Caro buscador do Google que tem caído diariamente neste blog procurando por “retrospectiva 2007“: o ano ainda não acabou.
Grata,
A gerência.
Um pouco sobre tudo.
Perfil do Orkut tá aí pra ser visitado, né, galera. Eu não reclamo. Eu entro em perfil de desconhecidos, desconhecidos entram no meu e tá tudo certo. Se não gosta de exposição, é só deletar a conta que tá tudo nos trinques. Mas vamos combinar que um fulano relativamente conhecido entrando no seu perfil toda semana, sem jamais deixar de bater o ponto, dá medo. Bastante medo. Medo excessivo. Além de tirar a vez de paquistaneses divertidos ali no pega-stalker.
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Como diria o título de uma coletânea de músicas antigas de mamãe: saudade não tem idade. É, tô com saudade de um monte de gente que tá longe. Belo Horizonte, Brasília, Lavras, Caxambu, Recife, Belém… ê paízinho grande.
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Não vi, mas ‘Ó Paí, Ó‘ já ganhou o posto de filme com título mais escroto de 2007. Ó o auê aí, ô.
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Auto-afirmação é a maior prova de insegurança. O tempo passa, o tempo voa e cada vez mais certas pessoas me parecem mais ridículas. Patéticas, sabe? Distância é sempre o melhor antídoto.
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Há males que vêm pra bem. Sempre. E eu acabo feliz. Sempre.
Dizem que para marcar nosso nome na eternidade, basta ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Estou longe de ser mãe, não tenho a menor vocação para literata e fora os pés de feijão que plantei em bolinhas de algodão na infância, nunca mais mexi com a terra. E isso não significa que, aos 21 anos de idade, eu não me sinta eternizada. E sabe por quê? Porque o grande amigo e crítico musical Carlos Eduardo Lima, mais conhecido pela alcunha de Cel, lançou no fim do ano passado seu primeiro romance, ‘Vestido de Flor’. E ‘Vestido de Flor’, além de ter revisão minha, tem uma personagem chamada Lívia. Poucas vezes na vida entendi tão bem um personagem… tanto melhor não ter sido mera coincidência.
“Flora apertou os controles do forno de microondas, programando-o para os doze minutos que a lasanha com molho bolonhesa pedia. Ouviu o barulho do aparelho iniciando o descongelamento do prato e decidiu esperar na sala. Ligou a televisão e percorreu alguns canais, sem muito interesse. Precisava ligar para Sérgio e para Ana, mas estava com preguiça. Mesmo que já passasse das três horas da tarde, ela ainda estava sem qualquer vontade de combinar verbalmente nada. Queria chegar e pronto. Pouco depois, já comendo a lasanha, Flora ouviu a porta da frente se abrir e viu Lívia entrar, enrolada numa toalha, seguida por Luiz.
- Ei, vocês não vão dar um beijo em mim? – ela perguntou.
Lívia veio, meio a contragosto, apesar de adorar Flora.
- O que você tem, menina? – Flora notava uma certa tristeza no rosto dela – não foi legal na casa da vovó?
- Foi – a menina falou baixinho – Tia Flora, eu não quero ficar com meu pai em Curitiba. Quero ficar aqui – ela disse, meio choramingando.
- Mas, Livinha, você vai se divertir com o papai lá. E, mesmo que você não goste muito, passa rápido, você logo vai estar com sua mãe de novo – Flora procurou o máximo de psicologia infantil.
- Ah, Tia. Eu e o Luizinho não queremos ir – o menino, com seus cinco anos de idade, concordou e fez um dos semblantes mais tristonhos que Flora vira nos últimos tempos.
Ela pensou nessas situações chatas e normais entre filhos de pais separados. Não havia o que fazer, mesmo que ela desse um pedaço de lasanha para Lívia e dissesse que ficar com o pai era legal. A menina não queria, não gostava da cidade e da atual esposa dele. Fazer o quê? Por isso ela cogitava seriamente nunca ser mãe. Levou os dois para o banheiro e preparou o chuveiro para os respectivos banhos. Nisso ouviu o telefone. Era Zeca.
- Zeca! Tudo bem contigo, rapaz?
- Tudo, Florisbela. Você está dentro hoje, né? – a voz jovial do diretor de cinema “marginal” perguntou, cheia de animação.
- Sim, você sabe que eu vou. O que vai acontecer, afinal?
- Bem, pra ser muito franco com você, eu não sei – ele riu – nós vamos chegar às oito da noite no Corcovado, depois veremos as performances do povo. Acho que uns globais vão aparecer. Vai ser
engraçado. Depois nós desceremos e viremos aqui pra casa. Aí colocamos uns filmes, fazemos umas pipocas, enfim, vai ser legal – ele falou.
- E você sabe se o Sérgio vai? – Flora corou ao perguntar.
- Claro que vai, Florisbela. Desde que você apareceu aqui em casa na quarta-feira o cara não fala de outra coisa. Flash-back total na cabeça do pobre coitado – Zeca riu.
- Muito bom, muito bom – Flora riu em resposta – eu vou com a Ana Bia, direto do trabalho dela.
- Você pode vir até de Marte, mas tem que estar às sete e meia na estação do trenzinho do Corcovado
pra subirmos todos juntos às oito horas.
- Estaremos – Flora respondeu.
- Então, até lá e vê se vai bem bonitona, viu? – Zeca disse, despedindo-se.
Flora pensou em Sérgio e em como seria bom revê-lo hoje. Algo, no entanto, a incomodava e não era a saída de Lívia do banho, molhando o chão do corredor, em direção ao quarto. Era Bernardo. O que fazer com ele, afinal? Como lidar com isso? Ela não podia dizer que a noite anterior havia sido ruim. E por que ela estava se apegando desse jeito a isso? Uma noite e nada mais. Tudo bem que ele fosse gentil, havia feito uma cortesia atrás da outra e não a forçara a nada, o que era muito raro, mas, ela queria estar com Sergio hoje, sem qualquer drama de consciência. Olhou para a lasanha, já meio fria, deixada na mesa ao lado da televisão. Ainda estava com fome e decidiu terminar com o que
havia ainda no prato.“
“O casaco preto também poderia compor o todo. Uma calça da mesma cor e tudo estaria resolvido. Ela ainda terminava os retoques da pouca maquiagem, apenas um brilho nos lábios (roubado de Lívia) quando ouviu a porta da rua abrindo-se. Espichou o rosto para o lado e pode ver Ana Beatriz entrando
em casa. Dois segundos e ouviu a algazarra de Luizinho e Lívia correndo para a mãe. Ela apareceu já arrumada na sala e viu Ana no sofá com os filhos.”
“Demorou alguns instantes para que ela o notasse ali, olhando fixamente em sua direção. Quando o fez, largou a revista na estante, encaminhou-se para o lado de fora, em sua direção. Deu-lhe um beijo no rosto. Bernardo estranhou.
- Oi, você chegou há muito tempo? – ele perguntou.
- Não, acabamos de chegar – ela disse, apontando Ana Beatriz e as crianças mais adiante, em frente à oficina de animação com massinha.
Bernardo ficou meio sem graça com a situação que se instalara. Ela não estava com o mesmo semblante celestial dos outros dias, provavelmente por causa do telefone ou, quem sabe, algo que ele nem imaginava. Ela foi até Ana e as crianças, com Bernardo logo atrás. Sem mãos dadas. Ana o viu e cumprimentou:
- Olá, moço que não bebe – ela disse, dando dois beijos no rosto dele.
- Oi, Ana. Tudo bem com você? – ele tentou ser o mais simpático possível.
Ana fez uma cara não muito alegre, indicando com o rosto o casal de filhos que brincava na oficina de animação. E disse:
- Mais ou menos. Hoje eles vão para Curitiba, ficar com o pai. Serão quinze dias longe de mim. Eu me vejo livre nos dois primeiros e sofro de querer morrer nos outros treze.
- Eu imagino – Bernardo falou com sinceridade.
- É por isso que eu e Flora vamos à Feira de São Cristóvão hoje, para dançar até perder os sentidos – ela disse sorrindo.
Em todos os dias com Flora, uma novidade nesses momentos. Feira de São Cristóvão? Olhou para ela,
que sorria em apoio a Ana e olhou para as crianças brincando na massinha. E desejou ter mais alguns lugares para olhar atônito. Por fim olhou para o chão, pensando em Flora na Feira de São Cristóvão, dançando forró e sabe mais o quê a noite inteira.
- Ah, que legal. Dizem que ficou muito melhor depois que a Prefeitura organizou tudo por lá – ele procurou forças de seu âmago para continuar o assunto sem perder a pose. E, claro, nunca havia ido no lugar.
- Ah, ficou mais ou menos, sabe? – Ana falou – aquilo era muito mais espontâneo antes. Agora é meio clean demais pro meu gosto.
- Eu também não gostei dessa idéia – Flora resolvera participar da conversa – tudo que é muito certinho é meio chato demais.
Bernardo começava a ter certeza que o clima não estava totalmente ameno por ali e que poderia ser alvo de algumas indiretas. Ele não se deu por achado.
- Ora, alguma organização é sempre bom, né? Só não pode perder a medida e tornar tudo chato.
O assunto chegara naquele ponto em que nada de interessante seria acrescentado e os três entenderam
que era o momento de combinar os horários de tudo.
- Vocês vão à peça, né? – Ana iniciou.
- Sim, vamos. Começa as sete e meia, mas eu acho que precisamos chegar bem cedo para não ficarmos do
lado de fora – Bernardo respondeu.
- Quando acabar eu te ligo e você me diz onde vai estar. Daí eu te encontro e nós vamos pra lá –
Flora disse pra Ana.
Era o bastante em termos de combinações.
Elas se deram beijinhos e Bernardo cumprimentou novamente Ana. Flora invadiu a oficina de massinha e beijou os meninos. Bernardo acenou para eles, que nem prestaram atenção nele. Ele mesmo não entendeu porque fizera isso, pois não tinha sido apresentado às crianças, como elas poderiam saber quem ele era? “