Monthly Archive for February, 2006

Geek Pride

Você, menino fofo, inteligente, refinado, cheio de amor pra dar, que não consegue pegar mulher por falta de traquejo, já pode enxergar a luz no fim do túnel. Jonas Galvez, geek, rico e pegador, ensina o caminho das pedras em seu manual de auto-ajuda para o nerd solitário. Cansado de aturar coleguinhas de profissão, informatas malas que se tornam insuportáveis devido a ausência de mulher em suas vidas, Jonas escreveu este belíssimo ensaio, que vai ajudar muita gente por aí.

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Breaking News

Que mané fotolog, Katilce Miranda desbancou todas as meninas que fazem biquinho pra completar os cem comentários da Gold Camera e já tem mais de 110 mil scraps. Enquanto escrevo, o número não pára de subir. Tem gente usando o scrapbook da menina pra fazer amigos e aumentar o número no Orkut, tem neguinho pedindo scrap pra se mostrar popular. Tem gente colocando perfis aleatórios dizendo que são do namorado dela e a horda insandecida cai em cima do cara, chamando de corno pra baixo, sem nem verificar que o nome do namorado dela é Gustavo, segundo o profile e comunidades da pobre Katilce.

A página de recados da menina virou mural, até moto, carro, imóvel e a mãe estão anunciando ali. Bandas vendem seu peixe, criadores anunciam suas comunidades – sobre a Katilce ou não – pessoas fazem de tudo pra chamar atenção, implorando por um pouquinho da atenção que a Internet brasileira está dando para a menina de Volta Redonda. A vontade de aparecer diante do sucesso relâmpago de Katilce (fim de semana é carnaval, já já esquecem) é tanta que teve menino colocando foto dela no próprio álbum pra ser passar pelo verdadeiro namorado e angariar mais scraps.

É o momento “FILMA EU, GALVÃO!” disseminado pelo Orkut.

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Katilce

Quando Katilce ficou horas na fila esperando para comprar o ingresso para o show do U2, não esperava parar na hot area em frente ao palco e muito menos ser escolhida por Bono para dançar coladinha com ele enquanto o nanico irlandês cantava With or Without You. O que Katilce também não esperava era que seu perfil do Orkut fosse descoberto minutos depois e que seu número de scraps aumentaria de novecentos e pouco para mais de 50 mil (12:06 de 21/02). Katilce não esperava que algumas comunidades fossem criadas em sua, err, homenagem. E que pegariam o namorado da pobre coitada pra chamar de corno, por conta de um selinho no Bono. O suposto namorado de Katilce mudou o status do Orkut de comprometido para solteiro apenas uma hora depois do show e até comunidade zoando o menino criaram. Agora Maicon mudou a descrição alegando não ser o namorado da Katilce e apagou os scraps recebidos. Pelas comunidades que Katilce entrou, o namorado dela se chama Gustavo.

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Please don’t let me be misunderstood

Acho que tem uma coisa que não fica muito clara: eu adoro provocar porque eu sei que tem gente que cai na pilha. E essa gente não é composta por amigos meus e pessoas próximas, são pessoas que fazem questão de se informar sobre minha vida e falar mal de mim. Isso acontece com todo mundo, né? Pois é, só que eu dou munição.

Foda é quando gente PRÓXIMA de você diz que você erra ao expôr os seus sucessos. Só que meu conceito de sucesso não é um convite para a área VIP do Claro q É Rock ou para o show dos Stones. Pra mim isso é sinônimo – ou era, parei de beber – de cerveja de graça. Sucesso pra mim é algo muito maior e eu não sou vazia e estúpida a ponto de me achar melhor por conta desses agrados que caem no meu colo. Na minha vida, dou valor ao que e a quem importa, pena que tem gente que simplesmente não entende.

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Rolling Stones

Então, fui. Fiquei a 4 metros do palco, a 2 da passarela que Mick Jagger usou pra desfilar, ele fez pose pra minha câmera e eu ESQUECI a dita cuja na casa do Fred, que viajou pra Recife e só volta depois do carnaval.

CARALHO. Isso só não foi mais vacilo que não terem tocado ‘Paint It Black’.

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Contagem regressiva

Estou a 28 dias do show do Oasis. Que bom que Fevereiro é um mês curto. Obrigada, Deus pai.

P.S.: Tenho a ligeira impressão de que esse blog vai ficar meio… ahn… digamos… MONOTEMÁTICO. Tenham paciência para com uma pobre fã que vai ver a banda preferida pela primeira vez.

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Desabafo

Desde criança ouço minha mãe falar para “guardar certas coisas do armário porque a moda sempre volta”. Depois de crescida, percebi que isso se aplica a tudo, ou quase tudo. E em especial, serve para a música pop. Enquanto crescia, o rock anos 90, o “indie” rock e o “britpop” embalaram minha pré e adolescência. Músicas melodiosas, cheias de guitarras distorcidas, boas letras, canções que ficariam para sempre na minha vida. Ou pelo menos estão até agora.

O rock00 me lembra o que conheci – posteriormente, óbvio – da música dos anos 80. É como uma tomada do fôlego exaurido na década anterior, pelas bandas de arena. É como música pra desanuviar o ambiente, depois de tanto fanatismo e salvações reais mudando a história da música. A calmaria depois de dez anos de grandes bandas como Led Zeppelin ou Pink Floyd, que eu admito não gostar, mas reconheço a importância mastodôntica. Principalmente se comparadas ao que veio na década seguinte.

Quando digo “o que veio”, antes de ser retrucada com uma lista de ótimas bandas oitentistas, devo lembrar que sei que as exceções existem. Um exemplo delas toca dia 20 e 21 próximos em São Paulo, provando que o U2 conseguiu sobreviver grandioso a tudo isso. Mas a massa da música feita nos anos 80 foi para embalar pistas e definhar quando o público se cansava de dançar as mesmas coisas.

Hoje o que vejo é o mesmo. Um rockzinho urgente, repetitivo, monótono, mais do mesmo. Todas as bandas da semana parecem iguais. Em um teste cego, creio que não saberia diferenciar umas das outras. Se até a moda voltou a buscar referências nos anos 80, a conspiração do mundo não pode estar errada. A música feita pelos Franz Ferdinandes, Bloc Parties, Arctic Monkeys e afins (e como o termo “afins” se encaixa perfeitamente) é ruim? Até certo ponto não, mas precisa seguir TANTO as tendências a ponto de se deixar confundir, sem uma identidade?

Kurt Cobain está morto. Pearl Jam, U2 e Oasis são dos poucos que resistem. O grunge e o britpop já não existem mais. Os DJs precisam ser abastecidos, já que o rock está em alta depois de um tempo de predominância de boys bands. A internet precisa de mais e mais downloads. Os jornalistas precisam de novas salvações. A música é feita sob demanda e nada, nada disso me empolga. Nada me emociona, aliás. Nada me faz suspirar. As letras cretinas com títulos bem sacados falam sobre o propósito das músicas: noites, álcool, sexo com meninos e meninas – ser bi ainda é cool – e as drogas. Pena que o rock’n roll parece ter sido deixado de lado nesse exercício metalinguístico.

Pode ser fruto de uma grande má vontade minha, admito, mas depois de insistir em me deixar tocar por alguma das banda sensação do momento, sinto-me frustrada. Pouquíssima coisa que ouvi de três, quatro anos pra cá deixou a sensação de que vai ficar “para sempre”. Pior que isso, não dura nem uma semana, isso quando passa da primeira audição. De efemeridade o mundo está cheio e eu estou cansada. Podem me criticar, mas eu tenho sentimentos e essas novas bandas não me fazem sentir absolutamente nada. Então dêem-me licença, mas vou ali pegar meus velhos e bons cds e sentir uma nostalgia precoce.

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