Trapézio

Gustavo Marialva

Gustavo Marialva

Você já deve ter reparado que eu gosto de comer. Gosto. E de comer bem. Comida gostosa, comida farta, comida bem temperada. Se eu for pro inferno por um pecado capital, a gula certamente vai me condenar ao calor eterno (se bem que, morando no Rio, né…).

Agora imagine você, querido leitor, a dor que não me bate por simplesmente não ter esta oportunidade durante a semana, quando gasto minhas refeições no bandejão da firma que, vira e mexe, me brinda com dobradinhas, línguas e bifes de fígado sem a menor dó, muito menos piedade. Pedir por gosto, então… é demais.

A situação piora (sim, é possível) nos famigerados plantões de fim de semana, em que a galera do refeitório chuta o balde na hora de montar cardápio e não tem ne-nhu-ma opção de refeição nas imediações. Por isso mesmo que na noite de um sábado desses, depois de oito horas de trabalho, eu resolvi me jogar em uma comidinha gostosa, em uns drinques legais e segui a dica do coleguinha Jefferson Lessa. Acabei parando no Trapézio, mais um bar moderninho e descolado que abriu na Capitão Salomão, em Botafogo.

(Feito o nariz de cera enorme, coisa que adoro nesse blog, vamos ao que interessa)

Lá, pertinho do Meza, encontrei outro bar bacaníssimo, dividido em dois ambientes. Ou você fica no superssociável mesão coletivo em formato de X ou faz o antissocial nas bancadinhas com cadeirão alto para dois. Foi aí que eu entendi o nome do bar por fazer verdadeiros malabarismos pra conseguir ficar sentada (sabe como é, baixinha em cadeira alta sofre). No cardário, uma variedade enorme de caipirinhas (todas feitas com cachaça Seleta ou Absolut) e algumas poucas comidinhas que embarcam na moda dos tapas e vêm em charmosos copinhos.

Como sou gulosa – já disse, né? – combinei com meu acompanhante de escolhermos pratos diferentes e beliscarmos a comida um do outro. Comecei de ceviche de peixe branco com azeite de coentro, enquanto ele foi de moquequinha de camarão. As porções são mínimas, como todo bom “tapa” (aviso logo pra não assustar!), mas são DE-LI-CI-O-SAS. Pra ajudar a descer, destaque para a caipirinha especial de tomate cereja, manjericão e vodca de manga. A combinação parece bizarra, mas antes que eu pudesse torcer o meu nariz, dei uma boa golada na mistura e o que dei a torcer foi meu bracinho. É uma delícia. E não, não fica com gosto de pizza. Vai por mim.

Como um tapa sozinho – tapinha? – não alimenta ninguém, me joguei no tartare de salmão defumado servido em cones de pão folha crocante, provavelmente uma das coisas mais gostosas que comi na minha curta e pobre vida (juro que não é exagero) e voltei à realidade com o kebab de mignon, que não passava de um picadinho com um molho de tomate apimentado. Gostosinho, mas de kebab não tinha nada – talvez só o preço salgado que costuma ser cobrado pela iguaria de turista ferrado na Europa lá pelas bandas da Zona Sul. Mas não vai ser um picadinho que vai manchar a reputação do lugar: o Trapézio é incrível e vale a visita quando bater aquela vontade de comer e beber coisas gostosas em um lugar que te afaste dos pesadelos de um fim de semana trabalhando.

* As fotos incríveis que ilustram o post são de Gustavo Marialva

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Beatles num céu de diamantes

beatlesdiamantes

Quando voltei da sessão de reestreia do premiado “Beatles num céu de diamantes” no último domingo, brinquei no meu Twitter que já tinha dois títulos possíveis para uma resenha do que eu tinha acabado de ver: “Eles não entenderam nada” ou “Minha mãe vai adorar”. E, apesar de achar que as duas frases resumem bem o que achei do musical da dupla Möeller e Botelho, achei por bem me estender mais no assunto. Vai que você, beatlemaníaco, se atrai pela ideia de um musical composto exclusivamente por músicas dos fab four, resolve gastar R$ 75 como eu e meus acompanhantes (R$ 60 do ingresso e mais R$ 15 de abusivas taxas) e sai de lá, digamos, decepcionado? Não, o musical não é  de todo ruim, mas também não é a maravilha que eu esperava depois de ter visto o incrível “O despertar da primavera”, montagem mais recente da dupla – vale a observação: “Beatles…” estreou em janeiro de 2008, “O despertar” é de 2009.

Antes de mais nada, que fique claro que “Beatles…” não se propõe a diálogos. São mais de 40 músicas de todas as fases dos Beatles rearranjadas de acordo com o enredo – pouco claro – criado pela dupla dinâmica dos palcos cariocas. O elenco todo – formado por dez músicos – canta muitíssimo bem: Sem desafinar, sem errar as letras ou mesmo escorregar nas pronúncias… o que pode ser um baita ponto positivo, mas que, na minha humilde opinião, não dá a ninguém o direito de jogar no lixo toda e qualquer sutileza que uma música como “Something” possa ter e transformá-la… numa música da Celine Dion. Ou seria da Mariah Carey? Sentiu o drama? Pois mentaliza “Here comes the sun” em versão bossinha de churrascaria. E “If I fell” com a vibe “um banquinho, um violão” , típica música de barzinho? Então, fizeram isso com os Beatles. E minha mãe iria adorar. Sacou?

Porém, contudo, todavia, no entanto, se momentos como estes que descrevi eram por demais constrangedores para mim – a ponto de eu querer me esconder debaixo da cadeira – outros bons números tentavam salvar o jogo, praticamente perdido: A caricata “Ob-la-di Ob-la-da” da montagem brinca com o escárnio da alta sociedade britânica em uma releitura super esperta, “Yellow submarine” ficou tão teatral quanto merecia e “Honey pie”, bem, foi respeitada e, assim como as outras amiguinhas, e teve o senso de humor bem utilizado a seu favor.

Mas aí vinha mais uma versão exagerada e eu olhava para a pobreza daqueles figurinos ripongas que mais pareciam ter sido comprados na liquidação da Balisun, ali no Saara, e percebia que eles não tinham entendido muita coisa. Ou quase nada. Afinal, se a fase hippie dos Beatles tinha durado tão pouco tempo, por que economizar tanto nas vestes dos atores/cantores? Por que não abranger todas as mudanças de estilo do quarteto de Liverpool? Porque eles acharam melhor assim, certo? Yeah (como os atores gritaram várias vezes em um atitude bem, errrr, rock’n'roll – insira aqui gesto do chifrinho com as mãos).

Se a livre adaptação da obra de uma das mais respeitadas banda de rock da história era um direito deles, o meu foi o de ter achado a parte visual do espetáculo um tanto amadora, ainda mais se comparada com o preço salgadinho do ingresso. Afinal, tão pobres quanto os figurinos eram os cenários e os recursos cênicos – tão incríveis em “O despertar…”, suspiros. Para se ter uma ideia, o ponto alto do espetáculo é uma chuva mixuruca de bolinhas de sabão. E é só. Quando eu percebi que nem os raros bons momentos iriam me salvar daquela vergonha alheia que acometeu meu eu, olhei para os lados e vi meus amigos, que me acompanharam nesta desventura, contando quantas músicas faltavam para aquela sessão de tortura ao nosso bom gosto acabar. Uma a uma, o alívio ia chegando: ainda bem que o espetáculo só durava 1h30.

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Veja bem: o espetáculo já teve mais de 150 mil espectadores e rodou o Brasil e o mundo em elogiada turnê. Ou seja, estou aqui criticando um sucesso de público – e de crítica, heh. No vídeo abaixo você vê uma compilação de vários números de “Beatles num céu de diamantes” e tira suas próprias conclusões.

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Espionando

espioesTaí um post que eu tinha que ter feito no ano passado: enrolei, enrolei e agora a novidade pode até estar velha, mas vale o registro. É só uma página de livro. Uma “mísera” página inicial que é uma das coisas mais interessantes que eu já li na vida (não li muito, mas também não li pouco não, viu). Sério, sabe quando você lê e fica meio embasbacado com o estilo, as palavras, tudo? Pois é. Fiquei assim.

Falo do início de “Os espiões”, romance recém-lançado (quer dizer, né, saiu no fim do ano passado) por Luis Fernando Verissimo. Na época do lançamento, tive a oportunidade de entrevistá-lo para o local de trabalho e, pelos comentários, notei que além de muitos admiradores, o cara tem detratores em fartura. Gente que não concorda com as opiniões políticas, gente que torce para outro time, gente que simplesmente não entende que cada um acredita no que quiser sem ter que ser desrespeitado por isso. Gente que, por puro preconceito, pode deixar de ler um trecho como esses, que reproduzo abaixo.

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Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer. Mas só bebo nos fins de semana. De segunda a sexta trabalho numa editora, onde uma das minhas funções é examinar os originais que chegam pelo correio, entram pelas janelas, caem do teto, brotam do chão ou são atirados na minha mesa pelo Marcito, dono da editora, com a frase “Vê se isso presta”. A enxurrada de autores querendo ser publicados começou depois que um livrinho nosso chamado Astrologia e Amor – Um Guia Sideral para Namorados fez tanto sucesso  que permitiu ao Marcito  comprar duas motos novas para sua coleção. De repente nos descobriram, e os originais não param mais de chegar. Eu os examino e decido seu futuro. Nas segundas-feiras estou sempre de ressaca, e os originais que chegam vão direto das minhas mãos trêmulas para o lixo. E nas segundas-feiras minhas cartas de rejeição são ferozes. Recomendo ao autor que não apenas nunca mais nos mande originais como nunca mais escreva uma linha, uma palavra, um recibo. Se Guerra e Paz caísse na minha mesa numa segunda-feira, eu mandaria seu autor plantar cebolas. Cervantes? Desista, hombre. Flaubert? Proust? Não me façam rir. Graham Greene? Tente farmácia. Nem le Carré escaparia. Certa vez recomendei a uma mulher chamada Corina que se ocupasse de afazeres domésticos e poupasse o mundo da sua óbvia demência, a de pensar que era poeta. Um dia ela entrou na minha sala brandindo o livro rejeitado que publicara por outra editora e o atirou na minha cabeça. Quando me perguntam a origem da pequena cicatriz que tenho sobre o olho esquerdo, respondo:
– Poesia.

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Tudo bem que, pelo trecho, não dá pra sacar qual é a do livro do Verissimo. Mas isso eu explico: um editor que trabalha em uma pequena empresa recebe os manuscritos mal escritos de uma tal de Ariadne. Dentro do envelope endereçado por “mãos trêmulas”, ele encontra a história de amor proibido da moça de nome grego que promete se suicidar tão logo ponha o ponto final nela. Encantado até pelos erros de português mais primários, o editor decide largar sua vidinha medíocre e o casamento falido para descobrir quem é Ariadne antes que seja tarde demais. Daí em diante, o que se vê é uma deliciosa história de espionagem, aquele romance policial que já nasce clássico, daqueles que dá gosto de ler.

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Amor de bentô

Você já deve ter ouvido falar nos bentôs, espécie de marmitex japonês todo cheio das nove horas </vovó>. Inclusive, já deve ter esbarrado com imagens e mais imagens dos mais fofos bentôs, decorados com bichinhos e personagens famosos. Se eu acertei essas duas suposições, posso chutar que você pensou na pena que sentiria ao destruir essas verdadeiras obras de arte feitas com comida só pra satisfazer o seu estômago.

Eu não diria que seus problemas acabaram porque estou num programa de reabilitação para deixar de ser infame, mas olha… estão próximos. Quer dizer, isso se você for carioca e frequentar o comecinho de Ipanema. É que bem ali na Aníbal de Mendonça abriu o Bentô, restaurante japa estilo fast food dos mais fofos – e gostosos também.

Antes que você estrile, aviso logo: o Bentô não é mais uma temakeria (sequer vende temaki!), mas segue a moda dos japas-rápidos que começou com o Koni Store, rendeu um monte de fazedores-de-cone não tão bons (e que fecharam as portas rapidinho), mas também deu frutos como o finado (e saudoso) Popfish e o adorado Samoa. Pois é, o Bentô é da família desses dois.

Lá, o lance são as porções individuais. Combinando entradas, sushis ou sashimis, rolls, sobas e até sobremesa você monta seu próprio bentô personalizado. Dá pra pedir uma, duas ou quatro porções que vêm numa bandeja própria, tudo com design bonitinho. Sim, o que substitui os enfeites dos tradicionais bentôs é todo o resto: embalagens, vidros de shoyu, decoração com bambus, até a trilha sonora com pegada indiezinha… assim, você se encanta feito uma criança boba e come, sim, com os olhos (e com os ouvidos felizes), mas não fica regulando a comida.

E ó, no Bentô se come direitinho, viu? Minha combinação ficou assim: croquetes de salmão com molho de mostarda e mel que mais parecem uma releitura de bolinho de bacalhau (delícia, por sinal), sashimis de salmão, mix de sushis e roll de tartare de atum com tabasco e flocos de arroz (hot!). Minha cobaia, quer dizer, meu acompanhante, foi de bolinho de atum crocante, sashimi de atum, hot filadélfia (que tava longe de ser perfeito, mas era bem honesto) e yakisoba de filé. Tudo muito gostosinho e seriamente aprovado.

Aí você me pergunta, querido leitor: “e o preço?”. Não é dos mais baratos, mas caro também não é (afinal, é fast food). O bentô com quatro porções sai por R$ 22 independente da combinação que você fizer. No meu caso, por exemplo, foram 18 peças. Justo.

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Espanando a poeira

Porque o ano novo começou oficialmente (tchau, carnaval!) e início de ano requer aquelas faxinas das boas, para limpar a casa e alma. Nada mais justo que espanar a poeira deste blog e tomar coragem para encarar a realidade: falta-me tempo, sim, mas falta-me vergonha na cara. Como assim não atualizo isso aqui desde novembro?

Mas antes que vocês me crucifiquem (se é que alguém sentiu falta disso aqui), dou pelo menos um bom motivo para justificar minha ausência: dezembro foi um mês de ralação total e comecei 2010 no embalo daquela “nave louca” (alô, Bial!) chamada “BBB”.

Sim, Brasil, se você me segue no Twitter já deve estar sabendo, mas não custa nada reforçar. Junto com a Tati Contreiras, cubro o “Big Brother” para o famoso site do jornal O Globo (também conhecido como meu local de trabalho). Sim, eu tenho outro blog. Não, não é uma traição. E sabe que eu tô me amarrando? Tanto que não sobra muito tempo para pensar em outras coisas como este humilde espacinho aqui, que me faz muito feliz, mas que não paga as minhas contas (problogger é a mãe!).

Mas ó, eu juro, além de você poder me ler todos-os-dias-todas-as-horas no Big Blog, prometo que vou voltar a postar aqui aos poucos, de leve, bem de mansinho…

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E a programação do CCBB continua…

Nippon @ CCBB

Foto da exposição Nippon, que o CCBB abrigou em 2008

O mês de aniversário do CCBB RJ chegou ao fim (o que significa que eu completei 24 anos e um mês, heh), mas a programação do centro cultural mais charmoso da cidade (e falo isso com toda a sinceridade do mundo, sou e sempre fui apaixonada por aquele prédio) continua bom-ban-te. Quer ver só?

Artes cênicas

:: A temporada da ótima peça “Laranja azul” vai até o dia 3 de janeiro, sempre de quarta a domingo, sempre às 20h. Se você não leu meu post sobre a peça, só vou te lembrar que ela é encenada por Rogério Fróes, Rocco Pitanga e Pedro Brício e dirigida pelo Guilherme Leme. A história do inglês Joe Penhall passada em um hospital psiquiátrico é sensacional.

:: O projeto “Dramaturgias” tem sua edição no próximo dia 18 (quarta-feira). Os atores Isaac Bernat e Glaucio Gomes vão protagonizar uma leitura da peça “Dizer sim”, da autora argentina Griselda Gambaro sob direção de Henrique Tavares. Saiba como foi a última edição clicando aqui.

:: Pelo quarto ano consecutivo, a “Mostra Estudantil de Teatro” ocupa os teatros do CCBB RJ com uma extensa programação que vai de Brecht a Nelson Rodrigues adaptada por jovens talentos vindos da CAL, do Nós do Morro, do Tablado, da UNIRIO… as sessões vão até o dia 27 de novembro.

:: “Theatro Musical Brazileiro”: a releitura do premiadíssimo espetáculo de Luiz Antonio Martinez Correa também segue pelo CCBB até o início do ano que vem. Vale lembrar que o espetáculo marcou o início de toda uma produção de musicais na década de 80. Este relembra justamente a era de ouro dos musicais, entre 1860 e 1945. A supervisão é da Bibi Ferreira e a direção é de Fábio Pillar.

Música

:: A delicinha de evento que é o “Pode apostar!” termina já na semana que vem, com um show da excêntrica Silvia Machete que pro-me-te (ops, rimou). Reza a lenda que ela até vai tocar aquela versão in-crí-vel de “Sweet child o’mine” (sim, essa mesma), que você ouve aqui, no MySpace da moça. Ela sobe ao palco duas vezes no dia 17, às 12h30 e às 18h30. Não dá pra perder. Eu não pretendo. Não esquece que o evento rola em São Paulo e Brasília também.

:: Se você faz o estilo clássico, sugiro a série “Villa-Lobos: Serestas, Choros e Crianças – 50 anos de saudade”, que começa no próximo dia 24. Morto em 1959, o compositor brasileiro é homenageado em quatro concertos que vão do violão ao choro passando pela apresentação de crianças e jovens e a ponte entre o popular e o erudito. Todos com elenco de peso. Pra ver quem toca o quê e quando, clica aqui.

Cinema

:: Woody Allen continua reinando no CCBB até o final do mês. Eu já disse que “A elegância de Woody Allen” é a maior mostra em homenagem ao diretor já feita no mundo, né? E disse também que ela vai exibir to-dos os filmes dirigidos, roteirizados ou mesmo atuados por ele? E que os filmes são (e serão) exibidos em película? Disse, né? Então confere a programação aqui, as sinopses aqui e monta sua agenda.

:: Outro que merece respeito e vai ganhar uma retrospectiva é o diretor Pedro Almodóvar. Todo o drama, o calor, o exagero, o suingue, a obsessão e as maluquices do espanhol vão estar lá, na mostra “Planeta Almodóvar” a partir do dia 24 de novembro – e com entrada franca. A programação completa vai ser divulgada em breve, mas já dá pra imaginar que a coisa vai ser boa.

:: O francês Jean Vigo morreu cedo, aos 29, fez poucos filmes e mesmo assim merece ser lembrado. Em “A propósito de Jean Vigo”, os quatro filmes dirigidos por ele serão exibidos no CCBB. Vale lembrar que os filmes foram produzidos na década de 30 e, portanto, não são nada fáceis de se achar por aí. Olha a oportunidade batendo à porta. A mostra começou no dia 10 e vai até o dia 15. Corre.

Exposições

:: Os muitos trabalhos inspirados nas sombras de Regina Silveira continuam em exposição até o dia 3 de janeiro. Mas se você ainda não viu nem a mostra “Argentina hoy”, com o melhor da produção artística contemporânea dos nossos hermanos ou a bela retrospectiva das esculturas de Abelardo da Hora, sugiro não perder mais tempo: a primeira vai até o dia 22 e a segunda se encerra no dia 29.

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A programação do CCBB é extensa, dinâmica e sempre aparecem coisas bacanas que valem a visita ao centro. Pra ficar por dentro, acesse o novo site, agora com endereço fácil de guardar: http://www.bb.com.br/cultura. Vale pro Rio, São Paulo e Brasília.

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Woody Allen pra todos os gostos

woody_allenOcupar o posto de “maior mostra já feita sobre o Woody Allen” – no mundo – não é para qualquer um. O cara é um dos diretores mais  workaholics de toda a Hollywood, ultimamente tem feito questão de lançar um filme por ano e lá se vão muitos anos desde “Um assaltante bem trapalhão”. Querido por muitos, odiado por outros tantos, Woody Allen é daqueles que não se pode ignorar. Não à toa inspirou “A elegância de Woody Allen”, praticamente um festival temático de cinema em que o homenageado é aquele diretor franzino, engraçadinho, gago e judeu.

Em cartaz no CCBB RJ dos dias 3 ao dia 29 de novembro (e com data marcada para estrear no CCBB de São Paulo – de 18 de novembro a 13 de dezembro), a mostra traz, basicamente, tudo o que Woody Allen já fez na tela grande – e tudo exibido em película: filmes dirigidos por ele, filmes em que ele atuou, filmes que ele roteirizou e até filmes para os quais ele emprestou a voz – como é o caso da animação “Formiguinha Z”. O slogan poderia até ser “tudo o que você sempre quis saber sobre Woody Allen e teve vergonha de perguntar”, já que, né, é o tipo de coisa que você deveria nascer sabendo, mas se não nasceu, taí a segunda chance de se aprofundar.

A abertura da mostra contou com a primeira – e que seria única, por um bom tempo – exibição oficial no Brasil de “Whatever works” (ou “Tudo pode dar certo”), com um Larry David no papel de velho ateu insuportável e Evan Rachel Wood bancando a ninfetinha de formação conservadora, apesar de sua curiosidade em experimentar as tentações da cidade grande. Os dois formam um casal improvável – tanto que vão ganhar a reprovação dos pais dela, dois caipiras típicos que mudam sua visão estreita de mundo quando chegam a Nova York  (e assumem a missão de separar os dois). Como outros filmes do cineasta, parece um exercício de misantropia que acaba em uma celebração da vida – ou pelo menos, do que pode dar certo apesar da falta de sentido da existência.

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A programação completa você confere aqui, mas adianto que vai ter “Manhattan”, “A Rosa Púrpura do Cairo”, “Annie Hall”, “Interiores”, “Zelig”, “Hannah e Suas Irmãs”, “Maridos e Esposas”, “Neblina e Sombras”, “Crimes e Pecados”, “Match Point” e“Tiros na Broadway”. Todos a R$ 6 a inteira. Tá bom ou quer mais?

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Por conta de um problema de alfândega ou coisa do tipo, a versão exibida de “Whatever works” para os convidados não foi a versão em película como tinha sido prometido e, por isso, a produção se comprometeu a se esforçar em fazer uma nova sessão – talvez aberta – com toda a pompa e a circunstância que tamanha elegância tem direito. Se rolar, fiquem espertos, porque o filme não tem data para estrear em circuito comercial no Brasil.

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Super bem feito e bem cuidado, o catálogo da mostra é uma compilação detalhada de toda a história de Woody Allen no cinema, com colaborações de Luis Fernando Verissimo, Lourenço Mutarelli, Moacyr Scliar, Angeli, Laerte, Elesbão, Arnaldo Branco (heh), Allan Sieber, André Dahmer, etc etc etc. É gente bacana demais reunida em um mesmo livro, dissertando sobre um mesmo tema.  Pretendo sortear um exemplar por aqui, fiquem ligados no Twitter para saber quando e como.

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