneca para adultos.