Às vezes eu me assusto quando percebo o quão mal humorada eu fico quando estou com fome. Ontem, por imbecilidade minha, resolvi passar no Bar do Adão pra comer uns pastéis antes de ir pra casa. Mas quanta burrice. Putaquilpariu.
Terça-feira é dia de pastel dobrado, pede um, vem outro. E obviamente a porra do boteco estava APINHADA de gente. Lotado. Tinha gente saindo pelo ladrão. Velho, adolescente, gente engravatada. Caralho, era muita gente.
E eu só queria me sentar e comer três ou quatro pastéis como sempre faço. Ledo engano. Esperei mais de uma hora pra conseguir mesa, sendo que esta só me veio por meio de uma trambicagem. Um senhor estava sentado sozinho e chamou-nos para nos sentarmos. Quando saiu, deixou o dinheiro da conta dele e a mesa pra gente. ÓTIMO.
O problema é que os pastéis de camarão com catupiry que pedimos quarenta minutos antes, quando eu ainda estava em pé, tinham se perdido no limbo. Quando chegaram, depois de pedi-los pela segunda vez, obviamente vieram errados. Sério, a vontade era de chorar. Eu estava ali há quase duas horas e tinha consumido dois chopes e nada de pastel. Até que o Robinho, garçom que já conhece aqueles que gastam parte do salário naquele boteco, veio pedir desculpas e classificou as terças-feiras como “barbárie”. Praça de guerra perde.
Realmente. Ninguém se entendia, a multidão era grande, gente pra tudo que é lado, nunca tinha visto o Bar do Adão assim. Tempos e um chope depois, chegaram os pastéis e a tábua de carne com batatas fritas e molho de gorgonzola. Saí dali com a certeza de que o Bar do Adão continua sendo o melhor boteco do mundo, mas não às terças-feiras.
Porque eu prefiro pagar por um pastel a mais do que sofrer do jeito que eu sofri ontem.