Não, não vou comentar a vitória do Dourado, o segundo lugar da Fernanda e muito menos a terceira colocação do Kadu. Se o “Big Brother Brasil” é uma ode ao narcisismo, ao umbiguismo e a superexposição, hoje vou me inspirar nele e falar de mim. Ou melhor, de nós.
Se, durante minha faculdade de jornalismo, me dissessem que eu iria cobrir uma edição do “BBB” e que faria isso amarradona, eu provavelmente responderia com um “como assim, Bial?”. Não porque eu tivesse algum preconceito ou mesmo menosprezasse o programa, pelo contrário, o “BBB” pra mim sempre foi entretenimento. Apenas não o via como instrumento de trabalho. E aí que eu me formei, vim trabalhar no jornal O Globo para o orgulho da mamãe, e fui incumbida de assumir a cobertura do “BBB 10″ ao lado da colega Tatiana Contreiras que, por acaso, vem a ser uma das minhas amigas mais próximas.
Desafio aceito, foram 80 dias de muita ralação. Na minha volta ao mundo deles, deixei de sair, de jogar minha sinuca, de encarar uma cervejinha, de relaxar em dia de Prova do Líder, de Paredão. Paguei o pay per view do meu próprio bolso e, por tabela, viciei meu grande companheiro nesta jornada, o pensador da casa, no programa. Em 80 dias, não me permiti uma gripezinha sequer, mas sofri com tonteiras constantes que me impediram de dormir por várias noites. Nesse meio tempo, cheguei a sonhar que estava na casa, que eu era vigiada por todo o país e acordei assustada, exaltada, afobada, com medo.
Pois é, encarar um desafio desses se mostrou mais difícil do que eu pensei. Não que eu tivesse subestimado o trabalho, que é trabalho sério e trabalho duro – digam os detratores o que quiserem -, mas por não ter imaginado o tamanho da responsabilidade de assistir a trabalho ao maior reality show da televisão brasileira – e que desta vez bateu o recorde de votos dos reality shows no mundo.
Fui mais lida no Big Blog do que em toda minha “carreira” de blogueira. Em 80 dias foram mais de 3,7 milhões de visitas em mais de 550 posts. Comentários? Foram 42 mil, imagina o tamanho do vidro que revestia o meu teto. No Twitter, mais de 6 mil e 600 pessoas nos seguiram, interagiram, reclamaram, criticaram, isso sem contar os incontáveis e-mails que recebemos no período. O que dizer do texto? Em um blog sobre “BBB” pude lapidar o que escrevia de uma maneira que a imprensa “tradicional” jamais me permitiria em condições normais. Lá pude ser galhofeira, debochada, fazer piadas, pude juntar pessoa física e jurídica num texto só.
Saio desta cobertura cansada pra c***** (alô, Dourado!), nem R$ 1 mais rica, mas saio dela com um aprendizado enorme nas costas e com uma ou outra certeza sobre quem eu sou, o que é o meu trabalho e quem está do meu lado. Isto posto, aviso que o Big Blog só volta no ano que vem e que, pelos próximos 275 dias, eu sou todinha – ou quase toda, vai, preciso viver! – do Go to Heaven.

As parceiras de crime na foto que saiu no segundo 'Por dentro do Globo', na página 2 do jornal de ontem. Sugeri que a produção da foto fosse bem diferente da primeira: queria olheiras, cara abatida, roupas rasgadas, uma vibe bem zumbi. Ninguém me deu ouvidos.
Brigada, Bial! Brigada, Boninho! Brigada, Brasil!