Tem alguma coisa muito estranha acontecendo no mundo quando você tá numa festinha em que todo mundo canta Strokes em uníssono, mas é só começar Helter Skelter - daquela banda desconhecida e obscura, os Beatles, sabe? – pra pista esvaziar e as pessoas que estão nela não esconderem a cara de “HEIN?”.
Meu irmão abriu a porta do quarto violentamente. Ao olhar pra ele, me deparei com o retrato do terror. Ele, todo suado, com a camisa escurecida pela água de xixi diluída que pingava. Ele ameaçou me abraçar. A violência estava em seus olhos. Eu vi!
Eu o ameacei com uma caneta marca-texto, primeiro objeto que encontrei para me defender. Ele se foi sem deixar rastros de agressão. Eu tranquei a porta.
Estou tremendo até agora.
(Quem vê não imagina que temos 20 e 29 anos. 15 no máximo. Pros dois.)
“Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança”
Estou o retrato da destruição: cabelos desgrenhados, com a mesma calça de ontem que não me dei ao trabalho de tirar nem pra dormir, dor de cabeça, olheiras profundas, cansaço físico, cansaço mental e dor, muita dor. Em tudo. Se dormir é inútil, 24 horas de sono me ajudariam a, pelo menos, relaxar.
Antes fosse TPM.
- Fulano é uma graça, né?
- Ô.
- Mas a Amiga disse que ele tem um problema: é muito grudento, sabe?
- Mas homem grudento é bom!
- Foi o que eu disse pra ela! Lindo e grudento não é problema, pra mim é solução.
- Putaquilpariu, preciso tomar um bom banho de sal grosso!
- Porra, se todo mundo que é vítima das sandices do Fulano for tomar banho de sal grosso iam ter que secar o oceano Pacífico.