Oi*, Telemar, você pode estar fazendo o favor de explodir? Grata.
Agora vamos aproveitar o serviço de monitoramento do boca-a-boca online que as empresas têm utilizado bastante pra ver se minha reclamação passa do atendimento précario que elas realizam por telefone e chega a alguém com massa encefálica suficiente pra entender o meu problema.
Ah, sim. Oi, eu não sou otária.
*****
Então.
Eis que eu acordo às 8h da madrugada, pego o telefone e ele está mudo. Ah, beleza, tem outra linha em casa pra isso mesmo. Mas ela estava muda também.
Ótimo.
Pra que servem duaS linhaS de telefone se nenhuma pode fazer ou receber chamadas? E olha que a conta foi paga em dia.
Cheguei no trabalho, ainda sem que oS telefoneS de casa dessem sinal de vida e lá fui eu ligar pra Telemerd, digo, Telemar. Fui atendida por um robô que, em vez de me pedir pra teclar os números doS meuS telefoneS, pediu pra eu falar dígito por dígito. Creio que seja pra dar uma falsa sensação de que estamos sendo ouvidos. Ouvidos de robôs não contam, tá? Mas tudo bem, os robôs conseguiram identificar o problema com aS minhaS linhaS e me informaram que ele seria sanado às 18. Horas. E. Cinqüenta. E. Quatro. Minutos. De. Amanhã. Mais de 24 horas sem telefone? No cu, pardal.
Depois de tentar falar com um ser humano por duas vezes, consegui, mas não sem antes ouvir repetidamente que as linhas do atendimento só estavam ocupadas porque uma tal promoção da Telemerda estava sendo um sucesso. Pro inferno com a promoção, porra! De que adianta promoção se oS telefoneS não funcionam? E eu queria meuS telefoneS funcionando!
O fulano que me atendeu, a princípio, fez o favor de repetir o que o robô idiota tinha dito. E eu argumentei que isso já tinha sido informado, que eu só procurei um atendente pra dizer que não havia CONDIÇÕES de ficar mais tempo sem telefoneS.
“Eu sei, senhora, mas é um problema na central“. Primeiro, senhora é a sua mãe, segundo, eu caguei pro problema, caralho, eu quero é meuS telefoneS funcionando. “Já estamos fazendo os reparos, senhora“. Foda-se, é o mínimo que vocês podem fazer, eu quero usar meuS telefoneS, não importa como, porra! “Desculpe, senhora, já coloquei seu caso como prioritário, mas não podemos fazer muita coisa“.
Ah, podem sim. Se eu posso pagar as contas em dia todo o mês, vocês podem me entregar o serviço pelo qual eu pago. E essa prioridade aí vai servir proS meuS telefoneS funcionarem já? Agora? Now? NESTE EXATO MOMENTO?
Apelei. Amigo, minha avó está internada, se acontece alguma coisa, como vão entrar em contato lá em casa? Vocês pagam o pombo correio, telégrafo, o mensageiro, o bardo, a putaqueopariu pra me manter em contato com o hospital? Não, né? Como eu supus.
Tudo bem. O pobre coitado do atendimento não poderia mesmo fazer nada pra resolver meu caso. O jeito? Falar com o setor de cobrança e exigir que essas horas sem linhaS fossem descontadas daS minhaS faturaS. Depois de repetir trinta vezes os meuS dois númeroS de telefone em que só os dois últimos algarismos diferem…
- Oito nove zero um?
- Não, minha filha, oitonovedez, não tem erro.
- Oito. Nove. Dez, ok.
Passa um tempo…
- Oito nove zero um, né?
- Não, é OITONOVEDEZ. E o final do outro é OITONOVEDOISTRÊS. Não é tão difícil assim é?
Depois de se confundir, a mocinha enfim entendeu o que diabos tinha me motivado a falar com ela. “Ah, a senhora quer desconto?” Desconto não, sua anta, que desconto é gentileza. Eu quero é que vocês não me cobrem pelas mais de 24 horas que eu vou ficar sem telefoneS. “Oke, senhora“. Só isso? “Só“. E como eu sei que essa informação foi realmente processada? “Vou ter que fazer um protocolo, senhora“. Ah, você ainda não fez? E lá se foram mais 15 minutos e a ladainha do oitonovedez mais uma vez.
E quando eu já tinha me dado por vencida…
“A titular da conta é a Dona Marize?“. Sim, é. “E por que a senhora está ligando em nome dela, senhora?“. ORAS PIROCAS, PORQUE A DONA MARIZE ESTÁ SEM TELEFONES EM CASA!!!!!!
Agora cá estou eu, fula da vida, com dois números gigantescos de solicitação anotados. Ah, sim, e sem telefoneS.
* Agora as ligações da Telemar são atendidas com a saudação-marca de sua companhia de telefonia celular. Sério, vão tomar no cu, não me irritem.