Segunda-feira agitada, essa. Dia de abertura da exposição ‘Niemeyer 10|100‘, no Paço Imperial, que inicia as comemorações do centenário do nosso velho comunista e enfoca as obras criadas por ele nos últimos dez anos. É incrível ver que o tiozinho ainda tem a mão firme pra criar as formas sinuosas que tanto aprecia, mesmo aos 90 e tantos. A mostra tá super bem montada e completa, com fotos e maquetes, muito da história e até uma reprodução exclusiva da cadeira marquesa, aquela lindeza (ops) que ainda vou ter em casa. ‘Niemeyer 10|100′ divide espaço com ‘Calder no Brasil‘, sobre o artista plástico norte-americano e seus móbiles e esculturas fantásticas. A interseção entre as duas é a maquete da obra que o Calder criou para Brasília, a pedido de Niemeyer, e jamais foi executada. Uma pena, porque a praça dos Três Poderes teria ficado muito mais bonita. Enfim, boa sacada. Já me adianto e me arrisco a dizer que é séria candidata a melhor exposição do ano, mesmo estando em janeiro. Preciso voltar pra ver tudo com calma.
Como tava muito cheio e o calor no Paço Imperial era senegalês, rumei para o Oi Futuro, na inauguração do Museu das Telecomunicações. O espaço onde já funcionou o Museu do Telephone – sim, da época em que o dito cujo se escrevia com pêagá – desencavou o acervo, deu uma repaginada, usou de conceitos modernos e criou o nosso equivalente ao Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Aliás, dobrei a língua, sempre reclamei que o Rio de Janeiro era tão subdesenvolvido que não tinha nada que chegasse aos pés do museu que eu invadi três dias antes da inauguração – já contei essa história? – e agora temos nosso espacinho, pequeno e aconchegante e deliciosamente sensacional. Como a fila para a entrada no Museu era grande e eu aproveitei para ver a exposição FotoKunst, de fotografia artística alemã, a videoinstalação ‘Folião‘, do Samir Abujamra, e me joguei nas almofadas vermelhas do teatro onde estava rolando uma amostra grátis do Multiplicidade, evento moderninho que reúne música e design e que acontece lá quinzenalmente.
O museu, que funciona no 6º andar do espaço cool e descolado da cidade. É pequenininho, mas não decepciona. Usando o conceito de hipertexto a que eu e você somos submetidos diariamente, o visitante recebe na entrada um controle-remoto, chamado de pickup, e um par de fones de ouvido. Depois de passar pelas portas automáticas e ambientes espelhados, é só passear e apontar o tal controle para os sensores que ficam próximos a cada vídeo. Daí, é escolher se quer assistir ou não a cada tema proposto, criando um roteiro próprio com os assuntos que mais interessarem. Tem Pedro Dória e Hermano Vianna falando sobre o boom da Internet do Brasil, tem vídeo sobre a Biotecnologia, parede de binários, a história dos cartões e fichas telefônicas, dos telefones públicos, dos aparelhos telefônicos propriamente ditos (ai, meu JK), dos celulares, tem um theremin e uma linha do tempo com as maiores revoluções tecnológicas. Infelizmente não pude ver tudo. Apesar de a visita poder durar até 5 horas, deu meia noite e o museu já estava fechando. Acabei deixando muita coisa para trás, inclusive a tela de saída, em que um lettering deixa o visitante a par da última novidade do mundo da tecnologia. Unindo o velho ao novo com o melhor da tecnologia, boa proposta.
É certo que vou voltar, é um excelente programa praquele domingão de ócio. Vale à pena.