Eu sempre fui uma chata pra comer. Admito. Fresca mesmo, mimadinha de pai e mãe. Por muito tempo minha alimentação se baseou na tríade carne-queijo-massa. E seus desdobramentos. Mas sem cebola e clorofila, por favor. Alho também não. Faz mal pro meu estômago.
De uns tempos pra cá, inexplicavelmente, comecei a ficar mais DESTEMIDA na hora de experimentar comidas. O espírito “se for ruim eu tomo uma Coca-cola” baixou em mim de uma tal maneira, que até geléia de pimentão – coisa que eu ABOMINO – eu provei esses dias. E não é que achei bom, menina? A geléia. Pimentão eu já comi e continuo achando um terror.
Eis que ontem um bastião da cabeça-durice tombou: resolvi ir a um restaurante japonês. Pois é. Deu vontade de comer peixe-cru. Tudo por culpa da temakeria que abriu no Múltipla Escolha lá na faculdade, que me fez ter a curiosidade de experimentar um daqueles sorvetes de peixe. Até que o salmão au naturel desceu bem. Com um litro de teryaki por cima. Mas desceu. E desceu gostosinho, o entry-level. Diferentemente das minhas duas incursões anteriores à culinária nipônica. Eu juro que eu quase vomitei. Tudo bem que numa delas eu fui a um restaurante xexelento da Liberdade em que japonesas rudes e mudas serviam a comida com uma boa vontade de embrulhar o estômago. O lugar mais parecia fachada de uma escola de treinamento da Yakuza, mas digressiono.
Então, né, minha gente, eu fui a um restaurante japonês por vontade própria. Ninguém me arrastou. Eu falei: “vamos?”. Ele respondeu, incrédulo: “vamos!”. Então fomos. E comecei pelo super bem recomendado Mitsuba.
Gengibre em conserva, guioza, combinado, hot filadélfia, sorvete frito… tudo intercalado com o agradável papo do dono da casa, que explicou a filosofia de lá, recomendou pratos, falou sobre os peixes e contou que o Hot Filadélfia só é enrolado no arroz depois de frito, pra não empapuçar de óleo. Tanta simpatia e cuidado ajudaram a descontrair e a perder a frescurite aguda que me impedia de comer sushis e sashimis e makimonos e tudo o mais.
Pronto. Ferrou-se. Virei adepta.
E agora como até pedra.









e sabe o cu que tem
Ora, moça, você passou pelo processo normal. Todo mundo que conheço (eu inclusive) experimentou comida japonesa uma, duas vezes e não gostou. Mas na terceira adorou. Por alguma estranha razão a coisa só fica boa na terceira tentativa mesmo.
Como já perguntei lá no Twitter, me conte qual o segredo? Eu NÃO CONSIGO gostar de mais nada além de queijo e massas!
=)
Nando: engraçaralho pra cadinho!
José Carlos: estraaaaaaaaaaanho isso… será que existe explicação?
Roberta: acho que o ambiente altamente agradável, a boa companhia e o bom humor ajudaram. Eu tava super bem disposta. Se tivesse ido contrariada, não teria conseguido! Começa pelo Temaki, enche de molho pra disfarçar a estranheza da textura do peixe cru e vai fundo.
Outro dia me arrastaram pra um japonês também. Minha cabeça é mais dura e eu fiquei maravilhado ao saber que eles serviam carne grelhada lá e passei bem longe dessas coisinhas enroladas e cruas que podem saltar do meu prato a qualquer momento.
vontade de comer peixe, pqp.