Desde criança ouço minha mãe falar para “guardar certas coisas do armário porque a moda sempre volta”. Depois de crescida, percebi que isso se aplica a tudo, ou quase tudo. E em especial, serve para a música pop. Enquanto crescia, o rock anos 90, o “indie” rock e o “britpop” embalaram minha pré e adolescência. Músicas melodiosas, cheias de guitarras distorcidas, boas letras, canções que ficariam para sempre na minha vida. Ou pelo menos estão até agora.
O rock00 me lembra o que conheci – posteriormente, óbvio – da música dos anos 80. É como uma tomada do fôlego exaurido na década anterior, pelas bandas de arena. É como música pra desanuviar o ambiente, depois de tanto fanatismo e salvações reais mudando a história da música. A calmaria depois de dez anos de grandes bandas como Led Zeppelin ou Pink Floyd, que eu admito não gostar, mas reconheço a importância mastodôntica. Principalmente se comparadas ao que veio na década seguinte.
Quando digo “o que veio”, antes de ser retrucada com uma lista de ótimas bandas oitentistas, devo lembrar que sei que as exceções existem. Um exemplo delas toca dia 20 e 21 próximos em São Paulo, provando que o U2 conseguiu sobreviver grandioso a tudo isso. Mas a massa da música feita nos anos 80 foi para embalar pistas e definhar quando o público se cansava de dançar as mesmas coisas.
Hoje o que vejo é o mesmo. Um rockzinho urgente, repetitivo, monótono, mais do mesmo. Todas as bandas da semana parecem iguais. Em um teste cego, creio que não saberia diferenciar umas das outras. Se até a moda voltou a buscar referências nos anos 80, a conspiração do mundo não pode estar errada. A música feita pelos Franz Ferdinandes, Bloc Parties, Arctic Monkeys e afins (e como o termo “afins” se encaixa perfeitamente) é ruim? Até certo ponto não, mas precisa seguir TANTO as tendências a ponto de se deixar confundir, sem uma identidade?
Kurt Cobain está morto. Pearl Jam, U2 e Oasis são dos poucos que resistem. O grunge e o britpop já não existem mais. Os DJs precisam ser abastecidos, já que o rock está em alta depois de um tempo de predominância de boys bands. A internet precisa de mais e mais downloads. Os jornalistas precisam de novas salvações. A música é feita sob demanda e nada, nada disso me empolga. Nada me emociona, aliás. Nada me faz suspirar. As letras cretinas com títulos bem sacados falam sobre o propósito das músicas: noites, álcool, sexo com meninos e meninas – ser bi ainda é cool – e as drogas. Pena que o rock’n roll parece ter sido deixado de lado nesse exercício metalinguístico.
Pode ser fruto de uma grande má vontade minha, admito, mas depois de insistir em me deixar tocar por alguma das banda sensação do momento, sinto-me frustrada. Pouquíssima coisa que ouvi de três, quatro anos pra cá deixou a sensação de que vai ficar “para sempre”. Pior que isso, não dura nem uma semana, isso quando passa da primeira audição. De efemeridade o mundo está cheio e eu estou cansada. Podem me criticar, mas eu tenho sentimentos e essas novas bandas não me fazem sentir absolutamente nada. Então dêem-me licença, mas vou ali pegar meus velhos e bons cds e sentir uma nostalgia precoce.